Mês da mulherada – Zuzu Angel

Mês da mulherada, sendo assim, falaremos sobre um filme em especial.

Neste espaço virtual já comentei sobre muita coisa, mas pouco falei sobre filmes (recentemente falei sobre o Oscar 2012 e o coito interrompido na premiação de melhor Canção Original) e acredito que a Sétima Arte bebe muito de mitologia e filosofia. O Cinema traz uma discussão mítica-filosófica e visa o amadurecimento moral usando o Filme (propriamente dito) para passar ensinamentos úteis de forma menos traumática.

Assim você evita de surtar atacando todos ao redor usando o pé da mesa do seu trabalho.

Fatores geradores de guerras e terror para uma antiga civilização podem ser expostos em um filme de modo a ajudá-lo a entender melhor o passado e antecipar-se para decisões futuras, visto que estes mesmos fatores podem ocorrer novamente.

Pensando nisso (cinema e em mulheres também, claro), achei que seria interessante comentar sobre um dos filmes mais fortes que já vi, sobre uma pessoa que excede todas as barreiras do Nacionalismo em nome do filho. O Filme é abrangente e envolvente, nacionalista, intelectualmente ativo e te faz pensar sobre as correntes políticas de nosso país, além de estar cheio da conhecida testosterona policial, além de perseguições de tirar o fôlego, porém, sem palavrões em excesso ou pornochanchada.

Não, não é Tropa de Elite, seu abestado.

Falo de Zuzu Angel.

Poster do filme Zuzu Angel

O FILME
Durante a Ditadura Militar brasileira, jovens estudantes idealistas compraram briga fervorosa contra o Estado. Aqueles que eram presos/capturados recebiam torturas tão brutalmente criativas e bizarras (em nome do Estado) que fariam a Santa Inquisição parecer um prazeroso passeio na praia.

A protagonista é Zuzu Angel (interpretada incrivelmente por Patricia Pillar), estilista famosa que vive o indescritível quando seu filho, Stuart Edgar Angel Jones (interpretado por Daniel de Oliveira), um estudante de economia da UFRJ com vida ativa nos movimentos idealistas estudantis, é preso e levado até a base da marinha brasileira no Galeão, torturado e assassinado em uma manifestação do grupo MR-8 no ano de 1971. O governo brasileiro nunca explicou onde foi parar o corpo do rapaz.

Com a intenção de saber a verdade sobre o ocorrido, Zuzu Angel enfrenta a Ditadura brasileira usando sua influência no exterior e sua criatividade no mundo da Moda.

O acidente de carro que resultou em sua morte também nunca foi explicado pelo governo brasileiro. Aliás, antes de morrer, Zuzu Angel deixou uma carta para o intelectual Chico Buarque de Holanda ligando sua morte (seja por acidente ou similares) aos assassinos de seu amado filho.

O filme tem uma carga emocional forte, focado na ideia de fazer o brasileiro levantar de sua poltrona e pensar no passado do País.

De tão bom e inquietante, nem parece filme brasileiro.

A PERSONAGEM
Estilista brasileira nascida em Minas Gerais, mudou-se para Belo Horizonte e iniciou sua grande saga costurando para primas. Logo mudou-se novamente, agora, para a Bahia (terra de todos os santos) onde viveu a juventude, saindo depois para o Rio de Janeiro nos anos 50, nos anos 70 abriu uma loja em Ipanema, que logo ganhou notoriedade.

Sua marca registrada era um anjo sorridente.

A estilista chamou a atenção por abusar de cores, rendas, pedras características do Ceará e que davam um ar bem brasileiro, ganhou a confiança de pessoas ricas e influentes por sua competência e ambição. Reza a lenda que, quando da vinda da rainha Elizabeth ao Brasil em 1968, a Primeira Dama encomendou com Zuzu Angel uma capa para presentear a monarca, porém, o presente acabou sendo uma joia.

A tal capa nunca foi entregue, só Deus sabe o motivo. Entre uma vitória e outra, conheceu o americano Norman Jones, com quem se casou e teve um filho: Stuart Edgar Angel Jones.

Patricia Pillar como Zuzu Angel

UMA MULHER DE CORAGEM
Após descobrir a morte do filho por intermédio de uma carta escrita por um dos detidos durante manifestação, Zuzu Angel inicia sua perseguição pela Verdade, durando anos de sofrimento e insistente batalhas contra a Ditadura Militar brasileira.

