Um delírio sobre Percy Jackson e o ladrão de raios

Antes de qualquer coisa devo desculpas.

Prometi este artigo na época do carnaval e só to oficializando essa bosta agora. De lá para cá já choveram artigos, críticas sobre os artigos e até fui chamado de Ateu, porém, estou aqui e honrando as calças que uso. O artigo de hoje é sobre “Percy Jackson e o ladrão de raios”. O filminho é um estouro, o livro é tratado como mitologia moderna e um best-seller sucesso de crítica e público (apesar de existir gente por aí acreditando que todo best-seller não passa de uma diarrreia do monstro de Cloverfield e não serve de conteúdo intelectual). Ainda assim, o filme não é dos melhores.

Antes que você pense em chegar até os comentários para tecer o mais ríspido esculacho de sua existência, afirmo que o filme não tá ruim, ao menos no que tange o elenco feminino (a Annabeth tem uma cara de sem vergonha…), o elenco masculino faz bem a sua parte e monopoliza a atenção da mulherada (Piece Prosnan como Quiron ficou ótimo, porém, o Hades está mais parecido com um Zé Geraldo cansado). Eu não quero tirar o mérito de atuação de ninguém, trabalharam bem e tudo, mas eu achei tudo meio “Sessão da tarde “.

(sapatos são arremessados contra este que vos fala. George W. Bush e eu usamos de esquivas que faria Mohammed Ali enaltecer a beleza de um físico ágil por horas).

Apesar de tudo o que já mencionei sobre o livro e o filme, a cultura de massa precisa de uma visão mais crítica sobre o entretenimento atual. Os antigos tinham que devorar todos os dias (o dia todo) papiros, escrituras, livros e mais. Um homem sábio era reconhecido por sua literatura de cabeceira e sua bagagem intelectual. Para o adolescente (criação e culpa) de nossa sociedade, tudo é aparência e auto-sugestão. Partindo desta direta, um sábio antigo pode ser identificado em um adolescente genérico verificando suas comunidades no orkut.

Creio que muitos já entenderam onde eu quero chegar. Acredito que o verdadeiro intelectual não usaria a dúvida de alguém como “escada” para subir no conceito de meia dúzia de pessoas. Essa atitude mostra uma vontade mesquinha, regular miséria, auto-afirmação. O coitado sofre de N.U.A. (Necessidade Urgente de Aparecer). Após esta aula de comportamento e etiqueta estudantil que eu costumo chamar de “modo certo”, vamos migrar para o post de hoje.

PRÓS
Não se aflijam, não temam, pois eu não estou aqui apenas para descer o cacete. Gostei muito de certas adaptações míticas dentro das empreitadas de Percy e seus comparsas como o escudo de Perseu que foi transformado num Ipod e a ilha dos Lotófagos transformada em um cassino. Apenas não vi a necessidade de explicações por parte dos personagens no final de cada missão. Seria um chamariz interessante para o leitor ou telespectador procurar saber sobre os Lotófagos ou mesmo o que chavancas seria o Paternon. Os personagens são simplistas de tal forma que parecem existir apenas para desdobrar a história e ainda tem o humor leve que geralmente é tarefa do avoado Grover.

Saindo pela tangente por um instante, pare e pense nisso: Alguém já reparou que esse tipo de coisa sempre acontece?! Ainda vou entender o motivo que leva um negro ou um bicho digitalizado/animado com voz de negro para ser o alívio cômico sempre. O americano comedor de hambúrguer ainda mantém uma genialidade preconceituosa no final das contas, e o pior é que o povo paga para ver (você pagou e eu também). Próximo de onde moro, houve um evento sobre o lançamento da película e muitos não esperavam que o ajudante (função do personagem) fosse negro, eu vejo muito preconceito diante do pobre Grover. Analise esta imagem:

Esta imagem é para divulgação do filme. A produção confecciona diversas imagens avulsas para o setor de publicidade decidir quais irão para distribuição e as que cairão no limbo do almoxarifado. Pois bem, repare que Percy Jackson (herói, gostosão e bom moço por excelência) se encontra no que parece ser uma torre, ao passo que Grover (metade criolo e metade bode, totalmente direcionado ao humor americano) se encontra  sob um céu sujo e contemplando uma paisagem nada tranquilizadora. Ele está em uma INDÚSTRIA, pois é um NEGRO. A mensagem subliminar aqui é forte e pega pesado.

