Livro “Um Roqueiro no Além” discute Drogas, Ilusões e propõe um Raulzito mais maneiro

Olá Astronautas, tudo certinho?!

No dia 21 de agosto de 1989 batia as botas o Homem do Disco Voador. Diabético, Raul Santos Seixas precisava tomar insulina regularmente e acabou vítima de uma mistura brutal de insulina e incorrigível alcoolismo, que o levou a pancreatite e uma parada cardíaca.

Uma rotina de extremos acabou tirando de cena um grande cantor e compositor, apesar de inúmeras acusações de plágio.

Reconheço que o mundo do Rock ficou mais chato com sua partida.

Antes de morrer, em entrevista, comentou sobre torturas sofridas durante a Ditadura Militar, depois que aquela história de Sociedade Alternativa que tirava o sossego dos militares da época. O cara tem, sim, muita história para contar e mesmo depois de morrer, ainda rende muito pano pras mangas.

O Maluco Beleza sempre foi muito questionador e irreverente, isso todo mundo já sabe, contudo, uma publicação traz uma certa dose de curiosidade, mesmo para os mais incrédulos: Um livro supostamente psicografado por Raul Seixas chamado Um Roqueiro no Além. Eu ainda estou lendo e a história é muito legal.

Você pode ler esse livro clicando aqui.

O LIVRO “UM ROQUEIRO NO ALÉM”

um roqueiro no além
Uma das capas do livro Um Roqueiro no Além

E não, o livro não foi escrito por Chico Xavier. Caso você não saiba, há uma cacetada de Médiuns espalhados por toda a Terra e também são capazes de escritos mediúnicos.

Enfim, diferente da maioria dos livros Espíritas, este tem apenas 108 páginas e de leitura muito fácil, sem palavriado rebuscado ao extremo, a mensagem é clara: As Drogas não são apenas prejudiciais, mas uma DOENÇA A SER COMBATIDA.

O Médium que traz o Livro em questão é Nelson Moraes, com a ajuda do espírito Zílio que, dizem, trata-se de Raul Seixas.

Mas como assim?! Raul é, mesmo, Zílio?!

Entenda, jovem Padawan. Isso não é um entendimento pleno, nem todos entendem dessa forma (ou aceitam), apesar das inúmeras analogias entre a história contada e as letras das músicas do Maluco Beleza.

A própria Mãe de Raul reconheceu o filho na obra, inclusive deu entrevistas sobre o assunto e se a mãe do cara diz que é ele, quem sou eu pra não sacudir a cabeça em concordância!?

Fato, os Espíritos mensageiros mantém a discrição e evitam expor sua “real” Pessoa (o que importa é a Mensagem, e não o nome do Mensageiro). Um livro psicografado com o nome de Raul Seixas poderia descredibilizar a mensagem que o Livro precisa transmitir.

Zílio seria o nome do Maluco Beleza em outra encarnação. Pra entender essa parada de “reencarnação”, só lendo o Livro.

Então, prepare-se para conhecer um “outro” Raul Seixas.

Um Raul sem suas certezas, inseguro e, por diversas vezes, um Raul Seixas que sente medo do que encontra depois da Morte. E na hora de contar o final, você terá uma surpresa!

Ficou curioso?! É uma postagem bastante longa, mas leia até o final, se puder.

PRIMEIROS CAPÍTULOS

A história inicia com Raul Seixas/Zílio, em espírito, ainda preso ao corpo morto que (segundo o próprio Raul/Zílio) já começa a apodrecer. Do Velório até o Cemitério, percebe-se um tipo de humor negro por parte do Desencarnado, visto que ele comenta várias vezes que está prestes a morrer de enjoou (pelo cheiro) e de depressão (pelo medo)…

… mas ele já está morto!

