Setembro Amarelo – Os sofrimentos do jovem Werther

Os sofrimentos do Jovem Werther

Correndo pra mais uma postagem sobre o assunto, afinal, estamos em Setembro, o mês de prevenção ao Suicídio e não poderia deixar passar este livro que, segundo lendas urbanas, motivou uma verdadeira onda de suicídios quando foi lançado.

Estou falando de Os Sofrimentos do Jovem Werther.

Bom, esta é uma literatura densa, bastante forte e envolvente, apesar de um livro curto e, mesmo para mim, não cheguei a terminar de ler o livro até terminar a postagem…

Sim, eu estou fazendo uma postagem sobre um livro do qual eu não li todo… e também não vi o filme, mas estou afim de falar sobre o livro e já vi uma caralhada de vídeos e li muitas críticas sobre o livro e sem falar que ele tem tudo a ver com nosso tema, então vou seguir em frente e manter a postagem em andamento, então espero que gostem…

… se não, vão chupar um cavalo.

DADOS GERAIS
Os Sofrimentos do Jovem Werther foi escrito em 1774 pelo escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe e só nestas duas informações já há muito o que celebrar. Estamos falando não apenas do livro considerado o marco do gênero Romantismo, mas o próprio Goethe é considerado um dos maiores expoentes da literatura.

Glória nas alturas!

O livro é narrado por meio de Cartas (gênero Epístola) até datadas, o que nos dá uma noção de tempo bem legal. Nosso Herói,  Werther, apaixonado e desmedido, é quem dá todas as informações sobre o que acontece na história, como são as demais personagens e a Sociedade onde nosso Herói vive, bem como suas motivações para suas decisões e, sobre isso, falaremos daqui a pouco.

Pelo que me consta, o único amigo aparente de Werther é Wilhelm, a pessoa para quem dirige cartas. Assim conhecemos sua relação complicada e platônica com Charlote, a Mulher Ideal…

…e como toda a Mulher Ideal, ela já está comprometida e pior, com um Nobre.

O FINAL DO LIVRO
Com efeito, não é algo que costumo fazer, mas aqui se faz necessário contar o final do livro para que você tenha uma dimensão do turbilhão de eventos que circulam nosso herói. A narrativa por meio das cartas complica um pouco ter outras conclusões ou alternativas fora as oferecidas por Werther e é isso que liga o livro ao suicídio… afinal, Werther é um suicida.

Sim, ele se mata próximo do final do livro.

Werther se mata quando percebe que nunca sairá da esfera de Amor Platônico. É aquela questão da “Presença da Ausência”: Werther quer Charlote e, como não a tem, a venera em tudo e não questiona eventuais pormenores.

Enquanto não a tem, isso frustra não apenas seus desejos de Homem, mas sua própria visão de Amor ou mesmo de Mundo (há muita descrição de paisagens naturais, mas durante os momentos de crise, perde-se bastante da profundidade dessa descrição).

Outra coisa, Werther tem uma titulação mas isso não impede a população nobre do recinto de exigir sua saída. Essa crítica social fica evidente quando ele é expulso de um Jantar por não ser um nobre. Um outro fator que evidencia a desaprovação social do suicida é a ausência de autoridades clericais durante o enterro de Werther.

Isso dá margem para muitos questionamentos sobre a natureza da Sociedade e como essa divisão entre nobres e o povão é evidente e até exigida pela parcela rica rica rica da sociedade. Ou seja, o próprio ambiente social acaba, indiretamente, empurrando nosso herói para um dos fatores que é evidente nos suicidas, este abismo silencioso que é a Depressão.

A Depressão é uma patologia muito densa e destrutiva, cara, pense bem antes de usá-la.

Como já falamos na primeira postagem sobre o suicídio, o Fato Social numa sociedade PODE SIM influenciar um indivíduo até a se matar, o que pode ser considerado (dentro de toda uma teoria, claro) algo super normal e aceitável para uma sociedade auto suficiente.

A OPÇÃO PELO SUICÍDIO
Longe da mulher amada e dentro de uma sociedade que desconsidera seus Títulos e segrega de forma tão violentamente humilhante, a única forma de sair dessa era optar por ceifar a própria vida. Em muitos momentos, nosso herói demonstra certa empatia por essa ideia, encontrando no Suicida um indivíduo Corajoso, Poderoso e Único.

Os sofrimentos do Jovem Werther 01

Durante um diálogo com Alberto (noivo de sua Amada Charlote), Werther apresenta sua visão “glamurosa” do suicida em pequeno trecho que coloco agora:

“- Você chama a isso fraqueza? Peço-lhe, não se deixe levar pelas aparencias! Um povo que geme sob o jugo de um tirano, você ousará acusá-lo de fraqueza se Ele explode e rompe, afinal, as suas cadeias? 0 homem que, tomado de espanto diante da sua casa incendiada, apela para todas as suas forças e transporta facilmente cargas que, de sangue frio, mal poderia empurrar; estoutro que, no auge do furor que lhe cause uma ofensa, se mede com seis adversários e vence-os, você dirá que são fracos? Muito bem, meu amigo, se um esforço considerável é uma prova de força, por que um esforço alucinado, febricitante, seria o contrário?”

É notado que o personagem interpreta situações totalmente destoantes com a sua própria situação, o que o leva a, inconscientemente, justificar tamanha atrocidade. Dotado de uma melancolia e uma aparente falta de opções, uma arma carregada e um tiro na cabeça é a maior demonstração de Força que Werther deixa para quem fica.

O resto do livro é a compilação das cartas do Jovem Werther por outro personagem que fica subtendido para os leitores: O Editor, que pode ser o próprio Wilhelm.

O QUE TEM MAIS DO LIVRO
Reza a lenda que, depois da publicação, uma verdadeira onda de suicídios foi registrada.Questão documental eu não cheguei a encontrar, não vou nem mentir. Mas o apelo popular caiu bem para um livro. Se, de repente, descobrissemos que não houve, de fato, essa ruma de gente se matando em homenagem ao jovem Werther, o livro perderia parte do seu charme.

Mas ainda assim é um livro muito bom e, por favor, não se mate.

Mas nem tudo são espinhos, Ow pequeno Padawan, por causa do referido livro também brotam lindas rosas. O vídeo acima é uma Opera baseada no livro de Goethe, é de autoria do compositor francês Jules Massenet.

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