Um delírio sobre os eventos ocorridos por conta do filme “A Inocência dos Muçulmanos”

Tanta coisa acontecendo atualmente… e eu não estou comentando qualquer coisa sobre o caso! Porém, algo que sempre digo para todos aqueles que, por algum motivo, caem neste site e resolvem debruçar-se sobre estas linhas caprichosas: A cada dia que passa, independente do desenrolar dos eventos, nossa geração caminha os passos que serão repassados aos nossos filhos nas escolas. Nunca, desde a Ditadura Militar Brasileira (creio eu), o nosso país viveu eventos tão impactantes no curso de nossa história.

E lá fora não é diferente.

Quando ocorreu o ataque contra as Torres Gêmeas, muitos acreditaram que seria um evento para marcar época.Eu sempre achei que tratava-se, apenas (digo APENAS), do início de um efeito dominó que está longe de acabar. Tantas revoltas e batalhas sanguinárias, tantas intrusivas ofensas e mentiras bem elaboradas em tela de cinema visando iludir as massas e trazer para fora o fervor extremado nas atitudes de uma cultura diferente da nossa, apenas por ser diferente. O advento da internet não ajudou muito a melhorar a situação.

O filme A Inocência dos Muçulmanos, antes de qualquer coisa, é uma ofensa ao que nos diferencia dos animais: A fé.

Homens como Nakoula Basseley Nakoula não são intelectuais críticos, ou corajosos ou articulados. Cadê a coragem quando se esconde após manipular uma predisposição negativamente afetiva entre duas nações que não se batem há mais de meio século? Desafetos sempre existiam e sempre existirão, fato que não torna a nação muçulmana um reduto de monstros e, também, não transforma os americanos em príncipes encantados de armadura reluzente. Homens como Nakoula são tão críticos e intelectuais que, se duvidar, pensam que “muçulmano” é uma nacionalidade e Talibã é uma região do país. Para quem não sabe, Nakoula já havia sido condenado por fraudes bancárias em 2010 (será que podemos ligar este crime ao dinheiro usado para custear o filme?), resolveu usar da fé islâmica para criar tumulto e usou os próprios americanos para alcançar seus objetivos. Contratou vários atores, inventou que tratava-se de um filme de ação no deserto (li que a película se chamaria Desert Warrior), e espalhou desordem, ódio e ruína, tentou ocultar-se dentro do grupo de católicos copta que residem no Egito, usando um pseudônimo. Nakoula alega que o islamismo é uma religião do ódio, um câncer, justificando, assim, seu grande ataque direto na fé islâmica.

Por causa desse filme, o embaixador americano e outros três homens morreram. Quem dissemina o ódio agora?!

Acredito que qualquer religioso, confiante naquilo que aprendeu pela força da fé, defenderia seus ideais e suas convicções, mesmo diante de um povo que tem a deselegância de afrontar qualquer um, um povo que se põe acima da ONU e dita as regras para seus eleitos, separados dos demais habitantes da terra. Tantos já sofreram nas mãos engorduradas de hambúrguer americano. A bomba atômica de Hiroshima e Nagazaki, lançada contra o Japão logo após o término da Segunda Grande Guerra Mundial, não foi ato terrorista? A invasão ao Vietnã (homens treinados e vestindo tecnologia bélica de ponta contra pais de família e agricultores que se valiam de táticas de guerrilha) também não foi um ato terrorista? A invasão (por duas vezes) ao Iraque, a derrubada de Sadan Hussein, justificada na procura por armas de destruição em massa que nunca foram achadas, também não é um ato terrorista? Tudo isso e ainda outras tragédias tornam-se campeões de bilheteria e tem suas histórias alteradas para manipular sua opinião (pode procurar, muitos filmes de guerra tem suas história alterada), isso também não é um ato terrorista? Recentemente sofremos exatamente isso na produção do filme “Os Mercenários” e, apesar de tudo, os brasileiros adoraram o filme, ninguém se indignou. Ao contrário, o filme terá continuação e estaremos prestigiando novamente.