Stuart Edgar  Angel Jones era estudante de economia na UFRJ e atleta do Clube de Regatas do Flamengo, inclusive, Stuart foi homenageado em dezembro de 2011 pelo referido clube, seu nome enche o clube do Flamengo de orgulho. Ele também era militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), um grupo de ideologia socialista fundado em 1964 em Niterói (RJ), cujo nome anterior era Dissidência do Rio de Janeiro.

São muitos eventos que eu poderia falar, mas gostaria de expor um em particular (fiquei apaixonado pelo evento devido a sua ousadia e estratégia dignar de um Militar antigo). Visando conscientizar a sociedade estrangeira dos horrores ocorridos por estas bandas, a estilista criou um desfile cujas peças de roupa tinham desenhos que evidenciavam armamento e vestuário militar criados com utensílios infantis.

A estratégia se faz perceber quando entendemos que a política brasileira era muito melindrosa na época, considerando crime o demérito ao Brasil e seus honrosos governantes, seja dentro do próprio Brasil, seja no exterior. A estilista, muito inteligente e influente, organizou o desfile (entitulado Hollyday and Resort – International Dateline Collection II) na casa do Consul Geral brasileiro nos E.U.A. lugar considerado território nacional. Anida, Zuzu Angel usou um longo vestido preto com cerca de cem cruzes em seu cinto, além de um anjo de porcelana no pescoço.

Na ocasião, o anjo alegre (que era sua marca) foi substituído por um anjo negro entristecido.

CONCLUSÃO
Para um filme que apresenta um apelo emocional tão forte e um nacionalismo gritante durante 110 minutos, ouvir a música Angélica de Chico Buarque de Holanda e descobrir que este foi sua homenagem, fica um pouco difícil não se emocionar. Muitos criticam a postura do filme, meio que “em cima do muro”, sem definir quem matou, de fato, a Protagonista, mas o assunto ainda é polêmico e não é interessante para a Produção do filme apontar o dedo na cara dos outros.

Por mais evidente que seja a resposta.

Entendam que criar um Filme, conforme já comentei acima, pode tornar-se frustrante para qualquer produtor quando se discute a questão “baseados em fatos reais”. A coisa pode tornar-se ainda pior, se levarmos em conta que uma adaptação para as telonas (seja sua fonte original um livro, desenho, um Game ou qualquer outra coisa), é normal ouvir queixas/milindros sobre algo abordado no Filme (abordado de mais ou de menos).

As pessoas esquecem que o filme tem um foco e, neste caso, é criticar a Política do Brasil durante a Ditadura, além de expor o amor de uma mãe que gera uma força de proporções bíblicas, quando percebe perigo para seu amado filho e este, sim, deveria ser o Amor do País pelos seus filhos, afinal, não fugimos à luta.

Caso não tenha gostado do artigo, pode criticar, afinal, também temos um Foco. Aproveitem e vejam o site do Instituto Zuzu Angel, criado pela filha da mesma.

Ficha Técnica

Título original:  Zuzu Angel
Gênero: Drama
Duração: 110 min.
Lançamento (Brasil): 2006
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Sérgio Rezende
Roteiro: Marcos Bernstein e Sérgio Rezende
Produção: Joaquim Vaz de Carvalho
Co-produção: Warner Bros.
Fotografia: Pedro Farkas
Desenho de produção: Laís Chamma e Mílton Pimenta
Direção de arte: Marcos Flaksman
Figurino: Kika Lopes

Elenco

Patrícia Pillar (Zuzu Angel)
Daniel de Oliveira (Stuart Angel)
Luana Piovani (Elke Maravilha)
Leandra Leal (Sônia)
Alexandre Borges (Fraga)
Ângela Vieira (Lúcia)
Ângela Leal (Elaine)
Flávio Bauraqui (Mota)
Paulo Betti (Lamarca)
Nélson Dantas (Antônio Lamarca)
Regiane Alves (Hildegard Angel)
Fernanda de Freitas (Ana Angel)
Caio Junqueira (Alberto)
Aramis Trindade (Tenente)
Antônio Pitanga (Policial)
Elke Maravilha (Cantora do cabaré)
Ivan Cândido (Capelão)
Othon Bastos (Brigadeiro)

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1 comentário Adicione o seu

  1. nicolly disse:

    Otimo adoorei !!! gosto muito deste filme e vcs fizeram um resumo genial !! beijoss adorei muito ;D

    Curtido por 1 pessoa

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