Delírio: Prova de Filosofia apresenta Valesca Popozuda como “Grande Pensadora” e gera polêmica

tumblr_static_1282777281556

E aí, moçada?!

Firmeza?!

Sem cerimônias, vamos conversar!

Todo mundo está acompanhando o caso do Professor Antonio Kubitschek, que ganhou a Mídia recentemente por conta de uma questão elaborada por ele para uma prova de Filosofia, proposta aos alunos do Centro de Ensino Médio 3 (Taguatinga), onde o dito professor atua. O conteúdo da questão polêmica versa sobre a letra da música Beijinho no Ombro da fankeira Valesca Popozuda.

Foto da prova onde consta a questão sobre Valesca Popozuda.
A PROVA DO CRIME

Em entrevista à BandNews FM (sim, ele ficou famoso e dá muitas entrevistas graças ao evento), Antonio Kubitschek sustenta seu questionável ponto de vista argumentando que Valesca Popozuda, ao expor a ideia de “beijinho no ombro”, gera um conceito que logo é absorvido pelas massas, fato que a torna uma pensadora, logo, a ideia de Grande Pensadora é explicada pela proporcionalidade em que sua música é difundida por aí.

Quanto mais um conceito é utilizado pela sociedade como referência ou complemento de suas próprias ideias, maior é o potencial intelectual do pensador e as musicas da fankeira tocam às pencas pelo Brasil, portanto…

…Parece que tudo está explicado!

Espera aí! Isso, realmente, torna o raciocínio do professor uma regra lógica e obrigatória?!

NÃO!

Um dia desses saiu uma pesquisa do IPEA apontando que quase 70% da população acha que “Mulher de roupa curta merece ser estuprada” (falamos sobre isso aqui). Eu vejo muita bicha gata por aí com vestidos deliciosamente reveladores, mas eu não saiu estuprando mulheres a granel.

Acredito que você também não faz isso.

Se o professor Antonio Kubitschek considera a ex integrante da Gaiola das Popozudas uma Grande Pensadora, pura e simplesmente pelo fato de ela passar uma porra de um Conceito, o cara não está ponderando sobre a natureza do conceito repassado pela loira.

Entenda que Conceito, nada mais é do que uma proposta! Um ponto de vista formulado por alguém que, baseado em ferramentas intelectuais muito particulares, recepciona as informações apresentadas pelo mundo ao seu redor (calor, amores, ambição, motorista que não liga a seta, etc) e, assim, cria um Conceito de algo ou alguma coisa. Ou seja, um Conceito é algo muito particular e não é passivo de generalizar.

Por exemplo, se eu moro em um bairro violento onde a Polícia só aparece pra dar borrachada em pais de família (sem saber se esses pais de família estão burlando ou não a Lei), então meu conceito de Polícia será dos piores.

O tal professor tentou passar uma imagem caricaturada do cidadão brasileiro, um alienado com referências culturais questionáveis e ídolos que não vão além de um BBB. Nesse caso, a primeira coisa que você deve entender é que quando criticamos algo ou alguém (independente da forma da crítica), estamos sempre propensos a sofrer represálias. Sempre há uma possibilidade de respingar algo de nossa crítica em nós mesmos.

A forma mais perigosa de crítica é a ironia e, certamente, o professor Antônio Kubitschek teve, como única intenção, passar para a Sociedade seu próprio Conceito do atual brasileiro: Um povo cujo ápice cultural está personificado na figura da Valesca Popozuda.

Beijinho no ombro pra você, professor recalcado!

A segunda coisa que você deve entender é que o tal professor não esperava é que as chances de um comentário irônico reverter uma parcela de seu potencial destrutivo de volta para a sua origem é muito grande, nem que seja uma parcela muito pequena desse potencial. O que era pra ser um momento de inspiração por parte do Educador, uma oportunidade ricamente intelectual de promover o debate sobre referências musicais e culturais dentro da Sociedade acabou ilustrando, de forma singela, um bom exemplo de tiro que sai pela culatra.

Que foda, Educador… que foda!

Outra gafe do mestre Antonio Kubitschek é desprivilegiar um homem como Chico Buarque ao comentar que “se fosse com Chico Buarque, não seria tão polêmico”. Claro! Educador, vá estudar a História de Chico Buarque de Holanda nesse país, depois volte para conversarmos. Realmente o debate seria interessante, contudo, a metodologia é que foi questionável. Algo que quero deixar muito bem explicado é que não estou questionando o intelecto de Valesca Popozuda, contudo, existem muitas maneiras de expor materiais como esse de forma enriquecedora.

Um bom exemplo disso é o da Mariana Gomes, uma garota que passou em 2º lugar no Mestrado da UFF falando de Funk, com o projeto onde apresenta fankeiras como Valesca Popozuda como uma personificação do Grito Feminista no mundo do Funk.

Na boa, minha gente, mas esse professor aí é muito fraquinho.

Entendendo que Conceito é algo que qualquer um pode formular, mas nem todo conceito cai bem e entendendo que o professor tentou passar uma imagem caricaturada de brasileiro para o brasileiro, há uma terceira coisa que você deve entender. A partir do momento em que ele (Antonio Kubitschek) insiste em defender a ideia de que a ex Gaiola das Popozudas é uma grande pensadora, aquele Conceito de brasileiro alienado e carente de boa cultura que, outrora, era apresentado, agora parece se tornar o próprio professor Antonio.