Você é um peão em um grande tabuleiro ideológico de xadrez no jogo da vida. Pense nisso.

Agora, não é como se, de repente, ninguém mais pudesse fazer críticas ao povo muçulmano. Isto está longe de ser verdade. Somos todos humanos, independente da crença, da raça, de cor e de sexo? Qual o motivo que te leva pensar diferente agora? Apenas por haver uma corrente religiosa da qual você não concorda? Há um incrível universo de diferenças entre “não concordar” e “não entender” ou mesmo “não conhecer”. Entendam que eu não quero nem vou puxar a sardinha para qualquer lado, sempre me intitulei aqui como um vagabundo religioso e Deus me atura até hoje muito bem, obrigado. Porém, eu não posso me furtar ao diálogo e expor o que penso.

Sim, além de vagabundo religioso, sou um intrometido. Obrigado por notar.

O Alcorão tem lindos versos, uma série de particularidades que nos fazem pensar na vida de forma diferente, exatamente pelo fato de Maomé enfrentar circunstâncias diferentes de todos os mártires do ocidente e acreditem-me quando eu digo que ele se saiu bem. A caligrafia árabe é toda dimensionada para a estética poética. O Alcorão, ainda, tem um capítulo reservado somente para Maria, também fala de Jesus (apesar de não considerar sua divindade) e apresenta tantas outras semelhanças com nossa fé, igualmente a tantas outras religiões que existem nesse mundo, que se integram entre si pela simplicidade de sua base ideológica.

O fato é que o a fé islâmica, em sua essência, de diferente da nossa há apenas a característica de prover ao seu seguidor o direito de defender sua crença. Quando falei, logo acima, sobre o uso do cinema como arma de manipulação, eu não esqueci o caso do filme “Turistas” e o infeliz episódio de “Os Simpsons” aqui no Brasil e toda a problemática que envolveu o nosso governo, mas entendam que trata-se de uma atitude política, estadista. O filme de Nakoula atingiu premeditadamente a fé islâmica, sem rodeios. Qual seria a sua postura em ver um Jesus satirizado ou mesmo exibido como uma mentira?

Você tem fé?! Será?! Eu te digo que nosso código religioso é o Estranho.

Os documentários de maior sucesso no estrangeiro são aqueles que tentam provar a inexistência do Deus por meio da ciência,  ou tentam transformar Jesus em um cara qualquer, casado com uma ex prostituta. Parece que nossa convicção no Cristo não é lá essas coisas, afinal de contas. Como pode nossa fé nos permitir ver um filme como “A Ultima Tentação de Cristo” e não captar a clara mensagem de abnegação proativa do divino cordeiro narrada ao estilo de Scorsese, ou ainda, ler “O Código da Vinci” e dar total credibilidade a uma série de dados convenientemente descritos (para não dizer incorretos) reunidos por um escritor “mais ou menos” , sem pesquisar sobre o assunto ou simplesmente se indignar por ver Jesus Cristo do jeito que é retratado? Como pode nossa fé nos permitir reunir até as ultimas economias para ir à Espanha apenas para tirar fotos do novo Ecce Homo e postar no Facebook? Antes, quando a referida pintura era de caráter sacro e secular, não valia a pena? Gente, a Espanha não fica ali na esquina, é caro e demanda gerência de tempo na sua vida para este desatino e não vai valer a pena pelo simples fato de que você é guiado por convicções que não são suas. Já ouviu falar em “dividir para conquistar”? Entenda que se você não tem poder crítico para entender o que acontece ao seu redor e montar uma estratégia para se resguardar, você fará parte da estratégia de alguém que pode estar “cheio de boas intenções”. Neste final de Post, onde comentei sobre indução de ideias alheias e sobre culturas pouco conhecidas, lembrei do conto da cidade de Hamelin, lotada até a tampa de ratos e o flautista estrangeiro que garante ajudar.

Você pode ser um rato em sua própria Hamelim sem saber, cuidado. Conheça, critique e pesquise.

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