Um delírio sobre a morte de Ariano Suassuna

Se você entrou aqui para de novo ler novamente em outro site mais uma vez a já tão divulgada informação da morte de Ariano Suassuna, pode dar meia volta.

Eu não queria fazer uma postagem sobre a morte deste grande mestre, afinal, não apenas dói falar sobre alguém que morre (já que toda a perda é lamentável), mas leva-se em conta a inclinação afetiva que todos sentimos pelos personagens que Ariano Suassuna nos apresentou e aprendemos a amar, assim como amamos sua arte.

Ainda há algo que deve ser mencionado (ainda que de forma reservada e humilde) no que diz respeito a dor. Falo da Dor de quem ama escrever sente ao perder tão grande Professor.

Eu não sei de vocês, mas eu A-DO-RO escrever.

Abordar o sofrimento e a garra do Sertanejo de forma tão satisfatória como fez Ariano Suassuna é, certamente, uma benção. Quantas obras, quantos personagens e quantas vezes nos identificamos com eles, eu desconheço todas as obras, aqui você conhece as principais obras de Ariano Suassuna. Nós, aspirantes ao penoso ofício de Escritor, sabemos o quanto é torturante concatenar de forma tão influente, ideias que nos tomam de assalto. Um exercício de sadismo intelectual e achar alguém que dê um “norte” é mais difícil ainda.

Você pode até não concordar, mas escrever dói.

Felizmente, existem pessoas como Ariano Suassuna, verdadeiros mananciais de sabedoria na arte de Escrever, provedores de criatividade. Para aqueles que se encontram fora do ramo, o Artista das Histórias Sobriamente Confeccionadas injeta alegria e reflexão. Para quem está dentro e prefere lá ficar, o mesmo artista renova ideais de crescimento e ratifica inspiração por tal arte.

Quando a Morte vem e traz uma amputação dessa magnitude, não apenas o SEU MUNDO sacode, mas o nosso também. O fato de amarmos escrever acaba sendo, nessas horas, uma característica que acentua ainda mais o açoite que é a dor da perda. Há quem pense na Morte com feio aspecto de ruptura, pois não apenas leva quem amamos, mas leva seu talento, o que pode trazer desconforto para quem vê em pessoas como Ariano Suassuna um intelectual inalcançável.

Para a minha sorte (ou não, como diria Caetano), eu não penso dessa forma sobre a morte. Na verdade, fico relativamente triste por saber que existem pessoas que consideram a Morte como um divisor de águas que, como represa, agride o transcorrer do Aprendizado, fazendo regredir o que já se encontrava em pleno adiantamento. Aqueles que se foram abandonam o tear da Evolução, deixando quem fica na simples qualidade de órfãos de seu trabalho.

Conflitante imagem entre o Belo e dramática maquiagem; Um teatral encerramento e modesto recomeço; A presença da ausência intelectual e o grosseiro sentimento de tentar e tentar e tentar aprender novamente. Entendimentos variados que dão a Morte, como já mencionei acima, um caráter horrendo, feio e que deve ser temido.

Eu não vejo as coisas dessa maneira, a Morte não deve ser temida ou encarada como horrendo impeditivo.

Pergunto-me se essas pessoas não enxergam beleza ao ver o esforço de uma criança ao ousar seus primeiros passos; Não enxergam beleza no desabrochar da Bela Flor que, outrora, era muda humilde extraída de uma outra tão Bela Flor que agora já se foi.

A partida de Ariano Suassuna não deixa ou deixará de impactar nas Vidas em que coexistia ou no Campo de Trabalho que orquestrava tão maravilhosamente, mas nunca devemos entender os mistérios da Morte como uma separação. O referido Escritor deixou um emocionante legado, complexa bagagem intelectual que deve ser aprendida e aprimorada. Encarar seu legado intelectual com respeito e vívido estímulo ao nosso próprio objetivo de superação.

A Morte, neste caso, traz um belo aspecto de superação pela liderança de quem se foi.

Se entendermos a Vida como Espíritos Seculares, Imortais que somos, nada fazemos a não ser tentar,  tentar e tentar aprender novamente.Tentamos aprender a progredir na Lei de Deus, tentamos aprender a perdoar as injúrias, tentamos aprender a Amar e Confiar novamente.

O regresso ao trabalho é exercitar a Máxima Lei do reencarne, Lei pela qual nos unimos e tornamo-nos testemunhas do Amor do Criador. Não há horror na beleza de tentar o valor da Vida, mas valorizar o viver pela beleza é horrendo atentado.

Até a próxima, amigo Suassuna.

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