Um Delírio sobre o livro Percy Jackson e o Ladrão de Raios

Finalmente chegou o grande dia!

Acredito que todos já sabem que eu prometi um post sobre o cabeça de alga, visto que o meu primeiro post sobre o filme (baseado no livro de Rick Riordan) não foi muito bem aceito pela população. Na verdade, fui perseguido em meu circulo social e virtual, fui esculhambado, xingado, atentaram contra minha vida e (pior) minhas ideias, além de me qualificarem como uma ameaça aos novos leitores de nossa época e a próxima.

Alguns grupos extremistas se sensibilizaram com minha situação e me ofereceram esconderijo.

A verdade é que a maioria esmagadora das pessoas que me criticaram, não apenas possuem a maturidade de um quebra mola, mas desconhecem (ou ignorarem) totalmente o livro. Com efeito, o livro e o filme são histórias com muita diferença e isso é normal quando o assunto é catapultar um livro famoso para as telonas. Isso é fácil de se entender quando conhecemos a Trilogia Senhor dos Aneis (livro e filmes). Alguém conhece uma coleção de livros chamada “Desventuras em Série”? Eu adoro, quero todos os livros. Porém, quando houve a adaptação para filme, percebemos atores que não convencem nem a própria mãe, a ambientação não foi das melhores, além de (claro) muita coisa presente na literatura que ficou de fora. O encanto que a história original traz, por exemplo.

O que salvou o filme foi Emily Jane Browning e seu jeitinho “prostituta de luxo” de ser.

Enfim, estou demorando para entrar nas exposições sobre o livro para deixá-lo bem informado e com bagagem crítica o suficiente para entender o extremo óbvio: Antes de criticar alguma ideia, procure entender o assunto. Nunca entre em um jogo sem fichas. Criticar é legal e cômodo, mas fica melhor ainda quando você domina um assunto e, sem perceber, sua crítica torna-se mais construtiva do que simplesmente apontar seu dedo gordo, torto e cheio de meleca de nariz na cara dos outros sem saber do que se trata o assunto.

Sim, eu sou rancoroso, obrigado por notar. Vamos ao post, que é tão esperado.

UM POUCO SOBRE O LIVRO
O livro, basicamente conta a história de Percy Jackson, um moleque pretensioso, brigão e disléxico que leva uma vidinha cheia de desentendimentos com sua mãe biológica e disputas hierárquicas com seu padrasto (carinhosamente chamado de “Gabe Cheiroso” por conta de seu peculiar odor natural), além de problemas na escola e dúvidas sobre suas origens e sobre seu verdadeiro pai.

Não demora muito a percebermos elementos fantásticos na literatura (bota fantástico nisso) como monstros mitológicos, canetas que viram espadas, sapatos com asas, um mundo paralelo totalmente diferente do nosso onde você tem extrema importância e potencial para livrar as pessoas das mazelas que nele existem e perambulam aos montes. Neste novo mundo que se desdobra inacreditavelmente diante de Percy, ele agora pode fazer a diferença, contando apenas com o que ele sempre foi, sem preocupar-se em agradar os outros ou a sociedade, um mundo onde ele é alguém especial.

Diferente do que ocorre na nossa realidade socialmente antipática e competitiva, onde Percy não vai além de um zero à esquerda.

Percy encontrará amigos, fará rivais, terá desilusões, frustrações e terá suas dúvidas respondidas de formas que não atenderão seus anseios, mas terá tempo e maturidade para acompanhar o desenrolar dos eventos (por mais bizarros que possam parecer) e crescerá, aproximando-se de seu ideal pessoal. A história torna-se envolvente sem muito esforço e, por diversas vezes, você se encontrará pensando nas decisões de Percy, se seriam as mesmas que as suas. O final, um tanto surpreendente (e deveras diferente do filme), sustenta uma força para acompanhar a leitura, independente dos volumes que seguirão. O interessante, agora, é acompanhar a vida de Percy Jackson, o cabeça de alga.

PONTOS INTERESSANTES SOBRE O LIVRO
Antes de mais nada, Rick Riordan é um amante da mitologia. Isso é fácil de entender. Bem humorado ao melhor estilo americano (muitas piadas parecem sem graça ou estranhas ao nosso entendimento), as adaptações dos diversos mitos e do ideal grego ao Ideal Americano que vemos atualmente ficou excelente. Jogos Militares dentro do “Acampamento Meio Sangue” retratados na realidade das nossas escolas, além da prática de bullying por parte de certos personagens que detém um status por alguma qualidade que os diferencie dos demais dá um clima muito pertinente, faz o livro deixar o ambiente do simples entretenimento para acrescentar qualquer coisa na cabeça da galera e fazer pensar.

Um bom exemplo é a postura da filha Ares, deus da guerra trágica e violenta (Clarisse La Rue, que nem aparece no filme) e seus comparsas do Chalé nº 05, que se julgam autoridades potentes no acampamento. Ao passo que as dezenas de filhos de Hermes não tem voz, nem vez por lá.

