Cem anos da descoberta do Busto de Nefertiti

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Em dezembro de 1912, a Bela do Egito ressurgiu!

Independente do seu gosto cultural, independente de sua religião ou mesmo de sua linha de interesse, você já deve ter visto ou ouvido falar no Busto de Nefertiti. Encontrado por um egiptólogo alemão, o referido artefato não tem qualquer inscrição que identifique que alí a eposa do faraó Akhenaton é retratada, mas grita uma beleza atemporal absurda, um ícone da beleza feminina trazido de volta do antigo Egito. Em dezembro de 2012, o Busto de Nefertiti comemora cem anos de sua descoberta.

O alinhamento entre as datas da descoberta, bem como a autenticidade do referido artefato são alvo de intensas discussões. Viajando mais do que muita gente viva atualmente (entre seus pontos de viagem destacam-se museus, cofres do governo, bunkers e até uma mina de sal), atualmente o Neues Museum (Berlin – Alemanha) é o local atual do Busto de Nefertiti. Porém, as argumentações do polêmico Dr. Zahi Hawass (ex-Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades) de trazer todas as relíquias egípcias de volta ao Egito, tem gerado vários entraves entre Alemanha e Egito.

Acompanhem esta postagem que me enche de orgulho, afinal, são informações que você não acha na Wikipédia brasileira ( que é uma tradução cansada da Wikipédia gringa). Atualmente estou atualizando a página de Nefertiti na Wikipédia brasileira com as informações que consegui em minhas pesquisas. No caso de algum erro, por favor, me corrijam.

O DESCOBRIDOR
Ludwig Bochardt era um egiptólogo alemão e vivia no Egito desde 1895. Nasceu no dia 05 de outubro de 1865 e estudou arquitetura quando jovem, viajou ao Egito exatamente para estudar a arquitetura do lugar. Produziu o Catálogo Geral de Museus Egípcios, também, em 1907, fundou o Instituto de Arqueologia Alemão no Cairo, e foi diretor do lugar até 1928.

Ludwig Borchardt morreria dez anos mais tarde, no dia 12 de agosto de 1938.

Ludwig Borchardt
Ludwig Borchardt em contato com o Busto da Rainha de Amarna

A DESCOBERTA
No ano de 1912 (entre os dias 03 e 06 de dezembro), o egiptólogo Ludwig Borchardt estava em uma escavação (patrocinada pela empresa Deutsche Orient-Gesellschaft e pelo empresário e mecenas Henri James Simon) em Amarna, antiga Akhetaton, cidade edificada por AmenHotep VI / Akhenaton para glorificar Aton, o deus sol.

O busto foi encontrado em algo que parecia uma oficina, o lugar era de um homem (possível escultor do busto) conhecido apenas como “Tutmés”. Haviam outros protótipos do busto, porém, o original finalizado era puro encanto. No ano seguinte, Ludwig Borchardt já se articulava para garantir o transporte do Busto de Nefertiti para a Alemanha. Em um documento formalizado em 1913 e verificado novamente em 1928, Ludwig promoveu a partilha dos achados na escavação entre Alemanha e Egito, porém, o egiptólogo teria apresentado informações que não correspondem com o valor real do busto (fotos que desfavorece a beleza do artefato e também teria dito que o busto era feito de gesso).

Fato que Ludwig Borchardt negou até a morte.

Na verdade, o fato gerou um tamanho desgaste que a Revista Time publicou em 2009 uma matéria chamada  Top 10 Plundered Artifacts, onde aponta o Busto de Nefertiti, além da múmia de Ramsés I e os afescos do Museu do Louvre como objetos de pilhagem.

Filhos da puta sensacionalistas.

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Henri James Simon ajudou a trazer o Busto de Nefertiti para dentro da Alemanha

A EXIBIÇÃO DA RAINHA AO PÚBLICO
O busto foi enviado para a Alemanha e lá reside desde 1913, muito se especula sobre o fato, afinal, as primeiras aparições do busto aos aristocratas e amantes da arte iniciaram na casa do próprio Henri James Simon e, de lá, foram despachadas para o Museu de Berlin. Acontece que o arqueólogo tentara novamente ocultar a entrada do busto da rainha no território alemão até que a poeira baixasse. Na verdade, a rainha de Amarna só veria o povo novamente em 1923, quando o Museu de Berlim oficializava a primeira exibição.

Neste período, a 2ª Grande Guerra Mundial começava a engatinhar, fato que se transformaria em uma tenebrosa realidade. Os museus sofreram com o ataque, inclusive, além das descobertas da empreitada de Simon e Borchardt em Amarna, várias relíquias descobertas por Heinrich Schliemann (arqueólogo alemão) no sítio arqueológico na Turkia em 1870, um possível tesouro de uma possível Troia, também sofreram tentativas de saques.

O que você precisa saber, é que depois que a 2ª Grande Guerra Mundial iniciou, o busto de Nefertiti rodopiou por muitos lugares. Em 1941 esteve guardada em um bunker de Berlim, em 1943 o Neues Museum sofreu um ataque aéreo, fato que levou o busto a mudar-se novamente, agora, para uma mina de sal em um lugar da Alemanha chamado Merkers-Kieselbach. Somente no ano de 2009 que o Neues Museum foi reaberto e conseguiu reaver o busto da rainha de Amarna.

A história é bem extensa, a pesquisa é longa e você acaba acumulando muito conhecimento e olheiras também. Desejo boa sorte em futuras pesquisas.

Busto Nefertiti
O Busto de Nefertiti

A RAINHA NEFERTITI
A rainha Nefertiti foi regente da Décima Oitava Dinastia do reino egípcio na época do faraó AmenHotep IV, mais conhecido pelo nome que ele próprio escolheu, após levar o Egito ao culto monoteísta e quase promover uma guerra civil total contra os Sacerdotes de Rá.

Akhenaton, o Herege.

Os sacerdotes de Rá foram desafiados diretamente pelo culto monoteísta de Atom (leia mais sobre Atenísmo), reza a lenda que várias estátuas de ouro dos deuses egípcios foram destruídas e, com esse ouro derretido, a cidade de Amarna foi financiada.

Pouco se sabe realmente sobre a história dessa mulher que, provavelmente, dominou a sociedade mais proeminente e auto sustentável de sua época, atuando como verdadeiro faraó. O fato de não haver qualquer inscrição no busto indicando que ali trata-se realmente de Nefertiti deixa os arqueólogos, pesquisadores, historiadores e amantes da arte de uma forma geral com uma pulga atrás da orelha. Possíveis traduções nas crônicas do reino de Amarna não dão qualquer indicação de que o busto retrate a esposa real, porém, convencionou-se acreditar que trata-se realmente da rainha regente de Amarna por conta das inúmeras pinturas  do reino e também pelos trajes usados.

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