Grito Patriota – Brasil muda seu status para “Verás que um filho teu não foge a luta”

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Em clima de copa do mundo, UFC, Olimpíadas, Paul “Macartinei”, Copa das Confederações e o caralho de asas, todos estão correndo para garantir seu espaço e curtir um espetáculo grandioso garantido pelos nossos governantes que, certamente, pensam em satisfazer nossa fome de Pão e Circo.

O Brasil está, oficialmente, na rota dos grandes eventos internacionais.

Todos estão se aprontando, pintando as ruas, recortando bandeirolas e decorando o Hino Nacional para não fazer feio quando iniciar a Copa. O brasileiro não é apenas um apaixonado pelo futebol, também é seu amante, dormem juntos furtivamente. O Brasil é o único lugar do mundo globalizado e capitalista que eu conheço que chega a parar (literalmente) em época de jogo. Quando o assunto é bola no pé, até mesmo trechos da cidade onde a segurança é nula (becos e vielas sinônimos de exposição ao perigo) não garantem sequer a presença dos vagabundos que ali são rotina, todos querem ver os jogos em casa. O brasileiro gasta o que não pode, deixa faltar comida na mesa e no bolso para custear um evento dessa magnitude, já que a copa não vem todo dia para o Brasil, o jeito é dançar conforme a musica e não sou eu que dita as regras. Afinal, tudo pode quando o assunto é o amor e a guerra.

Vencemos a guerra pela aquisição de eventos esportivos de alcance internacional, nosso futebol arte é inquestionável e respeitadíssimo. Porém, o tesão pela bola parece sobrepujar o amor à bandeira.

A Onda de manifestações ocorridas inicialmente em São Paulo, desaguando para o resto do país em efeito cascata, feito poderosa composição de Chico Buarque de Holanda em época de Ditadura Militar, repentinamente toma o corpo e a mente de todos os brasileiros e do mundo. Há manifestações internacionais sobre o caso e você pode não ter percebido, mas o que acontece no Brasil é algo que importa para as demais nações, nada de fato isolado, acabou o tempo onde nós éramos vistos como índios canibais vivendo em praias cheias de macacos.

Uma imagem primitiva do Brasil que só existe, ainda, na mente anabolizada do Sylvester Stallone.

É fácil entender que a questão está muito além de 20 centavos e que a indignação é geral, cabe aos governantes entender e colaborar. O que não ficou muito claro, ainda, é o uso abusivo de violência e de vandalismo. Eu nem me surpreendo e nem reprovo aqueles que repudiaram a desmedida brutalidade infligida no caso, porém, há de se fazer esclarecer que houve violência tanto por parte dos manifestantes, quanto por parte das autoridades. Houve depredação de pontos turísticos e arrombamentos a estabelecimentos comerciais, houve muito cidadão e repórter tomando tiro de borracha a “queima roupa” de forma covarde, mas também policial sacando pistola para não morrer nas mãos dos manifestantes.

“Imagina na Copa!”

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Giuliana Vallone, repórter da Folha de São Paulo, ferida no olho por bala de borracha na quinta (13/06/13)

Eu não sei quanto a vocês, mas eu adoro livros de História. Muitos acham que esses livros contam apenas “histórias”, confundem claramente testemunho documental de nossa saga terrestre com HQ’s ou com livros tipo Harry Potter e sua mitologia adolescente, que não significa nada na vida do cidadão, diante de problemas realmente importantes.

Em contrapartida, boa parte da juventude brazuca desconhece outro valoroso guerreiro. Este, sim, é de casa. Figura rupestre riscada nas paredes de nosso Mito da Caverna particularmente brasileiro, pintado com sangue, suor e lágrimas, de postura invejável e atitude oportuna, porém, destratado por sua brava gente brasileira, estranhamente distante: O Cara Pintada.

Houve um evento relativamente parecido aqui no Ceará, quando os professores cobraram melhores condições para trabalhar e foram recebidos com uma mão grande no meio do nariz. Certamente o brasileiro é uma bela criatura desmemoriada, pois tem o corpo trabalhado para o esporte, mas memória curta, não faz muito tempo e todos já esqueceram do ocorrido na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Falando em esporte, já é hora de exercitar nosso estilo Patriota de pensar, visto que estamos claramente sedentários neste aspecto. Para um ponto de vista imaturo e nada audacioso, fica fácil achar que o aumento de 20 centavos na tarifa do ônibus não é motivo que valha a pena dar minha cara a tapa. Fica mais fácil ainda achar que o brasileiro está mais confuso do que namorado de gêmeas, ao ligar a TV e encontrar a barbárie reinando nas capitais e nossos jovens acreditando que essa é a melhor forma de proceder.