Também pode ser uma viagem torta de minha parte. Lembrando para os mais exaltados que não tiro o mérito do ator (apesar de desconhecido, ganhou certa notoriedade). Façam o que mando, abram o olho pois Brandon T. Jackson ta na área.

Por fim, chegamos ao ponto em que todos concordamos: O elenco feminino não podia ser mais afiado. Tem mulher para todos os gostos, literalmente, gregos e troianos. Loiras, de cabelos encaracolados, branquelas, morenas, olhos claros, escuros, safadas, santinhas e ainda tem a mãe do Percy. Conforme mencionado anteriormente, Annabeth é lindinha, Uma Thruman apareceu pouquinho mas mandou bem, porém, a Perséfone… que é aquilo minha gente. Claro, não tem nada a ver mas a mulher é de parar uma legião romana em movimento. Com efeito, com uma olhadinha e um sorriso safado desses, ela poderia parar facilmente um ataque de Kage Bushins do Naruto. Para aqueles mais curiosos, o nome da beleza morena é Rosário Dawson.

E minha namorada que me perdoe… mas eu te falei isso no cinema.

CONTRAS
Para não ser chamado de chato, não direi que o tema “roubo do raio mestre” foi deixado totalmente de ladoentão, adiante com o protocolo.

Particularmente achei o filme meio “morno”, bem a cara da Sessão da tarde (termo já conhecido para referenciar um filme ruim). A película não tem aquele… aquele TCHAN, sabem, não pretendo compará-lo ao brilhante Avatar. Por se tratar de mitologia grega, ansiara por uma revelação exposta de imediato. Matrix, Harry Potter, Sr. dos anéis e muitos outros filmes interessantes espantaram logo de cara e, ao que parece, esta franquia vai precisar de mais alguns filmes para mostrar notoriedade.

Já falei na dose sutil de preconceito (provavelmente fui o único que percebeu…), alguns atores experientes no filme não me convenceram e a história chega a beirar o cúmulo da arte de ser clichê. Um mané é zuado a vida toda , então, um belo dia, descobre que nasceu para vencer o grande mal no mundo. Ficaria um bom roteiro para um anime genérico, mas para um filme que irá direcionar as novas tendências da literatura grega ambientada aos moldes de nossa sociedade moderna?! Estão forçando demais a barra.

Neste caso, ficarei escrevendo este blog enquanto meus poderes não despertam.

Ainda existe a música, neste ponto não tenho muito que comentar. A trilha sonora foi composta por Christophe Beck, este nativo de Montreal mostra mais uma vez sua habilidade em distribuir trabalhos para filmes medianos ou teens. Nada contra alguns dos filmes, alguns até tem a mesma temática do Ladrão de raios (como é o caso de The Seeker. Repare no herói do filme, dá pra confiar a segurança do mundo e a vitória contra o mal irremediável prum Zé ruela desses?!

O cara trabalhou para bons filmes como Se beber, não case; Waiting for superman, até gostei de A nova Cinderela, este último é bem a cara das composições de Christope, mas sua trajetória no ramo é extensa e recomendo uma análise mais criteriosa, afinal, estou criticando o filme e não o trabalho de Christope Beck. Mantenha o foco, musicalidade não deve ser usada para direcionar uma tendência boboca para uma sociedade com necessidades bestas, para mim, música é influência. Use uma música para enaltecer o calor do momento ou para enfatizar um sentimento que brota por meio das imagens, porém, programas como O ladrão de raios são muito inteligentes para expor uma musicalidade mais madura ou mais exótica.

