O Bullying na Ilíada (Homero)

Eu já havia comentado a possibilidade de publicar uma postagem sobre o bullying na Ilíada durante outra postagem que fiz. Para você ter uma ideia de como este covarde tratamento não é privilégio de nossos tempos (como dizem por aí), mas era parte da rotina dos Antigos.

Quem passa “Valores” para as Massas, falará o que quiser, contudo, as chances desses “Valores” transmitidos por este Orador (ninguém em especial) não serem construídos de forma a favorecer este Orador (ninguém em especial), serão quase nulas.

Tipo um Político que dá um aumento quase imperceptível no Salário Mínimo e libera um aumento megalomaníaco para a sua categoria, sem falar nas facilidades de viagens, auxílio moradia, auxílio paletó…

Acho que já deu pra entender, então vamos ao Post. Mas vamos recordar…

O QUE É BULLYING MESMO?!
O termo deriva do original bully (intimidar em inglês), o bullying era uma forma de intimidar um grupo (normalmente) menor, tipo homossexuais, negros e tal.

Mas nem sempre é assim que se esfola um bode.

Acredita-se que seja um fenômeno “atual”,um efeito colateral indesejável na Educação, ocasionado pela pressão sofrida pelos estudantes por cuasa das cobranças dos Pais, mas veremos que esse tratamento é ainda mais antigo e vai muito além das divergências e brigas no seio da Família.

E por falar em Brigas…

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Guerreiro Ulisses
“BULINANDO” NA ILÍADA
Pra quem não sabe, a Ilíada narra apenas o mês da morte do troiano herói valoroso Heitor “doma corcéis”, o que ocorre lá pelo nono / décimo ano da guerra de Troia. Ao ler a Ilíada, percebi dois casos de Bullying.

Primeiro caso: Aquiles (filho da nereida Tétis com o mortal Peleu), o “grego” mais forte, valoroso, lindo, gostoso, especialista das artes da Música, Medicina e na arte de chutar bundas troianas. Um belo dia, Aquiles resolve roer a corda.

WTF?!

Um sacerdote de Apolo chamado Crises, é esculhambado pelo grande rei Agamemnon (filho de Atreu de Micenas e da rainha Aerope) diante de inúmeros soldados, ao reclamar a liberdade de sua filha Criseide (escrava do Rei). Notoriamente ofendido, Crises clama pelo deus sol flecheiro infalível Apollo e logo é atendido. A “Peste” atinge os soldados do filho de Atreu.

Uma vítima de bullying que não ficaria em silêncio.

Aquiles descobre o evento e exige retratação por parte de Agamemnon e logo é atendido. Porém, visando não ficar no prejuízo, Agamemnon toma para si a escrava de Aquiles (a graciosa Briseida), deixando Aquiles chupando o dedo.

E é Isso que dá se meter na brida dos outros.

 

Tersites
Tersites enchendo o saco

Segundo caso: Aqui a forma de bullying é a mais comumente encontrada nos dias de hoje.

Durante um discurso que visava motivar as tropas para mais um dia de chibata aos pés das míticas Muralhas de Troia, Agamemnon é interrompido por Térsites.

Ao passo que Crises (o sacerdote de Apolo) foi brutalmente repelido aos gritos e ofensas pelo atrida e seu exército, Térsites seria exposto ao ridículo por ninguém menos que Odisseu, rei de Ítaca e herói da Odisseia.

Térsites já odiava Odisseu, Aquiles, Agamemnon… enfim, qualquer um que seja mais forte, mais bonito e melhor sucedido do que ele. A Ilíada mostra-o como alguém que costuma disparar ofensas para todos os lados sem se importar muito com o motivo (ou a falta dele) ou alcançar soluções. O negócio era causar.

Claro, Térsites não era nenhum exemplo de beleza física aos olhos dos gregos, na verdade, a sua descrição parece uma caricatura homérica do Quasimodo.Sente o drama:

“Era o mais feio de quantos no cerco de Tróia se achavam.
Pernas em arco arrastava um dos pés; as espáduas recurvas
se lhe caíam no peito e por cima dos ombros em ponta
o crânio informe se erguia onde raros cabelos flutuavam.”

Vale ressaltar aqui o que apontei no início do post. Quem tem a chance de fazer valer com sua voz, fará fazer valer apenas seus interesses e com Odisseu, que tinha a oportunidade perfeita diante de seus olhos, não aconteceu diferente. Térsites foi humilhado durante o Canto II e virou motivo de gozação para todo o exército Aqueo.

O que não era pouco.

CONCLUSÃO
Isso me faz pensar que o Bullying não se prende exatamente a força física. Por exemplo, nas Faculdades, muitas vezes, o cara que pratica o Bullying é o Nerd, pois ele é mais influente naquele meio (por ser mais inteligente e mais interessado em conseguir espaço acadêmico), promovendo um tipo de “vingança” num espetáculo de gosto duvidoso na forma de gincanas.

Trote, eles chamam.

Por vezes ocorre não apenas o medo de ser ferido. Ferimentos e ofensas são moeda de barganha, uma troca pela aceitação do Grupo. Esse sofrimento voluntário pode ser até pior do que ser arremessado dentro do latão de lixo.

Eu já vi isso acontecer e se eu não desse uma de doido, aconteceria comigo também.

Vimos que pessoas como Odisseu amolam pessoas como Tersites por trabalharem com ideias pouco encorajadoras, como peitar os caras mais fortes de forma pública. Além de não terem o apelo popular, seja por sua aparência, seja por seu estereótipo.

Por outro lado, pessoas como Térsites se aproveita das falhas comportamentais de pessoas como Agamemnon e tenta rebaixá-los aos olhos de todos, na tentativa de parecer uma nova Liderança, alguém com coragem para questionar os mais Fortes.

Enfim, há uma diferença de Bullying para o discurso de legitimação do caráter, você não precisa ferrar com os outros para ter atenção.

DICA DE LEITURA COMPLEMENTAR
Um blog que também versa sobre o infeliz Térsites é o Mitologia Grega da Lúcia (BH). O referido blog é bom, pois oferece conteúdo dos mais variados e com referente ao ideal grego, além de interpretações de personagens mitológicos e decifrações do lado comportamental.

Também recomendo o blog do piERREmenardiando, onde se discute, exatamente, a postura de Térsites. Além da crítica ao Canto II, também tem muita reflexão filosófica.

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