Egypt is not “Om El Donya”

Atualizando este pequeno e antenado espaço virtual, encontrei este artigo sobre o Egito que me chamou a atenção, não apenas pela eloquência e pelo charme, mas pela indignação de alguém que clama pelo respeito que lhe é devido como cidadão de uma pátria que luta pela sua emancipação, porém, a mídia mostra ao mundo apenas o que lhe convém.

Egypt is not “Om El Donya”.

Tentando uma tradução deste artigo que, baseada em meu atual nível de inglês (que não é lá essas coisas), pode não sair tão fidedigno quanto eu gostaria que fosse, contudo, a intenção é que conta.

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Costumamos dizer que o Egito é a pátria do mundo (Om El Donya), porém, nos últimos meses, existe a necessidade de mostrar ao mundo que isto está longe da verdade.

Passado os últimos anos, o Egito passou por uma montanha russa de eventos que tiveram impactos severos em todos os aspectos do cotidiano egípcio. Contudo, estes eventos ilustrados pela mídia como um período na história onde o Egito embarca em uma nova era. A “era democrática” trouxe um orgulho recém descoberto, quando os egípcios foram capazes de decidir seu próprio futuro.

A frase “Om El Donya” indica que o Egito é uma forte liderança no mundo, com os eventos da revolução de 25 de janeiro colocando o Egito no posto mais alto, ganhando o respeito de todos no mundo. Alguns afirmam ,ainda, que a Primavera Árabe motivou todas as ocupações e protestos.

Contudo, como os protestos de ocupação, a revolução de 25 de janeiro não foi muito longe. A democracia levou a um parlamento anti democrático e islâmico. Graças ao perfeito sistema democrático, não sabemos se Mohamed Morsy venceu as eleições presidenciais.

Ignorando aspectos políticos na realidade dos egípcios, será verdade dizer “Om El Donya”?

Comecemos pela economia. O pobre, cada vez mais pobre, especialmente por conta das revoluções, um evento inicado pela classe média (abraçado em seguida pela Irmandade Muçulmana). Percentual de inflação de 13,3% (o Egito ocupa o vigésimo posto no ranking de inflação), fato que trouxe aumento nos preços dos alimentos. Este é um grande impacto na pobreza, especialmente se levarmos em conta que a média de trabalhadores egípcios vivem com cerca de US$55 por mês. Piorando a situação, o desemprego alcançou 24,8%.

Até ai, tudo bem, vivemos claramente o sentimento de “Om El Donya”, liderando uma lista de forma pouco interessante.

O que dizer, então, da educação e da saúde?! Boas notícias, a expectativa de vida mediana egípcia subiu para 73 anos! Brincadeiras a parte, o Egito está na septuagésima vigésima primeira posição no ranking mundial. A taxa de alfabetização é desfavorável, cerca de 66,4% – septuagésimo quinquagésimo quinto no ranking mundial, com cidades como Sudão, Botswana, Algéria e mesmo a Líbia (com uma impressionante taxa de 97,7% da população alfabetizada) à frente. Isto significa que muitos dos eleitores egípcios sequer conhecem seus candidatos – simplesmente seguem ordens, ou são comprados por porções de ração para votar em qualquer um. Fato que não causa surpresa, se verificarmos cidades como a Líbia que, mesmo com seu elevado índice de alfabetização, eleger um parlamento liberal, ao passo que o Egito vota em uma maioria islâmica.

Além de tantos detalhes técnicos, o que a mídia fracassa em mostrar são as ruas do país que, literalmente, desaparecem. Os cidadãos egípcios vivem um momento de crise ética e moral. Desde o aumento dos assédios contra as mulheres do país e a queda da segurança (onde carros são roubados e crianças sequestradas) até as pilhas de lixo (a população despeja em qualquer lugar), ainda, o desrespeito contra oficiais de polícia (em várias ocasiões, cidadãos egípcios preferem linchar criminosos a ter de entregá-los para as autoridades).

Então, quando eu ouço a frase “Masr (Egypt) Om El Donya”, eu me pergunto “Em qual ano você vive?”

Alexandria não era um farol para o islamismo, mas um farol de luz e intelecto. A arte e o cinema egípcio eram um centro cultural da África e Ásia. As Libras egípcias tinham grande poder monetário no mundo, além de uma forte diplomacia na África, meio oeste e para o resto do mundo. Cristãos, muçulmanos e judeus costumavam viver harmoniosamente, cada um em seu lugar. Nós construímos grandes maravilhas.

O ponto é, nós éramos “Om El Donya”, e nós costumávamos ser uma força de liderança, mas não é mais possível crescer. Com esforços, dedicação e visão suficiente, o Egito pode tornar-se novamente “Om El Donya”. Em vez de simplesmente acreditarmos que entramos em uma era onde egípcios tornaram-se capazes de decidir sobre seu próprio futuro, egípcios precisam mostrar isto ao mundo. O primeiro passo é reconhecer a dura realidade que muitos preferem ignorar.

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