Ele é um educador, um formador de opinião e não pode promover um conceito reprovável, apresentado em uma música criada por uma mulher com valores, referências e experiência de vida completamente diferentes das minhas. Neste momento, o professor vira a casaca e joga contra sua missão de Educador, atrapalhando o meio de campo mais do que ajudando. Tipo Dr. Jack e Mr. Hide. Sem falar que Beijinho no Ombro é material de consumo, saiu da mente da Valeska Popozuda só pra encher prateleira de loja.

Claro, há muito funk de protesto, mas não é o caso, sejamos honestos.

Por isso falei sobre os perigos de uma crítica por meio da Ironia. Acho que a crítica foi infrutífera e seria mais coerente reconhecer que falou merda. Nem sempre as críticas atingem os níveis desconcertantes e não fazem tanto sentido assim quando saem de nossas cabeças e entram em contato com outras pessoas. Alguém aí lembra do caso do Tico Santa Cruz que foi falar da música do Lepo Lepo e todo mundo achou que ele havia gostado da música?!

Poisé!

Ta foda ser brasileiro… ainda mais com uma porra de professor desses!

Anúncios

2 comentários Adicione o seu

  1. frolstty disse:

    Meu caro, ó Grande Pensador!

    Preciso comentar dois tópicos de seu raivoso post.

    1. Defina conceito “reprovável” para um educador, e me dê quais conhecimentos do professor – e seu trabalho, que te PERMITEM considerá-lo fraco? Veja, precisamos de fontes, somos seres pensantes e precisamos valorizar a referenciação, senão são somente acusações infundadas.

    2. História de Chico Buarque? Ora, o Chico é um gênio da música brasileira, é claro. Assim como vem de outra classe social, outro fundo intelectual. O que é muito diferente da Valesca.

    Acho que ela está certa em dizer que lerá Machado de Assis para ser intelectual de ELITE, pois a ELITE se descabela dela ser chamada de pensadora e vós não!

    Curtir

    1. Carlos Bazuca disse:

      Ah, não me leve para o lado pessoal, pequeno Padawan. Eu não sou d deletar críticas, sem neuras, aprovo tudo e adoro uma boa briga intelectual. Ela só tem a acrescentar e, vai q eu estou errado dentro dos meus Conceitos… Até lá, eu sou do Contra. Vamos aos pontos:
      1. Defino Conceito “reprovável” como um conceito que nada acrescenta ou apenas confunde. Um exemplo de conceito reprovável é d q o Funk é música pra favelado (se bem isso já virou refrão d funk). Há conceitos bons e ruins. Pense um pouco antes de querer levantar a poeira: Qual o Conceito d “Beijinho no Ombro”?! Entendo q não se deve “divinizar” um conhecimento, mas tb entendo que a criação d um Conceito é algo muito particular, baseado em experiências próprias e não serve pra todo mundo.
      Outro Conceito reprovável é q Mulher q apanha e fica com o cara é pq gosta! Esse foi comprovado por pesquisa.
      Como você mesmo comentou, somos seres pensantes e precisamos de fonte pra não passar por burro. Eu não considero a música Beijinho no Ombro um Conceito que seja valoroso o suficiente pra constar numa prova. Há, claro, muitas formas interessantes de expor o Funk, mas essa não foi. A questão da prova não traz nada d relevante, a Questão Social. Prefiro o debate ou a acareação (sociedade x valores) do q apenas polemizar.
      2. Você apresenta a História do Chico Buarque com uma interrogação… lembrei da briguinha do Marcelo D2 com o Caetano Veloso sobre letras impactantes e o Caetano finalizou a briga apontando q, se não fosse sua luta no passado contra a Censura, o Marcelo D2 não teria coragem sequer d usar aquele penteado.
      O Marcelo D2 ta procurando uma resposta boa o suficiente até agora.
      Entenda q não dá pra dar crédito ao Chico Buarque (entre outros) apenas pela sua bagagem intelectual, mas por sua atuação na história do País. Outros menos intelectualizados tem ideias claras e postura social interessante. Claro, você e a Valesca (dois Pensadores, pelo q me consta) estão certos sobre o Machadão. Entendo q há Cultura intelectualmente sustentável na periferia (nunca duvidei) e mto funk d protesto ainda permeia nossas mentes (Eu só queeeero é ser feliz…). Não critico o Funk ou a Valesca (ela caiu d para quedas no fogo cruzado e ta mais confusa do q namorado d gêmeas), apenas entendo a situação como uma boa chance desperdiçada de debater sobre o Funk como provedor d valores sociais.
      Gostaria q vc pensasse na natureza da crítica e poucos tem maturidade para absorvê-la. Por exemplo, também foram chamados d intelectuais Michel Teló (pelo Los Hermanos, na época do Ai se eu te pego) e o cara do Psirico (pelo Tico Santa Cruz, por causa do ha ha ha ha ha ha ha Lepo Lepooo). Essas músicas nada tem a acrescentar, mas isso não diminui o sucesso. Se quiser continuar esse debate por e-mail, fique a vontade 😉

      Curtir

Comenta aí, pô!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s