O ladrão de raios toca Lady Gaga, Ryukendo toca Cavalgada das Valkyrias, mas Ryukendo é mais um programa infantil e não tem poder para ditar tendências, o que nos leva para…

CONCLUSÃO
No popular: O ladrão de raios não me seduz.

Adoro criticar, questionar e provoco o quanto posso para manter o nível. Entendam que O ladrão de raios é um ótimo entretenimento, com grandes efeitos especiais e belas mulheres, mas é apenas isto. Sai do cinema do mesmo jeito que entrei: Sem uma questão na mente para meditar, sem uma nova abordagem sobre determinado tema, nem mesmo me deu vontade de estudar mais sobre Perseu e os mitos alegóricos da Grécia.

Para piorar ainda fiquei R$12,00 mais liso.

Terá que malhar muito para me convencer a ir novamente numa sala de cinema e não estou falando de mais efeitos especiais ou uma atuação menos caricaturada. Falo de enredo, conteúdo, algo que me faça ficar na sala e sentir meus R$12,00 vingados. O Ladrão de raios não sai da temática teen de ver a vida (só faltou todos dançando ao redor do Hades no acampamento). Repertório repetitivo, personagens nada maduros e não é ousado, combinações que tornam o programa frustrante. Sem mais no momento, finalizo este artigo com a imagem de uma animação que combina fantasia com realidade e muita maturidade:

De fato, confesso que fiquei surpreso com o finaldeste aqui. Todo filme faz aquele suspense de final de batalha com o herói caído inconsciente e tal, mas o final é interessante. A Dreanworks fez um incrível trabalho aqui, recomendado.

Estão dispensados para tecer seus comentários ríspidos.

ενθουσιασμός.

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17 comentários Adicione o seu

  1. Maychel Santos disse:

    Seu ateu!

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  2. alexandra disse:

    Olha sobre a mensagem subliminar do grover vc estava certo e BEM PESADA mas estes comentários sobreo filme pelo amor de Deus né o filme é otimo e vc que é um sem noção msm…

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    1. Carlos Bazuca disse:

      Bom as mensagens dos filmes atuais são uma coisa de doido realmente, tudo pode ser verificado: desde a postura dos personagens dentro da trama até mesmo jogo de cores… um bom exemplo disso está na animação Horton e o mundo dos quem. Alguém mais percebeu a tragédia de Sócrates?
      Comentarei sobre isto em breve.
      Sobre o fato de eu ser um “sem noção” apenas por ter criticado seu filme favorito, não pense que sou apenas um poço de críticas ruins. A película é boa, o livro segue a atual postura “teen” na mitologia e é bastante competente no que se propõe a fazer (apesar de alguns acharem que não acrescenta porra nenhuma ao intecto por ser voltado ao jovem). Conforme comentado no artigo, os atores são bons (inclusive o negão lá é uma revelação no humor americano) e ainda há uma série de coisas que preferi não comentar só pelo fato do artigo que fiz se tratar de uma crítica ao filme, pretendia dar-lhes uma ampla visão dos eventos que muitos não percebem quando estão vibrando com as lutas e os efeitos especiais… ou com o Percy Jackson sem camisa.

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  3. Vinicíus disse:

    Você é um idiota, você num sabe nada não ô
    e primeiro vê se aprende a escrever ninguém escreve “diarreia” com três “r”
    O.K.?

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    1. Carlos Bazuca disse:

      Obrigado pelos elogios…
      Diarrrrrrrrrrrrréia e qualquerrr outrrrra coisa eu escrrrrrrevo do jeito que eu acharrrrrrrr melhorrrrrrr, afinal, o teclado é meu.

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  4. Vinicíus disse:

    Ah… outra coisa, tudo que tem um erro acha que é mensagens subliminares.
    Não tem absolutamente nada a ver!!!!!

