Um delírio sobre Hugo Cabret

Dizem que Jesus (o nazareno) comentava sobre o reino de Deus por meio de parábolas, pois era a mais razoável maneira de discutir a existência de algo tão surreal aos incultos Homens de curta existência e de pouca fé.

Na Ilíada, Homero usa e abusa das comparações, visando dar ao leitor uma ideia (mesmo que vaga) do que realmente ocorre na narrativa. Uma de minhas favoritas ocorre na segunda luta entre o troiano principe Heitor (doma corcéis) e o aqueu Ájax (o Telamônio), que dura “o tempo de um tronco ser consumido pelas chamas”.

Uma abordagem pouco distante das parábolas do nazareno, se me perguntarem.

Valendo-se de vantajosa ferramenta comunicativa, o filme A Invenção de Hugo Cabret apresenta, logo de cara, uma filosofia meio In-Yang, meio Fordista e sua Linha de Montagem (aquele método de montagem satirizado em Tempos Modernos), tentando fazer o cidadão compreender a ideia original da película que será trabalhada ate o final do filme.

Sim, meu cérebro é um tanto complicado de entender, mas tentarei explicar mais na frente, por hora, vamos ao Filme.

O FILME
Nosso pequeno herói, Hugo (Asa ButterfieldO Menino de Pijama Listrado), é o filho de um relojoeiro (Jude Law – Sherlock Holmes 1 e 2) que morre numa explosão genérica e sem maiores explicações (talvez o motivo não importe para o desenrolar da trama). Hugo herda do pai, a oportuna curiosidade do ofício de relojoeiro e acaba indo morar com o tio dentro da Torre do Relógio, situada no meio da cidade.

Sobre este ponto, é interessante notar que Hugo tem acesso a quase todos os pontos da cidade pelas tubulações da grande Torre do Relógio, que sempre terminam em uma parede com um relógio. Isso parece doar alguma onipresença ao garoto, como um aliado do tempo ou eterno observador.

Hugo acaba marginalizado e, entre um furto e outro, conhece Isabelle (Chloe Moretz – do inquietante Deixe-me entrar). Ambos se dão muito bem e trocam experiências e oportunidades.

Por exemplo, Hugo mostra os perigos das ruas como O Inspetor (Sacha BaronBorat) e prazeres de pessoas comuns como sua primeira sessão de cinema (burlando regras, claro). Isabelle, por sua vez, abre caminho para Hugo conhecer os valores familiares e revelando seus segredos sobre seus familiares que se foram. Na verdade, é graças a moçoila que conhecemos George Mélies (Ben Kingsley – Gandhi), ilusionista francês e fenômeno do cinema naquela época.

Só para deixar claro, o cara existiu mesmo.

Uma sessão de Cinema sem pagar é tudo de bom

Não me prenderei muito na história do filme, se você está aqui lendo essa crítica, acredito que já viu ao filme, se não viu, vá ver. Vale a pena, só não compre pirata.

O AMBIENTE SOCIAL EM HUGO CABRET
O filme é ambientado em uma París dos anos 30 e, apesar de sutil, essa temática é primordial para entender cada Personagem e suas atitudes durante o filme. Entenda que, de forma isolada, a vida de cada personagem não é muito interessante, mas conhecê-los é importante para prevê o que irá acontecer. Até o final da película, veremos que nem todas as atitudes tomam um rumo pensado com o cérebro (racionalidade), mas, com o coração (sentimento).

A maioria dos personagens no filme vivem uma vida um tanto solitária e, algumas das decisões mais importantes do filme, são tomadas pensando em seu semelhante.

É como tomar emprestado o coração de seu Semelhante e, diante de um lapso de empatia, fica fácil posicionar-se energicamente, pois se entende os benefícios de manter viva essa sinergia entre o racional e o sentimental. Assim, o Amor tem uma chance.

Assim eu pensei, mas pode ser a falta dos remédios. Nunca saberei.

Personagens semelhantes que viviam separados, descobrem que suas vidas “se encaixam” perfeitamente. Mas só depois se se arriscarem

CADÊ O VILÃO DO FILME?
Algo que eu acabei estranhando (não cheguei a falar com muita gente sobre o filme e não é todo mundo que gosta de dialogar sobre sutilezas elementares em enredos televisivos e similares), mas o Filme não tem um vilão e, se eu estiver certo, a trama ganha uns pontinhos por sua deliciosa complexidade.

Sério, pare pra pensar nisso! Se é para alimentar um sentimendo inato de vingança ou complicar o simples, o “Mal” a ser vencido são os problemas pessoais de cada personagem. Perceba que cada um tem suas “neuras” pra resolver.

Por exemplo: O velho George carrega uma desilusão que se estende desde sua primavera jovial até quase o final do filme. A garota Isabelle, apesar de deter grande bagagem literal e cultural, sua experiência de vida é totalmente teórica, nunca viveu nada (Algo próximo do Bolt – O Super Cão e O Show de Truman em um único personagem). O Inspetor foi um menor abandonado e cresceu pelos moldes rudes de uma sociedade temerosa a qualquer desvio de conduta (semelhante ao Hugo).

O pequeno Hugo acabaria tornando-se um produto do meio, caso não fosse sua incrível maturidade e perseverança diante dos fatos. O próprio Inspetor, em muitos momentos, se espelha no pequeno Hugo e tem suas atitudes pensadas naquilo que Ele (Inspetor) pensa ser o Melhor, como um Pai costuma fazer… mas a Vida mostra que não é assim que se esfola um Bode e nem tudo que funciona pra um, funciona pra outro.

Convivendo com Hugo, o Inspetor aprende coisas e, garantindo ao Garoto uma realização plena na Vida é, digamos, uma forma do Inspetor garantir (insconscientemente) uma realização plena pra própria Vida.

SIM, eu sou Pai e sei do que estou falando.

E NÃO, eu não estou chorando… é que olhar pra tela do computador direto maltrata minha visão sabe…

FILOSOFIA ORIENTAL E FORDISMO?!
Comentei no início da postagem, mas penso que seja interessante explicar minha comparação da Filosofia Fordista e do In-Yang com a proposta do filme sobre a Vida em sociedade.

Todos temos uma Função, da mesma forma que velhas engrenagens em um relógio que não atrasa e, como é proposto no filme: Não há peças sobressalentes. A vida em sociedade pode ser vista como uma Esteira de Montagem, onde todos são iguais, indo e vindo.

Certo?

Errado.

Cada pessoa oferece uma possibilidade diferente e uma forma diferente de aproveitar o Tempo de nossas Vidas, portanto, todos são insubstituíveis. Por mais intragável que seja aquela Pessoa, é preferivel conquistrar um equilíbrio (In-Yang), pois você não sabe como ela pode interferir positivamente na sua vida lá na frente.

CONCLUSÃO
Calçando uma proposta tão ousada (um tanto batida, mas bastante elegante e bem contada), com um visual um tanto retrô, o filme é Emocionante e você sai da frente da TV com uma proposta de repensar sua Vida.

Bom, até o presente momento eu não consegui pensar em mais nada sobre a película, ainda, eu vi o filme apenas uma vez, portanto, eu não lembro de muita coisa.

Pretendo ver novamente a história e, quem sabe, até ler o livro. Lembrando que trata-se de um delírio sobre o filme e não comento nada sobre o livro.

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