Grandes boçais da história – Parte 02

Dando continuidade ao processo iniciado a muitos carnavais passados, os bocais que surgem durante nossa peregrinação terrestre não param de tentar emergir sobre as massas que, acreditam, estão ali apenas para admirá-los. Deixando claro logo de início que minha intenção aqui é apenas expor o viés egocêntrico alimentado por estes indivíduos em algum momento da vida, fato que não os isenta de seus grandes feitos.

Neste post pretendo apontar eventos na vida de cada indivíduo descrito aqui que tenham grande relevância para nossa discussão. Não me prenderei muito aos fatos contidos nas histórias de cada um, já que nossa intenção é somente a abordagem aos instantes em eles deixaram sua postura magnífica e interessante na história, tornando-se meros gabolas cretinos. Agora aproveite a leitura, qualquer coisa, comenta aí.

ULISSES – REI DE ÍTACA
Ulisses é um dos inúmeros heróis que vão até Tróia para chutar bundas troianas. Rei de Ítaca (um rei de proporções bem menores do que Agaménone) aparece na Ilíada e na Odisséia. Porém, todo o seu intelecto e habilidade com a espada serão tão úteis em sua guerra particular contra o imortal treme terra Poseidon (rei dos mares) quanto uma camisa gola polo rosa seria útil para deter um trem bala em movimento.

Ulisses é perfeito para ilustrar um artigo que versa sobre malditos bocais. Não sei como não lembrei dele no primeiro post.

Conhecemos Ulisses na homérica “Ilíada”, que versa um pouco da mítica rotina de uma guerra total entre inúmeros reis guerreiros contra Tróia, uma cosmópole erguida pelos deuses. Terminada a guerra com a ajuda da ideia de seu cavalo de pau, Ulisses surge na “Odisseia” proclamando auto-suficiente diante dos deuses, em um claro ataque de boçalidade. O deus dos mares, Poseidon, exigiu retratação por parte do pequenino diante dos eternos campeões. O fato é que Ulisses desafiou não apenas um deus, mas o deus dos mares e era Poseidon que ajudava os gregos nos momentos de aflição. O rei de Ítaca achou que seria uma boa dar de ombros com tais argumentos, deixando o deus a ver navios.

Porra Ulisses, dois grandes erros no mesmo dia?!

Os eventos que ocorrem em seguida fazem crer que a “Odisseia” é um tratado detalhado da Lei de Murphy. Simplesmente tudo dá errado na vida de Ulisses. O que podemos resumir dessa ópera é que nosso destemido rei passou dez anos descendo o cacete nos troianos, depois mais dez anos comendo o pão que Poseidon amassou, e olha que nem vou comentar o problema de ser transformado em um velhote de merda e ter que ver sua linda esposa, madura e desejosa, ser cortejada pelos mais diversos poltrões de seu reino.

O momento onde Ulisses resolve podar seu ego inflado não é certo, mas as oportunidades são várias. Temos o momento onde Calipso é esculhambada por Hermes e resolve ajudar, temos o momento onde Poseidon dá uns toques sobre humildade quando Ulisses resolve escapar sozinho da ilha e o momento onde o rei dá de cara com seu fiel cão Argos, já velho e acabado, ainda protege sua casa mesmo após vinte anos. Diante de tantos eventos, o rei de Ítaca retomou as rédeas de sua vida, voltou-se para a seu objetivo com extremo orgulho de suas conquistas, ao menos melhorou seu comportamento.

NABUCODONOSOR II – REI BABILÔNICO/CALDEU
Talvez Ulisses não seja realmente o cretino mais arrogante da história, o rei babilônico retratado na Bíblia esmagou a Palestina e Jerusalém aos 20 anos, presenciou Daniel saindo da fornalha ardente com seus irmãos judeus cativos na Babilônia estruturada com tijolos que levavam seu nome e levou um baita puxão de orelha do próprio deus Hebreu por suas constantes pisadas na bola. Enfim, é um páreo duro para liderar nosso ranking que não é dos mais bem quistos.

O rei babilônico em questão é Nabucodonosor II. O filho de Nabupolasar tem todos os pré-requisitos para ser o mais maldito e arrogante boçal que podemos imaginar, visto que este e a maioria de sua família acabaram por tirar o próprio Deus hebreu do sério.

De pilhagem em pilhagem no mundo das batalhas, foi consagrado rei e entrou triunfante pelos portões de Ishtar. Com a vitória da Babilônia sobre uma Jerusalem pulverizada, os judeus mais ilustres foram espoliados e ocuparam cargos de destaque, porém, a adoção dos costumes e deuses do lugar era exigência. Daniel da tribo de Judá, agora cativo da Babilônia, interpretava sabiamente os sonhos que perturbavam as noites do rei da Babilônia. Basicamente, todos os sonhos sugeriam ponderação e humildade.

Um dos sonhos, muito interessante por sinal, mostra uma estátua gigante de um homem (provavelmente Nabucodonosor II) cujas partes do corpo são feitas de vários materiais. A interpretação de Daniel era de que o reino da Babilônia seria repartido entre vários povos.

O temperamento egocêntrico e audacioso de Nabucodonosor II sossegou por um tempo, depois de ver o quanto era grande o poder do Deus hebreu que não tem nome nem forma. Deus tirou a sanidade do rei babilônico e o deixou em meio aos animais, sua doença mental é seria a Licantropia. Salvo engano, passou oito anos doente, mas Deus devolveu sua sanidade. Morreu aos oitenta e quatro anos.

