O naufrágio de Uluburum

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Eu sempre achei que as profundezas oceânicas reservam muitas surpresas aos homens incautos e de curta existência. Para quem não acompanhou, foi encontrado um continente submerso com uma variedade monstruosa de recursos.

Vendo esse tipo de notícia, me perguntaram se isso pode ser considerado Arqueologia.

O campo de trabalho da arqueologia é realmente extenso e não falta trabalho. Falo de descobrir um novo mundo por baixo do nosso, para algo tão ousado, resta ao arqueólogo montar um quebra-cabeça de proporções tão majestosas quanto a história da descoberta. Ainda, nunca é demais ressaltar que o arqueólogo deve ser criterioso, estudioso, corajoso e ter muita, mas muita paciência.

Afinal, você não pode esperar desenterrar um suntuoso templo, organizar sua história de um modo que qualquer um entenda e receber honrarias sem fim antes de jantar.

Seja qual for o seu ponto de vista sobre o caso, é bem verdade que um desses campos de trabalho arqueológico ainda desconhecido do povão é a Arqueologia Subaquática. Apesar do nome, trata-se de vasculhar vestígios debaixo d’água e além, pois também trabalha com achados que tem ligação com o mundo submarino.

E é exatamente sobre isso que falaremos hoje. Nossa postagem será sobre o Naufrágio de Uluburum.

A DESCOBERTA
O conjunto que compõe este que, certamente, pode ser considerado um dos naufrágios mais antigos e espetaculares de nossa história, chegou a ser divulgado pela revista Scientific American e eleito uma das maiores descobertas da arqueologia do Séc. XX.

É mole, ou quer duro?!

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Mapa com a localização do naufrágio da embarcação – retirado do site http://www.anandarooproy.com/portfolio/project/63

Localizado no sudoeste da Turquia (6 km a sudeste de Kas), os restos da embarcação ainda assombram pelo porte e pela carga. Devido a profundidade da localização da embarcação e visando preservar ao máximo as condições dos pesquisadores, estipulou-se que cada mergulhador poderia mergulhar 2 vezes e trabalhar na área por 20 minutos a cada mergulho.

Durante os 3 meses de trabalho duro, ocorreram cerca de 22.413 mergulhos.

OS DESCOBRIDORES
Cemal Pulak, além do resgate do Uluburum, também está envolvido, também é especialista em eventos marítimos da Idade do Bronze, além de tecnologia marítima. Teve muitos trabalhos publicados sobre o assunto. Já George Fletcher Bass é considerado um dos precursores da arqueologia submarina, junto de Peter Throckmorton , Honor Geada , entre outros.

O NAVIO, O MÉTODO DE DATAÇÃO E O CARREGAMENTO
O Navio tem cerca de 15 metros (dá pra ter uma ideia das proporções do navio pela foto acima) e tudo indica que foi projetado nos mesmos moldes do famoso Barco do Faraó Kufhu (modelo de encaixes).

O método usado para datação do navio foi o conveniente Método de Dendrocronologia (do Latim Dendron – Árvore; Kronos – Tempo; Logos – que, basicamente, estuda o crescimento anual dos aneis das árvores (aqueles que você encontra depois que uma árvore é cortada). Estes anéis e seu crescimento estão sujeitos a uma série de fatores (clima e terreno, por exemplo), além de, claro, da espécie da árvore.

Falando sobre o carregamento, é um consenso entre os especialistas envolvidos no assunto o fato de que a carga é proveniente de, pelo menos, sete povos diferentes (micênica, sírio-palestina, cipriota, egípcia, núbia, assíria e kassite). Entre o verdadeiro tesouro arqueológico encontrado submerso nas águas do oceano (variando entre utensílios domésticos, armamento militar e material para construção), vale ressaltar:

  •  354 Lingotes do tipo “Couro de Boi”;
  • 24 âncoras de pedra (as maiores pesavam  220kg);
  • Cilindros “em branco” para fabricação de selos;
  • Lamparinas cipriotas novas (não há marcas de queimaduras, o que indica que eram levadas para comercialização);
  • Jarros com boca “trevo”;
  • Entre outros tantos achados…
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Anel com inscrição da época de Akhenaton

Com efeito, a mais intrigante de todas as descobertas (pelo menos na minha opinião) é um anel com o Escaravelho Real de Nefertiti. Além do anel exibido ao lado, também foi achado outro anel com a inscrição do Faraó Akhenaton, marido de Nefertiti. Este ultimo anel, feito de ouro, está completo, ao passo que o anel exibido ao lado está comprometido e é feito de Electrum (uma mistura de ouro com prata).

Este mineral (Electrum), apesar da forja, também tem sua formação natural e já é conhecido pelos especialistas por compor acessórios neste período da história humana (moedas, por exemplo). Há indícios em vários textos antigos sobre o uso do Electrum. O Livro Perdido de Enki (sumério), A Odisseia (grego) e até na Bíblia (hebreus).

Na verdade, o Naufrágio de Uluburum é um campo extremamente interessante para o aprofundamento daqueles que ambicionam o posto de arqueólogo, pois encontramos, em um único evento, a necessidade de utilização de todos os campos de estudo da arqueologia (arqueologia bíblica, subaquática, datação pelo método de dendrocronologia, história das civilizações, etc).

Uma das maiores questões que certamente não me deixará dormir é o fato de que há estes aneis na embarcação, trata-se de um acessório que enfatiza a posição social de um indivíduo.  Bom, seja qual for a real história, estou divagando.

Para uma pesquisa mais aprofundada sobre os achados deste grande evento de nossa história, recomendo o site http://sara.theellisschool.org/shipwreck/.

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1 comentário Adicione o seu

  1. elilson disse:

    Muito legai

    Curtido por 1 pessoa

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