Mês da Mulherada – India’s Daughter (Documentário sobre o estupro coletivo da indiana Jyoti)

Sim, sim, essa é, com efeito, uma das épocas mais esperadas neste blog paciente e indeciso. O Mês da Mulherada já é evento de calendário e as melhores postagens são guardadas para você que nos acompanha.

Mas nem tudo é festa, sorrisos e tapinhas no ombro. Hoje, para nossa primeira postagem do Mês da Mulherada de 2015, vamos abordar um assunto bastante polêmico, desgastante e (ainda) bastante recorrente, apesar de estarmos em pleno Século XXI.

Estupro.

Já falamos sobre este tipo de assunto antes, quando as Milícias no Congo estupravam suas vitimas como arma de intimidação. Se você não curte esse tipo de assunto, melhor sair desta postagem e procurar outra coisa pra fazer, você pode ler outras postagens mais legais, mais informativas e mais bem humoradas também, mas esta é potencialmente pesada para pessoas mais sensíveis.

É sério, se você não gosta desse assunto, saia.

Não há muito o que dizer sobre a imagem acima, ela é bastante direta.
Não há muito o que dizer sobre a imagem acima, ela é bastante direta.

A rede britânica BBC pretende exibir uma entrevista com um dos estupradores envolvidos no caso do estupro coletivo da menina indiana Jyoti, no dia 16 de dezembro de 2012. Para o caso de você não lembrar, a garota foi estuprada, espancada e assassinada dentro de um coletivo por seis assassinos (entre eles, um menor de idade) na Índia, depois de voltar do cinema com um amigo.

O entrevistado, Mukesh Sing, era o motorista do ônibus onde ocorreu a barbárie.

O CRIME
Segundo notícias na época, Jyoti (que era estudante de Medicina) e um amigo pegaram um ônibus durante a noite para voltar pra casa, depois de um cinema. Mukesh Sing dirigia o ônibus que tinha mais cinco passageiros. Durante certo ponto da viagem, os cinco passageiros resolveram espancar o amigo de Jyoti e depois atacaram a moça.

Depois do estupro (que durou quase duas horas), Jyoti e o amigo foram jogados para fora do ônibus em movimento. Cerca de treze dias depois, Jyoti morreu. O caso foi amplamente divulgado, uma incrível onda de protestos nasceu e, para a tristeza geral, tanta divulgação apresentou ao Mundo um País onde os crimes sexuais não apenas são uma rotina e pouca atenção tem da Justiça, mas muitas vezes o estupro coletivo também é usado como forma de Punição em regiões da Índia onde grupos de anciãos governam as aldeias.

Você não leu errado, esses caras enxergam algo tão brutal e covarde como forma de Justiça.

A ENTREVISTA
Um dos acusados, o motorista de ônibus Mukesh Sing, deu entrevista que será exibida no dia 08 de Maio de 2015 na BBC. O mesmo relato faz parte de um documentário chamado India’s Daughter (Filha da Índia – tradução deste que vos fala). Você pode ir se antecipando e ler alguns trechos da entrevista do estuprador no site Brasil Post.

Você pode achar que esse tipo de coisa só poderia vir, realmente, de países relativamente problemáticos como a Índia, onde conflitos urbanos aliados a uma cultura cheia de tabus e preconceitos não ajudam muito no amadurecimento moral. Talvez você ache que seja melhor levantar as mãos para o Céu e agradecer, pois esse tipo de coisa não acontece por essas bandas, certo?!

Errado, pequeno Gafanhoto.

DESEJOS REPRIMIDOS
Quem não lembra daquela pesquisa do IPEA onde 65% dos entrevistados apresentavam uma bizarra tolerância a violência sexual, reagindo a perguntas do tipo “Mulher que é agredida e continua com parceiro gosta de apanhar” ou “Mulheres que usam roupas decotadas merecem ser estupradas”. Em errata, o instituto IPEA diz que apenas 26% da população brasileira apoia estupros, e não 65%.

Porra, só eu acho que 26% ainda é muito alarmante?!

Mas aí você para e pensa que essas coisas acontecem por erros no trabalho desleixado dos outros e que países realmente desenvolvidos não tem mais esse tipo de complicação, que o cidadão é respeitado e tem sua intimidade bem resguardado pelo Estado, certo?!

Errado de novo, pequeno Gafanhoto.

No Japão, por exemplo, é um dos países mais modernizados que eu conheço e, realmente, eu duvido que você encontre outra nação mais desenvolvida neste planeta e nesta Era, contudo, existe um Game japonês de estupro. Lá na terra do sol nascente, eles tem de tudo e esse tipo de game se encaixa no gênero Eroge, ou seja, games com pornografia.

O game chama-se Rapelay e não é difícil de baixar, muito menos de jogar. Basicamente, você controla um Encoxador (Chikan no japonês) que anda nos metrôs do Japão e procura mulheres para estuprar. O game tem vários pontos polêmicos e não apenas aborda abertamente a violência sexual (você deve perseguir, estuprar uma mãe solteira e duas filhas), mas também aborto. Isso no Japão.

O Japão, cara, A PORRA DO JAPÃO!

Agora pare o que está fazendo e pense um pouco: Se o Japão, tão avançado e de um povo tão disciplinado, apresenta esse tipo de game em suas prateleiras para consumo livre (sim, esse tipo de game é super normal por lá e perfeitamente dentro da Lei), o que acaba encorajando tais atitudes… o que podemos pensar (e esperar) de um lugar como a Índia, onde um marido morto tem mais valor pra Família e pra Sociedade do que uma Mulher?

Conforme pesquisa do IPEA mencionada anteriormente, o problema não está diretamente na Cultura de uma nação, mas na mentalidade de seus cidadãos.

Se o Sexo, com todo o clima interessante e sensual e todos os prós e contras, já é bastante impactante no imaginário feminino, imagine toda essa sobrecarga sensorial e sentimental voltada para o Trauma? Voltada para Medo? Para a Vergonha? Para o sentimento de Impotência e Impunidade?

Pessoas se matam por muito menos e o Estupro mata a mulher… por dentro, sua alma definha, solitária.

Existem regiões do nosso planeta que, realmente, o povo parou no tempo e não consegue administrar, de forma ponderada, uma cultura que funcionava a Dois ou Três mil anos atrás com os Novos Tempos, onde ideias como Amor ao próximo são extremamente conflitantes. Já falamos, em outras oportunidades, sobre a Cultura indiana e suas exigências, tipo o Ritual Sati.

Mas nem tudo é aberração, estagnação e violência sexual na Índia, há pessoas boas com boas intenções (não aquelas que engordam o Inferno), já falamos, também, do Projeto Jamkhed que luta contra a pobreza e o preconceito. Eu penso que, não apenas o estupro contra Jyoti, mas este assunto em si (que de tão polêmico chega a dificultar o andamento de denúncias), assim ,certamente, chegaremos a amadurecimento de opinião.

Lembra da campanha Eu Não Mereço ser Estuprada?! Poisé, a jornalista Nana Queiroz foi chamada para debater o assunto no Senado em 2014. Mesmo que seja apontar o óbvio ( ninguém merece MESMO um estupro), Iniciativas desse porte dão certo e devem ser lançadas e não deixa de ser uma forma de atingir a opinião geral do povo.

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