XERXES I – REI DA PÉRSIA
Neto de Ciro, o grande (aquele que devolveu os judeus cativos a uma nova Jerusalém), Xerxes é retratado indelicadamente pelas mídias atuais como um gigante afrescalhado egocêntrico. Na verdade, acredito que Xerxes I não deveria estar nesta lista, mantenho o referido rei por aqui apenas para fazer justiça.

Filho de Dário I (não confundir com o Dário que enfrentou Alexandre, o grande), ingressou na vida militar com o desejo de realizar os objetivos de seu pai (conquistador da a Trácia e a Macedônia e a Cítia), logo que perdeu a famosa Batalha da Maratona. Xerxes I foi afrontado por Leônidas I e seus 300 espartanos por três dias.

Até onde sei, Xerxes I não parecia em qualquer coisa com o seu equivalente nas histórias em quadrinhos de Frank Miller. Tratava-se de um rei como qualquer outro, com ambições pertinentes a um rei de sua época. Dedicou seus últimos anos de reinado a embelezar a cidade erguida por seu pai, Persépolis (destruída parcialmente por um incêndio de causas atribuídas a Alexandre, o grande).

TRASÍMACO – SOFISTA
Este daqui é da Grécia, não é muito famoso, mas serve bastante para ilustrar este post. Trasímaco nasceu na Bitínia,  era um sofista contemporâneo de Sócrates e considero-o um filho da puta convicto. Os filósofos eram diferentes dos sofistas, visto que estes últimos cobravam para compartilhar seu conhecimento com os menos sabedores de sua época e muitas vezes limitavam-se a convencer o seu interlocutor sobre seu ponto de vista. Independente desse ponto de vista estar certo ou não. Muitos comparam os sofistas de outrora com os advogados de hoje, aliás, há quem defina Trasímaco como um crachá de advogado.

Aqui eu tiro o meu da reta.

Trasímaco não teve uma notória significância, diferente de Sócrates e cia., ele teve seus tratados publicados e tal (procure na internet), mas este sofista também era famoso por tornar-se inflamável e de olhar penetrante, quando afrontado. Seu ponto de vista partia de conceitos interessantes para uma sociedade meritocrática, ou seja, sobe na vida quem tem mais grana. Dizia-se que ele tinha olhos de lobo. Conta a lenda da época que, quando se está diante de um lobo, deve-se encará-lo primeiro, pois, caso seja surpreendido encarado por um lobo, seus movimentos serão neutralizados.

O referido sofista era inflamado em suas discussões e detestava quando Sócrates valia-se da sua mais famosa arma de retórica: A Maiêutica. Para quem não sabe, Sócrates gostava de expor seus rivais ao ridículo (só Deus sabe o motivo). A Maiêutica, basicamente, era formada por uma bateria de perguntas que levavam seu rival a contestar suas próprias ideias ou levá-lo a um momento em que ficaria sem argumentos para defender sua proposta inicial (fato que lhe rendia muitos inimigos), seguindo por outra bateria de perguntas (Sócrates não respondia nada, apenas perguntava concluía a opinião de seus rivais) que conduziam o cidadão a formular uma nova concepção da ideia inicial, fazendo um “parto” de conhecimento (maiêutica significa “dar a luz”, baseado na profissão de sua mãe que era parteira). Talvez excetuando a vergonha de ser derrotado em público, Trasímaco teria matado Sócrates na casa de Pireu, pai de Glauco, lugar onde ocorreu toda a contenda.

Sócrates tinha alguns parafusos soltos sim, eu concordo, só não precisa espalhar.

JUDAS – APÓSTOLO JUDEU
Sobre este daqui eu já comentei em outra oportunidade, porém, vale ressaltar sua condição de “ferramenta que desencadeia a vontade divina”, igual ao ocorrido com o Severino de Aracaju no filme O alto da Compadecida.

GILGAMESH – REI SUMÉRIO
Lembrando que este post limita-se a apontar eventos nada honrosos na vida de grandes homens da história. Muito provavelmente minha referência sobre o rei de Uruk não é das melhores, portanto, não tenho muita certeza se ele deve realmente estar nesta lista. Qualquer coisa, comenta aí.

Gilgamesh é catalogado como o quinto da primeira dinastia de Uruk, aparece em uma série de versos e poemas sumérios e conta a história de Gilgamesh e Enkidu derrotando o temível Ada, rei da dinastia Kish e Gilgamesh procurando da imortalidade. Conta-se que Gilgamesh não era um exemplo de monarca, conforme apontado acima. Diante de tanto pavor por parte dos homens, além das constantes reprovações por parte das divindades, a deusa Ninhursag (deusa mãe que se relacionou secretamente com Enki) cria Enkidu, homem primitivo e bestializado, dotado de todos os atributos que detinha o rei de Uruk excetuando a arrogância, pois era moldado do barro e criado pelos animais, desconhecia a sociedade humana.

Entenda Enkidu como um Tarsan da Mesopotâmia.

O rei de Uruk pintava o sete até a chegada de Enkidu em seus domínios. Grande batalha houve entre eles, até que a amizade nasceu e Gilgamesh tratava seu mais novo compadre como um igual e isso quer dizer Banquetes no templo, jogos e até mulheres. Claro que a natureza humilde e desprendida de Enkidu não lhe permitia gozar de 90% dos privilégios da corte. Seja como for, a arrogância de Gilgamesh acaba quando Enkidu morre, transtornando seu grande amigo. O resto da obra suméria retrata o poderoso rei de Uruk correndo atrás da imortalidade.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Luciana disse:

    hauhauhauahuahuaha….
    Muito bom!

    Curtido por 1 pessoa

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