Revista Nature publica estudo sobre fóssil extremamente bem conservado de artrópode Dollocaris

Arqueologia

Eu adoro Arqueologia, principalmente essa parte de visitar locais esquecidos por Deus e pelo resto do Mundo Civilizado, escavar sítios e estudar fósseis de criaturas dos tempos mais remotos…

…Não que Arqueologia seja apenas isso, mas é a minha parte favorita.

Quando eu era moleque, em Fortaleza, até aprendi a fazer um fóssil vendo Mundo de Beackman e também comprei aquela coleção Dinossauros da Editora Globo, com poster 3-D e um esqueleto que brilhava no escuro… na verdade, eu ainda tenho esse esqueleto em casa.

Contudo, reconheço que não costumo postar muita coisa sobre o assunto… e essa é uma falha que pretendo corrigir agora mesmo! Vamos falar sobre um fóssil de um artrópode que viveu durante o Período Jurássico e causou rebuliço na comunidade científica.

Uma equipe de especialistas, liderados por Jean Vannier, diretor de pesquisa do CNRS (Centro Nacional francês de Pesquisas Científicas) no Laboratório de Geologia de Lyon (França), apresentou uma publicação na revista Nature Communications. sobre o achado de um fóssil em condições incríveis de preservação (estamos falando de mais de 160 milhões de anos atrás), tão bem conservado que foi possível estudar sua anatomia, seus hábitos alimentares e até a estrutura nervosa dos olhos.

É mole, ou quer duro?!

Continue a leitura e aprenda alguma coisa.

O Dollocaris viveu no período Jurásico, tinha olhos enormes e
O Dollocaris viveu no período Jurásico, tinha olhos enormes e habilidades preensiveis nos apêncides

O PEGADOR DOS SETE MARES
Esqueça o Tubarão Branco, um dos maiores predadores que o fundo do mar já conheceu era minusculo, no máximo, 20cm. Chamado de Dollocaris (do grupo de artrópodes marinhos da família dos Thylacocéphales), este era o “grande” predador dos mares do período Jurássico.

Os cientistas acreditam o maior diferencial do Dollocaris estava em seus grandes olhos, extremamente eficientes no fundo do mar na tarefa de caça, além dos três pares de poderosos Apêndices preênseis, na tarefa de captura da presa, basicamente camarões.

O OLHO QUE TUDO VÊ
Os olhos do Dollocaris eram capazes de encontrar suas presas com bastante facilidade. Cada olho poderia ter até 18.000 facetas e isso, aliado ao fato de que o corpo do artrópode era praticamente todo olho, aumentava muito sua capacidade predatória.

O olho dele deveria lembrar os de uma libélulas ou das moscas, o que é chamado Olho Composto, bastante comum nos artrópodes (excetuando as aranhas). O Olho Composto tem o Omatídeo, essa estrutura multifacetada com um conjunto de células fotorreceptoras davam maior foco na visão do bicho, o que é um diferencial na caça.

Resumindo, tais olhos permitiam o Dollocaris ficar a uma distância segura, só filmando, antes de dar o bote certeiro e, usando seus apêndices para agarrar e comer suas presas.

Aí você deve estar se perguntando “Ora, e, por acaso, os Cientistas constataram isso tudo apenas vendo o Gigante Olho desse bicho feio no fóssil?! Que grande estudo, esse“.

Não exatamente, pequeno gafanhoto.

FÓSSIL EXTREMAMENTE BEM CONSERVADO
Jean Vannier, o diretor do CNRS, conforme informado acima, levou este estudo com base em um fóssil extremamente bem conservado desse bicho, encontrado em Ardèche (Voulte-sur-Rhône – França), uma região lotada de fósseis de Dollocaris.

O diretor Jean Vannier tem aquele "tchan" de Cientista louco, não tem?!
O diretor Jean Vannier tem aquele “tchan” de Cientista louco, não tem?!

Talves eu devesse colocar uma foto onde o referido Diretor do CNRS saísse de uma forma mais respeitosa… só que não!

Enfim, a questão é que o Dollocaris era detentor de uma visão única e isso era uma grande vantagem na caça… claro, isso pode parecr até um raciocínio lógico, mas as criaturas que viveram no Período Jurássico o mar avançou de tal forma sobre os continentes que a Fauna e a Flora terrestre foi seriamente afetada e a Fauna e a Flora marinha aumentou de forma obscena.

Quando o ambiente muda drasticamente, forçando os indivíduos a se adaptarem, a isso chamamos de Pressão Seletiva e é nesse momento que pequenos predadores como o Dollocaris sobem, afinal, um padrão ocular tão favorável e usado em um comportamento predatório não era tão comum em outros seres vivos.

“A visão é uma inovação que revolucionou a relação entre as espécies animais. Os primeiros olhos compostos aparecem no Cambriano, há 500 milhões de anos. Ver e ser visto mudou a situação. Isto criou uma dinâmica.” explica Jean Vannier. Apesar de sua extinsão, o padrão do Olho Composto do Dollocaris prosseguiu na escala evolutiva.

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