Enfim, muita água rola por debaixo da ponte e Raul/Zílio ainda está preso ao corpo, que já apodreceu. Neste ponto, temos duas notícias (uma Boa e outra Ruim): A Boa é que nosso Maluco Beleza irá, sim, receber uma ajuda. A Ruim é QUEM irá ajudá-lo…

… o Diabo!

Dabura
Diaaaaaaaaabo! O diabo usa capote É Rock! É Toque! É Forte!

Sério, um capetão ajuda Raul/Zílio a se despregar do Corpo… com uma certa dose de violência, mas não deixa de ser uma ajuda, afinal, cavalo dado, não se olha os dentes.

Mesmo sendo aquele assustador cavalo do Vingador.

Agora pense um pouco: O Raul Seixas conhecia Ocultismo, Filosofia e outras religiões, enfim, ele tinha uma noção de “maldade” contida no Outro Lado. O cara chegou ao ponto de fazer um Rock do Diabo. Sua reação ao encontrá-lo é, claro, de horror, o que me faz pensar que nada nem ninguém pode te preparar para um encontro Face to Face com o Capiroto.

Tem gente que não é como a Gente.

O Chifrudo puxa um lero na maior intimidade com Raul/Zílio, que não dá muita bola (está ocupado tentando esconder o espanto). Assim que percebe que tem mobilidade, Raul/Zílio sai correndo. No mínimo sensato, eu também sairia correndo se encontrasse o Capeta, ainda mais agora.

Lá na frente, saberemos que não é o Diabo católico, mas alguém que jádesencarnou faz tempo e sua relação com Raul/Zílio é maior do que se pensa.

Enfim ,coberto de vermes, Raul/Zílio decide parar em um motel para tomar uma ducha… e esse tipo de raciocínio ajuda a “ver” o Raul Seixas na história, afinal, quem mais pensaria em ir a um Motel depois de morto?!

Talvez o Cazuza, mas isso é assunto pra outra postagem.

O Motel e os Espíritos “vampiros”

O Carimbador Maluco
O Carimbador Maluco

Lá encontramos diversos Espíritos se acotovelando para observar casais em atos pouco cristãos, sugando energias e sensações de prazer. Uma prostituta (aparentemente desencarnada) comenta:

“Se esses Espíritos gostarem do desempenho do casal, irão segui-los até suas casas.”

Aposto que você nunca mais verá um Motel da mesma forma.

Raul/Zílio sai correndo de novo… Você deve estar se perguntando coisas como “Espíritos correm?!”

De acordo com os Espíritas eles não apenas correm mas trabalham, sentem fome e também pegam ônibus.

Sim, você continuará refém do transporte público depois que morrer e isso não facilita em nada a entender o Outro Lado.

Não tem cambão desenhado na Capela Sistina… ou tem?!

Seja como for, Raul/Zílio torna-se um espírito errante, passa o tempo rodando as ruas e muitas pessoas parecem enxergá-lo, mas ele crê que são outros Espíritos na mesma condição que ele. Nessas andanças, encontra muita gente aumentando o consumo de drogas e bebidas alcoólicas na intenção de homenageá-lo (fato que o deprime, agora que ele percebe a negativa influência expiritual que a droga causa).

Em um ataque de melancolia, cai em prantos. Espíritos Inferiores bem intencionados encontram Raul/Zílio chorando e resolvem ajudá-lo.

Tem um lugar que tá cheio de boas intenções desse tipo.

Dessa vez, nosso Roqueiro vai parar em um lugar cheio de imundice, loucura, consumo de substâncias de procedência duvidosa, resumindo, a maior putaria do cacete. Consumido pelo desespero, nosso herói reza tudo que conhece e suplica auxílio de alguém que preste…

…Ee é prontamente atendido.

Agora é hora daqueles momentos padrões da literatura espírita: Luz, gente calma e prestativa vestindo branco, amor e caridade, Raul/Zílio desmaia.

