Animais míticos – Xanto e Bálios

E estamos voltando, depois de ano, com postagens Mitológicas, mais especificamente sobre animais míticos.

Hoje falaremos novamente de animáis citados na Literatura Homérica, como ocorreu com a postagem sobre o cão Argos, o Molosso do rei de Ítaca. Agora é a vez do animal mais elegante que eu consigo imaginar.

Cavalos.

Um pouco sobre Cavalos

Talvez alguma criatura já extinta seja mais linda do que um cavalo trotando, mas ainda que tal criatura seja algo que habita o os meios de divagação, o cavalo ainda é o animal mais belo que conheço.

Cavalos são legais, são vigorosos e causam um efeito hipnótico fascinante, sem falar que graças aos Equinos que conseguimos destilar o soro antiofídico, fato que já comentei neste blog.

Agora pare o que está fazendo e pense no assunto: Todos os grandes heróis usam um cavalo. O capacete do Seiya de Pegasus era o mais legal, temos o He-Man com seu cavalo robô Stridor, cada um dos Galaxy Rangers tinha um cavalo robô , também tem o Cavalo de Fogo, montaria oficial da princesa Sara que, além de rápido e destemido, tinha a voz do Robocop…

… fato que o deixava ainda mais legal.

Cavalos também são ágeis no tabuleiro de Xadrez, onde a peça que se move em L oferece perigo para o melhor dos enxadristas. Sem falar no Maior e mais conhecido movimento estratégico (seguido de uma vitória épica) de todos os Tempos: O Cavalo de Tróia.

Falando na guerra de Tróia…

A história de Xanto e Bálios

 

Conforme conversado, sempre houve um potente equino relinchando ao pé do ouvido de grandes Heróis e na Grécia mais do que antiga não foi diferente.

Justamente em Troia verificamos a presença de Aquiles de pés velozes (o aqueu mais poderoso e amedrontador que temos notícia), formidável guerreiro, detentor de armas divinas, belo físico invejável e vaidoso artista (tocava, cantava, pacote completo), líder do exército dos brutais e disciplinados Mirmidões, além de ser rico, bonitão e intelectual.

Aquiles ao Celular
Aquilles de pés velozes relaxando

O defeito do filho de Peleu era seu stress que, em dias de fúria, alcançava níveis mitológicos. Quando Aquilles ficava Puto, fazia aquele filme “Um dia de Fúria” parecer um passeio na Disney com tudo pago.

Voltando ao foco, Aquilles tinha cavalos imortais puxadores de sua carruagem de guerra. Presentes de Zeus potente ao velho Peleu, Xanto e Bálios eram filhos do vento Zéfiro e de uma Harpia (não tenho a menor ideia de como rolou essa gravidez). Como se não bastasse tantas qualidades para um único herói, Aquilles não se limitou a ter tão apenas um cavalo mítico, lindo, indescritivelmente poderoso e imortal.

Ele tinha dois.

Xanto e Bálios eram fortes

Enfim, ninguém conseguia segurar as rédeas dos imortais equinos, de tão fortes. Nem o fiel escudeiro e exímio Patroclo (o que mais se aproximava de Aquilles em seus parâmetros), nem o também potente Automedonte.

As lágrimas dos cavalos de Aquilles

Depois da morte de Patroclo (iniciadas por Febo Apollo, depois o perito lançador Euforbo Pantóida e liquidada a fatura pela lamina horrenda de Heitor doma-corcéis), os equinos ficam abandonados e choram ao ver o gentil e poderoso Patroclo ser despojado das armas divinas de seu mentor.

Exatamente, os Cavalos (além de míticos, lindos, indescritivelmente poderosos e imortais) também choram a morte do estimado amigo.

Não que eu seja um cuzão sem sentimentos, mas as lágrimas dos Cavalos é evento de extremo desatino aos olhos do Cumulador de nuvens. Zeus se arrepende, em alto e bom som para todo o panteão olimpiano ouvir, de ter dado os cavalos eternos ao velho Peleu, crendo que a imortalidade dos animais seria algo próximo de uma maldição, pois teriam de ver os homens de curta existência indo e vindo, morrendo e matando. Zeus potente, sempre muito oportuno em suas tiradas.

Falando em tiradas…

Xanto e Bálios preveem o Futuro de Aquilles

Quando Aquilles decide voltar ao campo de batalha, agora, para vingar o assassinato do companheiro Patroclo, os cavalos declaram que ele morrerá. Após uma rápida prece aos imortais Cavalos (pedindo uma ida e vinda em segurança da batalha), eis que Xanto lhe declara:

Certo é que ainda hoje te salvaremos, esmagador Aquiles. Mas próximo está o dia de tua perda; e não seremos nós os responsáveis, senão um grande deus e o rude Destino. Pois não foi por nosso vagar nem por nossa indolência que os Troianos, dos ombros de Pátroclo, lhe arrancaram as armas: mas o melhor dos deuses, que pariu Latona de formosos cabelos, matou-o na primeira fila, e deu a glória a Heitor. Acompanharíamos ambos o sopro do Zéfiro na corrida, embora seja, com dizem, o mais rápido dos seres. Mas tu, teu destino é ser vencido, à força, por um deus e por um homem.

Tenso.

Xanto e Bálio não apenas são corcéis míticos, lindos, indescritivelmente poderosos, imortais, e sentimentais, mas podem predizer o futuro. De forma curiosa, Aquilles não apresenta qualquer estranheza ao ouvir as palavras de Xanto, não é como se os cavalos por lá falassem tanto a ponto de fazer você sacar sua espada.

Vale ressaltar que até o final da Iliada (que termina com o funeral de Heitor) e o momento da Odisseia onde o astuto Ulisses encontra Aquilles e Patroclo no Hades, não temos qualquer menção sobre como o filho de Peleu foi morto, muito menos o paradeiro dos corcéis.

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1 comentário Adicione o seu

  1. EU MESMO disse:

    ESQUECEU DE MENCIONAR A SHE-RA, QUE TEM O CAVALO MAIS CONHECIDO DOS DESENHOS E QUE SERVIU, SEM DÚVIDA NENHUMA, DE INSPIRAÇÃO PRA SARA, NO CAVALO DE FOGO, POUCO CONHECIDO!

    Curtir

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