Google homenageia Rosalind Franklin (mãe do DNA)

É engraçado como as coisas acabam acontecendo. Você nunca sabe o que poderá aprender durante seu dia. Nossa sociedade traz de berço uma predisposição afetiva aos fatores sociais fálicos e patriarcais, quer dizer, até onde a vista alcança,  o ideal machista impera e a mulherada permanece submissa e inexpressiva. A parte interessante é que, por muitas vezes, o modelo de sociedade fálica caía por terra pelas ideias de mulheres.

Sim senhores, mulheres.

Posso citar, sem pensar muito, muitas mulheres que botavam o comando dos homens no bolso e faziam tudo parecer mais fácil e óbvio: Cleópatra VII, Joana D’arq, Maria de Nazaré, Hipátia de Alexandria… enfim, muita mulher fazia o trabalho dos homens com maestria, o que não significava glória perpétua. Ao contrário: Sofrimento, amargura, bullying ou pior, o não reconhecimento pelo seu trabalho eram uma constante em seu itinerário.

Hoje falaremos sobre um bom exemplo do que acabei de comentar acima: Rosalind Franklin. Esta biofísica especialista em estudos com raio-x e cristalização foi responsável pela maior parte dos estudos sobre a estrutura em dupla hélice do DNA (Ácido Desoxirribonucleico), porém, sofreu injúrias, bullying e morreria de câncer no ovário aos 37 anos e ainda hoje sua participação em tais projetos é questionada.

Sua vida ainda parece problemática demais?! Acompanhe.

O Doodle de Rosalind Franklin simboliza seu estudo do DNA mediante processo de difração do DNA
O Doodle de homenagem a 93 anos de Rosalind Franklin – simboliza seu estudo do DNA mediante processo de difração do DNA

A MÃE DO DNA
Nossa heroína nasceu no dia 25 de julho de 1920 em Notting Hill (Reino Unido) e desde muito cedo já mostrava que seus pais não precisariam se preocupar com seu rendimento escolar. Precoce na ciência e em 1938 ingressou em uma universidade para mulheres chamada Newnham College (Cambridge).

Uma dessas que existia as pencas na época.

ESTUDOS COM O DNA E PROBLEMAS NO TRABALHO

Maurice Wilkins
Maurice Wilkins – Inúmeras de suas cartas denotam sua aspereza para com Rosalind

Não demorou muito, apenas quatro anos e a mãe do DNA já era pesquisadora. Chegando no King’s College (Londres), a moça foi trabalhar com o físico John Randall, por conta de seu entendimento do processo de Difração do Raio-X. Com suas pesquisas progredindo e seu trabalho ambicioso tomando forma, Rosalind Franklin parecia promissora e seu nome prometia ecoar por todos os campos da ciência como ícone da biofísica.

Até que Maurice Wilkins cruzou seu caminho feito um gato preto.

A convivência entre Rosalind e Wilkins não era muito boa, na verdade, acredita-se que eles trocavam mais hostilidade do que o He-man e o Esqueleto. Rosalind deveria gerenciar o programa de investigação de organismo no laboratório, principalmente o que dizia respeito aos estudos sobre o DNA, isso é comprovado em carta emitida para a moça pelo próprio diretor do King’s College. A questão é que nesse setor, Maurice Wilkins já trabalhava com outros especialistas. Reza a lenda que a moça tinha um temperamento difícil e Maurice já tinha notoriedade nos trabalhos daquele setor. Ele não aceitaria ser superado por uma mulher.

TENSÃO NO AR

Rosalind Franklin - Desvinculada de seu trabalho com a estrutura do DNA, permaneceu no anonimato.
Rosalind Franklin – Desvinculada de seu trabalho com a estrutura do DNA, permaneceu no anonimato.

Entendam que a mulherada nos anos 40-50 não tinha voz, nem vez e olha que não precisamos procurar muito na história humana que a mulher nunca foi lá muito reconhecida por seu trabalho.

Creio que ainda hoje as coisas são assim.

Com Rosalind Franklin não seria diferente. Para elucidar o caso, os historiadores contam nada mais nada menos do que diários e cartas escritas pelos “inimigos” de Rosalind, no caso o próprio Maurice Wilkins e outro  colaborador do laboratório King: O biólogo molecular James Watson.

Este ultimo é conhecido, além do Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina em 1962 (partilhado com Maurice Wilkins e Francis Crick), por sua defesa para a eugenesia e seus comentários preconceituosos sobre a África.

Enfim, Rosalind teria que travar uma batalha contra três grandes nomes da área da biologia de sua época, fora o trabalho que já era por demais complexo. A questão é que Rosalind Franklin já reunira material suficiente para decifrar, ao menos, a estrutura geral do Ácido Desoxirribonucleico. Em uma das inúmeras cartas trocadas entre Wilkins e seus companheiros de laboratório, fica claro que há uma sobrecarga de trabalho para Rosalind e um trabalho dos seus “companheiros ” de trabalho para recolher seus dados e fazer sua própria pesquisa paralela.

Sim, caros amigos, os caras tesouravam a moça por cartas.

A FOTOGRAFIA 51

Fotografia 51 - Prova da Dupla Hélice na estrutura do DNA
Fotografia 51 – Prova da Dupla Hélice na estrutura do DNA

Seu trabalho, conforme mencionado acima, trabalhava raio-x e cristalização de objetos, assim, a moça podia fotografar a estrutura do DNA. Contudo, era claro que Rosalind estava sobrecarregada, pois tinha a fotografia do DNA e não conseguia entender sua estrutura.

Um dos mais incontestáveis objetos do trabalho desta mulher é a chamada “Fotografia 51” que mostra, até que com um certo nível de precisão, uma dupla hélice.

Watson e Crick não poupam críticas.

Para piorar a situação, o trabalho de tantos anos iniciado por Rosalind é publicado na notória revista Nature por James Watson e Francis Crick, sem qualquer referência ao trabalho de Rosalind Franklin.

Mas que filhos da da Puta!

ESQUECIMENTO
Sem reconhecimento na área profissional, devotou tanto tempo e energia para uma descoberta que seria roubada e publicada por outros, Rosalind Franklin morreu aos 37 anos de câncer no ovário. Independente de sua postura quanto ao seu trabalho, atualmente Rosalind Franklin é um ícone de feminismo e ousadia da sua época, porém, ainda perdura um pouco de hostilidade na atmosfera do assunto. Rosalind Franklin ainda é conhecida como Dama Sombria (obscura ou negra) do DNA.

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