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    1. Carlos Bazuca disse:

      Caso não tenha lido o post inteiro: Apontei que poderia ser uma interpretação errada de minha parte, porém, a mensagem ali passada é clara. Só um burro não perceberia, parece ser o seu caso, mas não esquente, maturidade e bagagem intelectual é algo que se ganha com o tempo.

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  5. Vinicíus disse:

    Chamar uma pessoa de “Crioulo” só por que é negro é pré-conceito racial .
    Crime.

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    1. Carlos Bazuca disse:

      Chamei o personagem de “crioulo”, então que o Percy Jackson me processe.

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  6. Milla Miranda disse:

    =/ quem ta criticando aí a opinião do rapaz n colocou nenhum conjunto de argumentos válidos. Ao meu ver, me pareceu que o cara sabia mt bem do q tava falando, enquanto qm ta chamando de idiota n colocou nenhuma justificativa logica q mostrasse coomo ele estava errado. Questão de gosto ngm discute. Nem quando o cara eh PhD em filme, ele pode ter opiniões certas sobre algo, mas p ele, sempre vai valer, pq afinal eh a opinião DELE=/ eu gosto de percy jackson, mas n acho q seja lá essas histórias de arrepiar.A começar q no prmeiro livro o personagem tem uns 12 anos (desculpem se eu estiver errada) e no filme o garoto ja tinha cara de uns 16. –` isso me decepcionou mt. a anabeth nem se fala. a menina jah era um mulherão Oo Fatos assim, ja me fazem abrir inumeras possibilidades de criticas.. e prestando atenção prestando atenção, a gente vai ver q sim, tem varios defeitinhos bem visíveis. N eh por isso q vou dizer q o filme n eh bom. Éh bown sim, mas o q o cara falou aí… tem muitas q concordo. Mas n eh pq digo q tem probleminhas, to falando q o filme eh pessimo =/. cada um tem seus gostos, gente. parem de criticar os outros e enxerguem o que eh e o que n eh perfeitu –`

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  7. Gabriel C. Kammers disse:

    Só uma coisa, quem comentou dizendo que Carlos, nosso grande blogger, não sabia o que estava dizendo, não me pareceu ter nenhum conhecimento sobre o assunto, e pela percepção de nosso blogger, ele esta 90% correto, apesar de de eu tambem ter achad o filme bom, eu não sai do cinema com um puzzle pra ser resolvido no pensamento como no ‘O Código Da Vinci’, acho que vc esta certo Carlos, por hj é só. ; )

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  8. Gabriel C. Kammers disse:

    Ahhh, e não se esqueção!! ενθουσιασμός. !”!

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  9. Rafaela disse:

    Hello o filme e perfeito nem tente colocar defeito se achou ruim faça melhor u_u

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  10. bigu disse:

    Olha a palavra SEX formando nas 3 imagens juntas

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  11. Milly disse:

    Na boa defendo sua opinião sobre o filme, mas pegou pesado é um filme top de linha e se fosse realmente desse jeito como voce falou não se chamaria Ficção uo seja Faz de conta.

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    1. Carlos Bazuca disse:

      Pessoas, entendam…. eu não achei o filme ruim, deixei isso claro na conclusão da postagem. As pessoas confundem “Não achar Bom” com “Achar Ruim”. Gostei do filme e ele é competente no que se propõe a fazer (entreter), mas o Livro e o Filme são coisas beeeeem diferentes e isso contribui para minha opinião final. Aliás, eu já li que o segundo filme (Mar de Monstros) apresenta o mesmo problema.
      Antes de rasgar uma seda pro filme, leia o livro. Faça esse favor a você mesmo.
      Cada um pode gostar do filme e isso NÃO te torna um burro consumista de blockbusters. Todos tem seus gostos, preferências e não será este pretensioso espaço virtual que te apontará só o que é bom.

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