Arqueólogos encontram esqueleto do rei Ricardo III da Inglaterra

Busto Rei Ricardo III 01Quando soube de que um grupo de cientistas e arqueólogos da Universidade de Leicester (Inglaterra) teriam encontrado os restos mortais de Ricardo III, lembrei do rei Belshazzar ou Baltazar (filho de Nabonidus, rei da Babilônia). Para quem não sabe, Ele era conhecido apenas nos relatos bíblicos e sua existencia como homem real sempre foi questionada por conta de não haver qualquer indício comprovatório.

A bíblia está errada, eles diziam.

Acontece que em 1854, o Sr. Henry Rawlinson encontrou um artefato conhecido como o Cilindro de Ciro, onde o rei Nabonidos menciona o filho mais velho, Belshazzar, fato mais do que o suficiente para apontar a veracidade dos relatos da bíblia.

Há!

Algo semelhante acontece com o Sr. Ricardo III. Toda sua história é contada aos quatro cantos do mundo, seja por meio de filmes, seja por livros, seja o bom e velho Shakespeare (link para o livro) e suas tragédias…

…você nunca leu Shakespeare?! Você merece receber um amigo igual ao Iago.

DESCOBERTA DA OSSADA DE RICARDO III
Conta-se que Ricardo III teria morrido durante a chamada batalha de Bosworth Field (ultima batalha das Guerras das Rosas), seu corpo teria encontrado descanso em uma igreja, que foi destruída e sua ossada nunca mais foi achada. Um mistério que durou mais de 500 anos. Na verdade, a ossada já havia sido encontrada desde 2012, porém, somente agora puderam atestar a descoberta.

Richard Buckley
Richard Buckley, da Universidadede Leicester

Um grupo de estudiosos da Universidade de Leichester (Inglaterra) aliado a Prefeitura de Leicester e a Sociedade Ricardo III, liderados pelo Arqueólogo Richard Burckley, seguiram o local do descanso final do referido rei até o estacionamento do Conselho Municipal, construído sobre uma capela franciscana do Séc. XVII.

Além de encontrar a capela onde Ricardo III teria sido enterrado, havia uma ossada de alguém que tinha problemas de coluna e sofreu uma morte violenta. A ossada apresentava cerca de dez escoriações, oito delas no crânio.

Foi muuuuuuuita pancada.

Outra coisa que chamou a atenção dos pesquisadores (mais notório do que as perfurações no crânio) foi o nível acentuado de escoliose que o monarca tinha.

Quer dizer, Shakespeare já mencionava a aparência “horrenda” do cruel monarca e isso era de conhecimento dos Historiadores, porém, a coluna do cara era mais torta do que uma galhada, tendo sérios problemas para se locomover, além do comprometimento das funções dos órgãos internos e eventuais piadas dos nativos.

É foda!

MAS COMO SABER SE É REALMENTE RICARDO III?!
Muito trabalho e intelecto foi demandado para essa empreitada, meu pequeno Padawan.

Sua aparência já era alvo das tiradas de Shakespeare (link do livro). A questão, agora, era verificar os relatos. Neste ponto, Shakespeare e os historiadores concordam quando o assunto é o problema de coluna monstruoso do Monarca e a ossada encontrada também tem (escoliose, no caso). Ainda, a ossada pertence a um homem com cerca de 1,72m e, possivelmente, entre 25 e 40 anos (Ricardo III teria morrido em campo de batalha aos 32 anos). Mesmo com tudo isso, não satisfeitos, a Universidade de Leicester iniciou um estudo para obter o respaudo científico dessa descoberta. O DNA Mitocondrial e o método Radiocarbono eram a chave para a descoberta.

Mas o que xavascas é DNA Mitocondrial e Radiocarbono?!

O DNA Mitocondrial é, basicamente, nosso transporte de energia e  carrega informações valiosas para nossa descendência (poisé, eu curto Biologia). Entenda que esse processo vale apenas pra Mulheres, ou seja, informações com o código genético de Ricardo III seriam transmitidos até nossa atualidade, caso a procriação não tenha sido interrompida…

… o que, por sorte, não ocorreu.