Tudo por causa de 20 centavos?! Não mesmo!

Eu pensei muito, muito mesmo sobre a situação enfrentada em São Paulo (atualmente o Ceará também já abraçou a causa que ficou meio apagada por conta da aparição da Seleção Brasileira) e, por breve momento, fiquei até intimidado de expor minha opinião. Acontece que não quero apenas lançar críticas, o critico tem uma tarefa incrivelmente cômoda. Apontar os erros dos outros qualquer um faz, até meu cachorro faz, e olha que ele já morreu. Eu não tenho medo de expor minha opinião ou de ser ridicularizado ou até mesmo agredido por não agradar alguém, o que me assusta é saber que, apesar de não ser uma referência na internet, meu blog (onde exponho a maior parte da minha opinião) é lido por muita gente e, de certa forma, ajudo a formar opiniões. Não serei eu a definir se o aumento da tarifa é necessário ou abusivo, mas, certamente, os manifestantes procuram levar tudo dentro do pacifismo. Há uma minoria aproveitando o desvio de atenção do estado para promover baderna e assaltos. Inicialmente, a mídia tentou descaracterizar esse fato social exibindo exaustivamente cenas de veículos queimados, paredes riscadas e pancadaria.

Eu temo que o brasileiro tenha pouca bagagem intelectual e um senso crítico nada ousado para receber adequadamente este que, certamente, é um fato tão digno de nosso patriotismo quanto foi o Impeachment de Fernando Collor de Melo. O meu maior medo é que o povo brasileiro entenda estes protestos como anarquismo ou coisa do gênero. Entendam que sou a favor, sim, de uma revolução, de varrer a corrupção deste país, mas mais ainda, sou a favor de uma reeducação. Tem gente aproveitando os momentos de tensão nas manifestações para roubar e vandalizar o patrimônio público e existem comunicadores se aproveitando desses casos para incutir na mente do povo a imagem de baderneiro inconsequente.

Abra o olho.

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Um policial que acabou agredido violentamente por manifestantes

Não dá pra reconstruir ideologicamente um país na base do protesto desorganizado e violento, ainda mais quando o país encontra-se fragilizado economicamente pelos custos de Eventos Internacionais e desacreditado politicamente por fatos que temos obrigação de conhecer.

Você sabe quando foi descoberto o Mensalão?! E quantos foram indiciados? Foi o que pensei.

Não dá para esconder que o brasileiro, tardiamente, se deu conta de que há uma frustração por conta de tanta roubalheira, mas o quebra-quebra não é a resposta adequada. Ainda acredito que A MAIOR ARMA DO BRASILEIRO CONTRA A CORRUPÇÃO É O VOTO. Vale lembrar que os manifestantes não adotam qualquer ideologia política, não há esquerda, direita, ambidestro ou coisa parecida. SÃO BRASILEIROS FAZENDO VALER SEU DIREITO DE SE INDIGNAR E PROTESTAR POR MELHORIAS. A mídia parece estar adotando uma nova postura para apresentar as reportagens, estão esclarecendo bem ao povo que o quebra quebra é espetáculo promovido por uma minoria que sai disposta a roubar e destruir, sequer pensa em mudar a imagem do país.

Quantas horas do seu dia você dedicou para ver a TV Assembleia?! Não temos ideia do poder que temos nas mãos, como força organizada e bem direcionada, contudo, falta entendimento do cenário político. Lembrando que manifestação é diferente de protesto.

Manifestação está para reivindicação como Protesto está para vandalismo.

O que posso apresentar é o ideal de Gandhi e seu protesto pacífico, Jonh Lennon e seu discurso “Faça Amor, Não Faça Guerra”, o próprio Jesus e sua tentativa de complementar a Lei Mosaica da época com o Amor ao próximo. Claro, ainda há a esperança de que volte a caminhar por este chão sujo de sangue estudantil (que anseia por mudar o país, mas não sabe pra onde direcionar tanta vontade) o Cara Pintada. Procure por ele, garanto que você o achará nos livros de História e nos seus ideais.

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