UMA SALA, DEZENAS DE DEPENDENTES QUÍMICOS E MUITO TRABALHO…

Nosso Herói desperta em uma sala e não demora para perceber que é incapaz de se levantar. Rodeado de pessoas que, da mesma forma, simplesmente não conseguem se erguer. Minto! Há alguns que conseguem, eles se intitulam Grupo dos Conscientes.

Arriégua, até no Além tem panelinha.

A panelinha explica que ali encontram-se pessoas que faleceram em circunstâncias semelhantes: Jovens que consumiram drogas demais. Raul/Zílio se enquadra perfeitamente nesse cenário e ver tanta gente naquela sala o deixou muito triste. Na verdade, quando consegue ficar de pé e entra para o grupo, todos na sala reconhecem sua figura pública e assumem que ele os influenciou totalmente.

Pior do que saber que você foi um suicida involuntário  é saber que você ajudou uma caralhada de gente a tomar o mesmo caminho.

Aqui vale fazer uma consideração: Independente de quem seja Zílio, é evidente que sua influência enquanto vivo e atuante no cenário musical envolveu consumo de drogas pesadas e comportamento intrusivo. Se Zílio é Raul Seixas, eu não posso confirmar, mas ele não deixa devendo em nada ao Maluco Beleza.

Uma das integrantes do Grupo dos Conscientes, Rosa, fala para Raul/Zílio que há um grupo maior do que eles (chamado Os Samaritanos) e é esse grupo que “abastece” a Sala. Os Samaritanos disseram que as Drogas causavam essa imobilidade ao desencarnado e somente o tempo afastado das Drogas é que traria de volta a mobilidade. Aqueles que iniciassem esse estágio (ficar de pé) deveriam ajudar quem ainda estivesse prejudicado.

Sim, agora eles eram responsáveis por extirpar as drogas que, direta ou indiretamente, ajudaram a propagar. Pelo menos era assim que o Maluco Beleza entendera a situação. Um senso de maturidade coletiva começava a brotar em seu Ser.

Mas não se engane, pois ninguém vira Anjo de Luz da noite pro dia.

E como velhos hábitos nunca morrem…

Lembra daquele Coisa Ruim que apareceu no Cemitério no início da História?! Pois é, ele aparece de novo!

Raul/Zílio escuta sua voz em sua mente diversas vezes, recebe “chamadas” e tal, mas resiste bravamente. Depois de um tempo, a aporrinhação cessa e, depois de muito trabalhar e sofrer (também, ninguém é de aço), nosso herói está pronto para subir mais um degrau.

RAUL / ZÍLIO E A COLÔNIA ESCOLA

A Escadaria do Progresso Humano é longa pacas e parece não ter corrimão pra gente se apoiar e as coisas não melhora quando o assunto é Dependência Química. No lado Espiritual, as Drogas esculhambam corpo e alma, são terríveis complicadores na hora do desencarne.

Desencarne é uma expressão Espírita que define hora em que você estica as canelas.

Um dos Samaritanos, Felipe (o cara que levou Raul/Zílio pra Sala dos Conscientes) entende que nosso herói precisa expandir seus horizontes e o leva pra um lugar especial: uma Colônia Escola. Este lugar reserva grandes surpresas para nosso herói.

Inclusive sobre seu passado ancestral.

Amizades desde Sempre

Até o presente momento da História, nosso eterno Carimbador Maluco já trabalhara um bocado e progrediu muito, contudo, há grande pesar pelo desencarne prematuro, além da saudade da família. Em vida, era muito ligado a sua mãe e, de vez em quando, apenas a noite, enquanto ela dormia, Felipe o levava para uma rápida visitação. A amizade de Felipe com Raul/Zílio não é de hoje.

Os ensinamentos Espíritas dizem que, apesar de um corpo jovial, o espírito já passou por diversas experiências e já traz uma grande bagagem intelectual e social, além de talentos, amores, amigos e inimigos. Tudo já vem decidido.