Michael Ibsen
O descendente de Ricardo III, Michael Ibsen, contribuíndo com sua saliva para detectar sua herança genética

O descendente de Ricardo III, geneticamente comprovado, chama-se Michael Ibsen, um carpinteiro canadense. Há, ainda, um outro indivíduo que compartilha da mesma herança genética, porém, este preferiu não participar da pesquisa e viver no Anonimato.

Não é fácil descobrir que você compartilha o DNA de um deformado e cruel rei da Idade Média.

Restou aos cientistas da Universidade de Leicester expor a ossada (legalmente atribuida a Ricardo III) aos exames de Radiocarbono (o famoso Carbono 14). Basicamente, quando um Organismo vive, consome muito Carbono e, quando morre, o Carbono consumido vai deixando os restos mortais, seja de arvores, seja uma ossada, seja ainda a carne apodrecida ou mesmo fósseis.

A datação pelo Carbono 14, apesar dos pesares, é bem precisa.

E AS RETRATAÇÕES ARTÍSTICAS DA ÉPOCA?
Quando um artista resolve esculpir o rosto de algúem para criar uma escultura de… ah, sei lá, do Vegeta ou do Pikachu, são oferecidas informações para a construção da escultura (tamanho do nariz, testa, proporções de maneira geral). Acontece que, mesmo fazendo duas esculturas, certamente serão verificadas imperfeições (seja na expressão ou em qualquer outro ponto da escultura) e o trabalho pode não ser tão preciso.

Admito que o exemplo que eu usei foi uma merda, mas serviu ao seu propósito. Atualmente, com os recursos tecnológicos que temos, isso não acontece mais.

Busto Rei Ricardo III
O Busto do monarca Ricardo III ao lado de Philippa Langley, roteirista e uma das idealizadoras do Projeto Ricardo III

A Tecnologia e a Computação permitem recriar o rosto de alguém com tamanha precisão que, não importa quantas vezes, sempre teremos a mesma Escultura. A reconstrução do rosto de Ricardo III não teve influência das pinturas da época, apenas as medidas retiradas do crânio (apesar do estado).

Pra não dizer que o busto não sofreu interferência das imagens da época, as vestimentas e o tom de pele foram usadas para detalhamento.

Philippa Langley, roteirista e estudiosa apaixonada por histórias medievais é um dos braços fortes da Sociedade Ricardo III e foi uma das idealizadoras do Projeto Ricardo III. A Sociedade Ricardo III tem como missão basica limpar a imagem do monarca, que teve suas atitudes julgadas século após século, além de ser considerado um monstro com aparência de monstro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A situação na qual a ossada de Ricardo III foi encontrada já explica muitas coisas: Ele estava amarrado e a cova não era tão funda, a capela franciscana onde estava foi destruída pouco tempo depois. Ainda, muitas das perfurações no crânio podem ter sido feitas após a sua morte.

Sabe-se que o corpo de Ricardo III foi exposto de forma humilhante em praça pública, ataques eram desferidos a todo o gosto.

A situação do crânio me lembrou a múmia de um faraó chamado Sekenenrá Táa, opositor do povo Hicso até o final, pai do faraó Ahmes (que conseguiu repelir a referida ameaça do Egito). O referido faraó morreu em batalha e sua múmia está seriamente comprometida, acredita-se que sua mumificação foi feita com o corpo em estado avancado de putrefação e apresenta inúmeras evidências de que sofreu uma morte violenta.

Outro fato que me lembrou foi a morte do ousado principe de Tróia, Heitor, o domador de corcéis. Conforme descrito na Iliada, Heitor é morto por Aquilles (os de pés ligeiros) e diariamente seu corpo era humilhado por todos no acampamento grego, porém, os deuses sentiram que ultrapassaram os limites contra o filho de Priamo e, logo que terminava o dia, o corpo de Heitor era reparado e exalava agradável perfume.

Ainda em tempo, Phillipa Langley informou que depois de toda a divulgação do projeto e suas conclusões sobre a veracidade do que foi divulgado, a ideia é promover um novo funeral ao monarca.

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