PAIS AUSENTES:  Mesmo descobrindo que é o filho de um dos deuses principais no Panteão Grego (Poseidon, o rei dos mares) e que detém poderes intensos, mesmo para um mestiço, Percy Jackson descobre que todos no Acampamento sofrem com as ações ou omissões de seus pais, verdadeiros deuses. Essa parte da história tem o efeito de um Kame Hame Ha na mente de adolescentes com pais separados (seja separados judicialmente ou pela infelicidade da morte). Entenda que o livro é voltado para o público mais jovem e esse problema, apesar de uma realidade, ainda é um tabu. Esta é uma mensagem recorrente na leitura e Rick Riordan mostra que não há Elmo com poder de invisibilidade para presente ou Raio Mestre roubado que justifique ou abone a ausência dos pais.

No final das contas, quem paga caro a fatura são os filhos, divinos ou não.

BULLYING: Recordar é viver, então, apenas lembrando: Bullying é uma arma milenar social de intimidação, seu nome vem do inglês bully (intimidar). Se você é “bulinado” na escola ou em qualquer outro lugar, revide. Não deixe virar hábito, o que mata é o costume.

E o goleiro Bruno também, mas isso ainda não foi provado judicialmente.

A Ilíada já apresentava casos de intimidação, como já falei antes, mas O Ladrão de Raios consegue unir mitologia grega e bullying prático muito bem. Usa o status de certos personagens com caráter reprovável para aplicar essa arte tão covarde. O bullying não ocorre apenas com intimidação, mas, também, por exclusão. Percy é o único filho conhecido de Poseidon, dentro do Acampamento. Pelas regras, os três grandes (Zeus, Poseidon e Hades) não poderiam mandar a cegonha na casa de humanas, isso não impediu Zeus (dele nasceu Thalia) e Poseidon (dele nasceu Percy) de darem o dedo do meio para as regras.

Regras que eles próprios criaram, vai entender essa gente.

O cabeça de Alga que já sofria neste mundo com causa do pai, agora era excluído do meio social no Acampamento pelo mesmo motivo. A auto motivação do personagem para manter-se íntegro diante de tantas perturbações é uma boa abordagem para um problema tão comum na vida de adolescentes de nossa época.

Falando em motivações…

MOTIVAÇÃO: Essa é interessante. Tudo tem uma explicação, ninguém é malvado ou bonzinho simplesmente por ser, há todo um envolvimento psicológico por trás desses comportamentos e O Ladrão de Raios enfoca bastante esse ponto. Percy Jackson apresenta um temperamento abusado, grosseirão e atrevido, parece uma adolescente com TPM, porém, durante sua trajetória nos dois mundos, amadurece e apresenta outras ideias.

Claro que muitas permanecem, mas o amadurecimento é inegável.

Outros personagens que amadurecem são Annabeth (filha de Atena) e Groover (um sátiro), ambos completamente diferentes do apresentado no filme tanto física quanto psicologicamente. Cada um inicia com seus próprios anseios, Annabeth não se encaixou na sociedade em que vivemos, porém, não esqueceu a convivência com seu pai e desejava voltar para ele. Por ser muito intelectual e estratégica, a moçoila evitava envolver-se afetivamente, era chatinha e se impunha demais. Groover não se encaixava em nenhum dos mundos, na nossa realidade não dava por conta de seu aspecto “exótico” e na outra realidade não conseguia manter terreno por suas constantes falhas, uma delas pesada demais para ele suportar. A morte de Thalia torna-se uma cicatriz em seu curriculo de Sátiro (isso mesmo, ele era o ajudante dela e, optando por salvar os outros envolvidos em um combate brutal nas proximidades do acampamento, Thalia morre para salvá-los), muitas vezes os superiores do acampamento desenterram o assunto e isso machuca. Ambos sofrem e procuram progredir baseados nos erros que cometeram e aprendendo com eles, o que traz um efeito de renovação comportamental para a molecada que acompanha a série.

Ainda existem outras coisas que eu poderia comentar por aqui, porém, creio que já consegui limpar minha barra. Tudo o que comentei acima foi apresentado de forma diferente na película, basta apenas ler o livro para tirar suas dúvidas. Pretendo ler os demais livros, mas isso é coisa para outro post.

Menos criticado e apedrejado, de preferência.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Marcelo Filho disse:

    Olha amigo, ainda não vi uma crítica tão parecida com a minha opinião, concordo, realmente os “grandões” de Hollywood não fizeram jus algum sobre o livro, o que em minha humilde e singela opinião tem sido um problema, por que praticamente nenhum dos livros que viram filmes, na maioria das vezes não fazem jus à obra original. Então venho apenas para lhe parabenizar meu amigo, irei ler seus outros posts, já li todos os cinco da série, gosto muito, vamos ver se suas críticas futuras também serão pertinentes e voltadas ao real assunto, qualquer coisa estou à disposição!

    voltaire2008@live.com; msesequiel@live.com; celo.esequiel@hotmail.com

    Curtido por 1 pessoa

  2. thallyson GABRIEL disse:

    muito bem cara, seu comentário foi ótimo

    Curtido por 1 pessoa

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