O Tempo e o Vento – Parte 03

o tempo e o vento
Cá estamos nós, acompanhando o ultimo capítulo da minissérie O Tempo e o Vento, livro de Érico Veríssimo que fala da formação do Rio Grande do Sul ao longo de uns duzentos anos. Nunca é demais lembrar que essa minissérie é uma versão estendida do que foi apresentado nas telonas.

Cenas adicionais que veremos hoje.

Há uma ressalva que eu quero fazer… na primeira postagem sobre a minissérie, eu comentei que tratava-se de uma adaptação da primeira parte da trilogia, O Continente. Na segunda postagem, eu comentei que realmente era uma adaptação de toda a obra. Contudo, hoje ficou mais do que evidente de que se trata, de fato, de uma releitura de O Continente.

É um vai e volta miserável… e eu disse que eu sou péssimo em contar histórias.

Vamos para a postagem de hoje, antes que eu fracasse novamente!

E NA NOITE DE SEXTA…
Dando sequência ao enredo, nosso herói Tony… quer dizer, Capitão Rodrigo Cambará leva um tremendo direto de esquerda da vida: A Morte da pequena Anitta (PRE-PÁRA). O evento fúnebre serviu para dar uma sacudida na vida do soldado. Com o início de contendas como a Farroupilha e a Federalista, o que poderia ser encarado com horror e desmedido medo pela maioria da população parecia ser exatamente o remédio que faltava na vida do Capitão Rodrigo.

As família Terra Cambará e Amaral sempre se encontrando em lados opostos dentro de conflitos internos realmente não ajuda. A única resistência é o velho Coronel Amaral. Enquanto duelava na sala, Capitão Rodrigo Cambará tomba morto com um covarde tiro dado pelo lazarento Bento Amaral.

Sim, uma merda.

Isso nos direciona para a segunda geração de personagens da trama. Agora veremos os descendentes dessa família que deixou de herança rivalidade, guerra e paixões que só trazem dores de cabeça.

De repente, a minha família não parece mais tão problemática assim.

A minissérie mostra essa parte da história de uma forma muito bem resolvida, contudo, se você verificar na literatura original, esse ponto da história se encontra nas páginas de  A Teiniaguá e O Sobrado. As guerras esculhambam a autonomia e a renda local, o que faz com que muita gente fique numa pior.

Inclusive Bibiana, que já é uma mulher com certa idade.

Bolívar (Igor Rickli) e Luzia (Mayana Moura) no casamento que trará o terreno do sobrado de volta para a família Terra – Foto do site ZeroHora

Bibiana perde as terras e sua antiga casa dá lugar a um sobrado. A família Terra Cambará perdeu o terreno após emprestar dinheiro para a família de Luzia Silva. O avô de Luzia, Aguinaldo Silva, era o que podemos chamar de agiota da época. Na verdade, Aguinaldo ganhou os recursos para a construção do sobrado na base da agiotagem mesmo.

Na intenção de recuperar a propriedade, a matriarca aproveita o amor entre Bolívar (seu filho com Rodrigo Cambará) e Luzia Silva. Dona de uma personalidade estranha que intrigava a todos em Santa Sé, Luzia casa co Bolívar e, apesar da beleza, desabrocha um comportamento perturbador.

Excetuando fatores como misantropia e sentir visível prazer na tragédia alheia, ela era é só o filé.

Não se trata apenas em gostar de encher o saco dos outros (aqui no Ceará chamamos isso de arengar), mas a diaba sentia quase um orgasmo ao ver alguém sofrendo ou até morrendo. Na disputa pelo comando do sobrado, Luzia viaja até Porto Alegre com Bolívar para se entreter com teatro e isso na mesma época que a Peste matava gente todo santo dia.

A miserável se divertia mais no percurso casa/teatro/casa ao se deparar com os cadáveres na rua do que com o teatro em si. De tão fria, a personagem encantou a atriz Mayara Moura.

Seja como for, logo depois do retorno dos pombinhos em Santa Sé, a família Amaral resolve manter a família Terra Cambará em quarentena no sobrado, visando proteger toda a cidade por conta da suspeita da Peste vir de Porto Alegre com o casal. Indignado, Bolívar tenta tirar satisfação e é morto.

Ai a putaria começa. Bala por cima de bala.

O sobrado onde estão os Terra Cambará será o palco para o desfecho de O Crontinente, primeira parte da trilogia e da minissérie. Licurgo Cambará, neto de Bibiana, come o pão que o diabo amassou durante o tempo em que fica preso com sua família (inclusive sua esposa grávida prestes a dar a luz) dentro do sobrado, na mira dos Amaral.

Como já foi dito, a esposa de Licurgo, Alice, está prestes a dar a luz e os Cambará não tem quase nada para comer ou beber dentro do imóvel. A situação dolorosa tem seu clímax com a morte da criança que estava para nascer. Tomados pelo desespero, um dos capangas de Licurgo sai a procura de ajuda e de um médico e é bem sucedido. As pessoas retomam suas vidas e a minissérie acaba com um final poético, com Bibiana rejuvenescendo a cada andar que cruza até sair moça do imóvel e logo encontra seu grande amor, o belicoso capitão Rodrigo Cambará.

UM POUCO DE LITERATURA
Pode não parecer interessante, muito menos oportuno, mas vale a pena salientar que O Sobrado é uma das demonstrações mais claras da afiada técnica de literatura do Sr. Érico Veríssimo. O Tempo e o Vento é, conforme já informado anteriormente, composto de vários capítulos. A graça é que O Sobrado é o último e, ao mesmo tempo, o primeiro.

Em O Sobrado temos um relato preciso do que ocorre com o que sobrou da família Terra Cambará, sitiada dentro de um sobrado pelos capangas da família Amaral, o que proporciona o flashback perfeito para vários ganchos dentro de cada capítulo da saga.

E é isso daí gente, a minissérie acabou e agora, pra não ficar na saudade, ou a gente vai atrás dos outros filmes que tem de monte por aí ou cria vergonha na cara e vai ler toda a obra do Érico Veríssimo que, por sinal, é boa demais!

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