Sabe aquela pessoa que você não suporta nem mesmo ouvir o nome?! Pois é, provavelmente vocês já traz essa antipatia de outras vidas, portanto resolva logo essa treta. Os mesmos ensinamentos dizem que quanto mais demorar para resolver essa situação, a aproximação será ainda mais forçada até que haja uma reconciliação.

Imagine a pessoa que você mais detesta neste planeta, agora imagine vocês como vizinhos. Conseguiu?! É isso que vai acontecer, ou pior… Que tal vocês na condição de irmãos?!

E na condição de pai e filho?! Doeu?! Acha que não pode piorar?!

CUNHADO!

Acho que já me fiz entender…

Além de Felipe, Helena fará parte do quadro de Amigos de Raul/Zílio nesta etapa da História. Participaram do mesmo grupo de exilados há muitos séculos na Terra e ainda precisam reparar muitas faltas para poderem retornar a sua pátria, em outro planeta.

Esse discurso condiz muito com as letras de Raul Seixas (10.000 anos atrás, homem do disco voador e outras mais “estranhas”). Em um ponto da história, Helena dará a Raul/Zílio um caldo condensado de energias universais para reaver suas forças, que tem efeito quase imediato. Algo próximo do suco Gummi ou aquele tônico do Pica Pau.

Voltando ao assunto, Felipe revela que já caminhou em vida com Raul/Zílio. Sua ultima encarnação juntos foram na antiga Lemúria ou Atlântida.

Para quem não sabe, Lemúria fica longe pra caralho e remete a muitas discussões chatinhas. O Homem do Disco Voador descobre que, na encarnação em que era conhecido como Zílio, seu trabalho era a Alquimia, além de sacrifícios humanos.Usando esse recurso, subjugava espíritos inferiores a fazer suas vontades.

Durante os séculos, a turma que atuava com Raul/Zílio foi se arrependendo das crueldades que fez e foi crescendo, mas nem todos os seus amigos procuraram melhorar.

Lembra do Diabo que anda atazanando nosso Herói?! Pois é, ele é um dos companheiros de antiga jornada que ainda não se reabilitou e usa os espíritos inferiores para atingir seus objetivos, mas este não é mais um problema para Raulzito, pois este vinculo acaba sendo quebrado.

CONCLUÍNDO A LEITURA DE “UM ROQUEIRO NO ALÉM”

Uma das primeiras a quebrar essa ligação com as Trevas é, justamente, Helena, que será a nova instrutora de Raul/Zílio na Colônia Escola. Ao se aproximar do final, é chegada a hora da grande surpresa…

… LEIA O LIVRO!

10592720_777507458938949_4984861369389803641_nÉ sério, gente, a história do Homem do Disco Voador na aurora do Além ainda reserva muito aprendizado e revelações, até chegar o momento em que Raul/Zílio tenha capacidade e méritos para sintonizar com Nelson Moraes, o Médium que traria ao nosso mundo relato tão importante na vida daqueles que se encontram dominados pelas Drogas.

Vale a pena ler! Seja lá qual for seu norte religioso ou musical, nem que seja pela curiosidade, vale a pena ler. Se a coragem for pouca, afinal, são apenas 108 páginas, então apele para o Audiobook. Para quem conseguiu vencer a preguiça profunda e profana e se aventurou nas linhas dessa maravilhosa história, pode ir procurar por outros livros psicografados de outros roqueiros.

Sim, há outros artistas nacionais do cenário Rock que voltaram do Além para contar suas experiências, tipo Renato Russo e Cazuza também.

Procure ler sempre, pode demorar, mas aprenda. Só não perca essa oportunidade. Fico por aqui com essa pequena e singela homenagem ao trabalho duro que nosso amigo Zílio tem lá do outro lado da maré (seja ele quem for). Qualquer coisa, comenta lá em baixo.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Ana Candelária disse:

    Muito interessante a forma como conta a história, bem lúdica! Fiquei com vontade de ler a obra. Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  2. sou eu mesmo disse:

    Só…

    Curtido por 1 pessoa

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