Guia de sobrevivência do manifestante brasileiro

O programa matinal australiano Today (tipo um Bom dia Brasil) apresentava suas noticias e tal, especulando sobre as manifestações que aqui ocorrem quando os apresentadores não sabiam o idioma falado aqui, espanhol ou italiano. EU havia comentado sobre os olhares estrangeiros voltados para nossa região e para o que estamos fazendo, porém, creio que acabei queimando a língua…

ou não, sei lá.

Para piorar, quinta passada foi dia de enfrentamento entre Espanha e Itália, uma final antecipada da Copa das Confederações, na humilde opinião deste que vos fala.

Apesar dos manifestantes abrirem mão da Copa do mundo de 2014 no Brasil, a FIFA já descartou essa hipótese, portanto, pode ir se preparando (física, mental e financeiramente) para mais manifestações e eu não estou contando que 2014 é ano de eleição. Eu não sei se isso é bom ou ruim, visto que está mais do que evidente a precariedade do nosso país para aguentar uma mobilização de nível nacional contra a sujeira que nossos governantes empurram para debaixo do tapete.

Os políticos brasileiros precisam rever suas prioridades, Copa do Mundo não se faz sem estádios, realmente. Porém, não se faz uma nação sem hospitais, escolas de qualidade, professores e policiais desacreditados e falidos, além de políticos com salários milionários e uma jornada de trabalho preguiçosa. Até eu, que nunca governei nada na vida, entendo isso.

Seja como for, eu já estava preparando uma postagem sobre como sobreviver em uma manifestação, por conta dos eventos que ocorrem no Egito (sim, a Primavera Árabe voltou), portanto, segue um guia de sobrevivência em uma manifestação que prega a não violência.

  1. Condução
    Claro, as manifestações brasileiras iniciaram exatamente por conta do descaso do governo com o transporte público, porém, se você não tem CTPS assinada e não tem seu próprio carango, terá que se contentar em ir e voltar das passeatas de buzão mesmo. O que é uma merda de tiranossauro rex, diga-se de passagem. Antes de levantar sua bandeira contra o governo, certifique-se de quais conduções estarão disponíveis na região e se há rotas alternativas. Eu duvido que alguém irá para as manifestações de carro próprio, melhor não dar margens para a Lei de Murphy…
  2. Conheça o lugar onde você está.
    Você chegou no local indicado, agora precisa conhecer onde está e evitar rumar para a direção errada. Lugares desconhecidos são um saco, principalmente se você for igual a mim, que se perde até mesmo em seu próprio bairro de infância. Procure saber como será feita a segurança do local, vias por onde você pode correr e fugir e, principalmente, procure saber se há algum conhecido na região, caso precise de um porto seguro.
  3. Nunca vá sozinho.
    Você já viu o filme 127 Horas?! Nele, o alpinista Aron Ralston fica preso entre as rochas em 2003 e precisou amputar próprio braço para escapar, afinal, ele sabia que ninguém viria buscá-lo, já que ele não avisou para onde estava indo. Portanto, antes de sair na rua tentando mudar o país, deixe todos da sua família avisados de onde e com quem você está e deixe o contato de quem estará com você também. Isso pode te ajudar muito, caso você se perca ou entre numa tremenda enrascada com os “pacificadores”.
  4. Roupas para a Ocasião
    Entenda que você está indo para uma manifestação pacífica, vai andar (ou correr) pra caralho, vão pisar naquela sua unha encravada e, certamente, jogarão algum tipo de bomba, seja  bomba caseira, seja bomba de efeito moral. Portanto, arrume-se adequadamente para tal. Primeiro, muito pano. O gás e o spray de pimenta vai grudar na sua pele e durar horas após a passeata, assim, casacos e camisas de manga cumprida. Tênis confortável para proteger os pés e óculos para os olhos.
  5. Recursos para evitar desconfortos com bombas de efeito moral e spray de pimenta.
    O Leandro Leal (chefe do blog Macho Moda) fez uma relação interessante de máscaras artesanais. Recomendadíssimo.
  6. identificação
    Se tem algo que sempre deixa minha esposa irritada é quando eu saio sem documentos. Eu concordo com ela, afinal, eu posso sofrer um acidente, morrer sem qualquer identificação, ser enterrado como indigente em uma cova rasa e ter meu corpo espoliado e desonrado sem um processo fúnebre de qualidade, enquanto minha alma atormentada e melancólica fica presa naquela situação desconfortável por causa de uma identidade que eu não levei…. opa, acabei assustando todo mundo né?! Não foi minha intenção, mesmo assim, nunca saia sem identificação adequada, seja originais, seja cópias autenticada que também servem.
  7. Dinheiro, money, bufunfa, ouro, pila, cash, corinho de rato…
    Muita gente que eu conheço e que vai para essas coisas prefere não levar nada de valor, porém, dinheiro é algo essencial, principalmente se você está indo para um canto que você não conhece (provavelmente longe de casa) e sofrerá horrores nas mãos de comandados violentos e sem preparo psicológico para uma repressão. Assim sendo, leve uma graninha extra para o caso de precisar comprar uma água ou mesmo custear algo mais importante, mas fique esperto: cuidado para não deixar esse dinheiro visível para não ser roubado.
  8. Segurança, sempre!
    Muita gente parece não entender o óbvio, a policia esta ali para reprimir a manifestação, caso ela resolva ultrapassar o cordão de isolamento, fato que normalmente ocorre pouco depois dos manifestantes chegarem ao local. Portanto, haverá confronto físico. O fato de você evitar partir a cabeça de um “homem da lei” com uma pedra de calçamento não faz de você um patriota, mas um vagabundo disfarçado de manifestante. Priorize a sua segurança e de quem está com você.

Acredito que essa relação expressa o básico para uma incursão bem planejada, claro, sempre há algo a ser relacionado e essa é a graça de uma passeata ao ar livre, o aprendizado adquirido. Você pode levar coisas que aparentemente irão ajudar, mas isso vai depender das necessidades básicas de cada um terá em mente.

Tem gente que gosta de levar mochila com o material para fazer os cartazes e as faixas, outros preferem levar mochilas com bombas caseiras e coctel molotov.

E para terminar essa postagem (que está na minha lista de rascunhos por muito tempo), lembre de levar o mais importante: Sua ideologia. A violência presente nessas manifestações são uma certeza de que nem todos estão nas ruas para mudar o país. Procure entender suas motivações e a situação atual de sua nação, antes de ganhar o mundo e criticar quem não está engajado no meio.  Se tudo isso pudesse ser transformado em melodia, faça o favor de deixá-la a cara de Revolution (The Beatles), pois esse quebra quebra ta lembrando mais um Welcome to the Jungle, do Guns.

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