Caça de baleias – Conheça o ritual Grindadráp

Você já deve ter visto a imagem acima inúmeras vezes, seja vagando pela internet, seja recebendo aqueles e-mails que você não tem a menor ideia de como eles te descobriram, seja pela TV. Enfim, duvido muito que imagens assim não tenham circulado pelo seu cotidiano pelo menos uma vez. A internet oferece inúmeras explicações para o caso, porém, a coisa é mais simples do que se imagina. Trata-se de um ritual ancestral originado dos antigos Vikings e ainda insiste em sobreviver em uma pequena vila nas ilhas Faroes. As baleias-piloto são presas e assassinadas, sua carne é distribuída para a população local e seu sangue dá uma noção de que a brutalidade e irracionalidade humana pode ser uma cicatriz bem feia e ostentada com virilidade.

Hoje você conhecerá um pouco mais sobre o Grindadráp.

O QUE XAVASCAS É GRINDADRÁP?

Há uma crença muito forte nas ilhas Faroes (Atlântico Norte), oriunda de costumes dos antigos vikings, uma prática que vem se mantendo até os dias de hoje carregando um senso cultural forte, violento e (acima de tudo) intrusivo ao meio ambiente. Mesmo para esta pequena população, existe a dificuldade da extinção de tamanha barbárie, não apenas pelos fortes laços culturais, mas, principalmente, por sua desvinculação ao estado dinamarquês.

A carne obtida com a matança da baleia-piloto é repartida com todos os moradores e o evento é repudiado por inúmeros órgãos do resto do mundo, mas é autorizado pelas normas locais.

O Grindadráp, do dialeto nórdico antigo, significa literalmente Matar Baleias. Não há muito o que dizer.

O LOCAL DA MATANÇA
As ilhas Faroes ou Féroes, ambos corretos (etmologicamente “Ilha das Ovelhas” – seu brasão é uma ovelha)é um território no Atlântico Norte, mais precisamente entre a Escócia e a Islândia. Trata-se de um arquipélago de 18 ilhas grandes e pequenas, ainda assim, ilhas. Falamos de um território independente, a Dinamarca bem que tentou, porém, em 1948 a autonomia do governo foi instaurada. Claro que ainda hoje perduram impasses políticos na região.

A geografia do lugar não é muito favorável. Rochoso e acidentado, ainda tem a questão climática que é bastante ofensiva aos moradores. oscilando estas entre os 0,3 °C em janeiro e os 11,1 °C em Agosto. A média anual é de 6,7 °C. A amplitude térmica é assim muito reduzida, com verões frescos e invernos suaves.

E venta pra caralho por lá.

PROCEDIMENTOS
Nada de pesca predatória. Os participantes (os próprios moradores do lugar) enfatizam que trata-se de um evento cultural e não tem qualquer perspectiva econômica/financeira, ou seja, não visa lucro, pois a carne é repartida para todos os moradores e, pela questão cultural, a caça é aberta para quem quiser participar. A ideia é não mexer muito na tradição, uma vez que nossa tecnologia mudou qualquer coisa do tempo dos vikings pra cá, permite-se apenas a entrada de pequenas embarcações. As maiores não são autorizadas.

Ocorre toda uma estratégia para iniciar a matança. As baleias-piloto são encurraladas e mortas. Neste momento, o maquinário industrial também é dispensado, nada de arpões ou redes de arrasto, o negocio aqui é à moda antiga. Os moradores se valem de alguns ganchos especiais, confeccionados para a prática do Grindadráp e arrastam a baleia-piloto para a praia, onde seu nervo central é cortado, visando destruir o canal que  o cérebro usaria para interpretar tudo o que virá na sequência como dor. A população recebe os pedaços recém-fatiados e tudo é muito bem visto.

Você, sendo um cetáceo de pequeno porte, é encurralado com sua família, arrastado para a praia por pessoas que você nem sabia que existiam, tem seu cérebro danificado a ponto de ser esquartejado e ainda tem consciência para ver seus pedaços ofertados a mais indivíduos que você nunca viu e que não fazem falta.

CULTURA
A questão cultural aqui é pertinente e merece reflexão. A prática de um ritual tão sanguinário e sem qualquer necessidade, ao meu ver, não cabe e deveria ser extinta (ainda que atinja a culturalidade do povo) e sua agressividade devia ser repudiada por ser injustificável, visto que nossa linha de comércio e abastecimento alimentício alcança tudo e todos.

Excetuando aos países mais carentes de recursos, claro.

Verificando a literatura local, temos o testemunho de Samuel Rathbone,escritor que relatou a matança das baleias-piloto nas ilhas faroes em 1854. Na pintura,  Samal Joensen-Mikines é primeira pintora profissional das ilhas Faroes. Tais práticas culturais são ferramentas que formalizam e aprimoram a culturalidade em qualquer época de qualquer sociedade, enfatiza o Grindadráp e reforça a necessidade do referido ritual na vida dos cidadãos das ilhas Faroes. A prática e manutenção do sanguinolento ritual vem em verso, quadros e até mesmo em discursos políticos.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Ingrid disse:

    Bando de v*********, poxa

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  2. Mônica Muniz disse:

    Isso é uma atrocidade inaceitável, inexplicável e REPUGNANTE! Estou indignada. Experimento neste momento um sensação profunda de impotência e revolta! Que terrível cultura é essa, meu DEUS? Isso é, sem dúvidas, um dos piores, senão o MAIOR ritual que já ouvi falar em toda a minha VIDA!!!
    Vou repassar essa matéria para os meus amigos, e tentarei divulgar para o máximo número de pessoas possível…
    Ainda não consigo acreditar em tamanha barbárie! (Tomara que este GRINDADRÁP seja extinto, tomara!)
    Vou orar para que esses MONSTROS tenham seus corações sensibilizados, não podem ser justificados por uma cultura tão BABACA – deveriam ser submetidos a um TRATAMENTO, pois só podem estar DOENTES ao sustentarem tão GRANDE CRUELDADE!

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  3. Cavalheiro disse:

    Acho q é a tradição dos caras, eu como churrasco todo final de semana, nao ando preocupado com a barbarie dentro dos frigorificos, como e gosto mto… Se as baleias sao distribuidas como alimento e o povo come sem desperdicios, tudo bem ….. não acho a atitude condenavel .

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  4. Tartini disse:

    “A geografia do lugar não é muito favorável. Rochoso e acidentado, ainda tem a questão climática que é bastante ofensiva aos moradores.” Me parece que não tem como criar e matar toneladas de gado como fazemos por aqui. Ao menos lá existe toda uma tradição cultural envolvida, aqui o gado é morto sem nenhuma pompa e circunstância.

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