QUASE 3 MESES SEM CHRISTIANE DESROCHES

Esta é uma noticia que passou despercebida pelos brasileiros menos “antenados”, também pudera, com tanta coisa para se preocupar (A Fazenda e o assassinato da Norma na novela), é natural que este evento tão triste não seja capturado pela mentalidade tão exigente e moderna igual a do brasileiro. Ao menos o povo brasileiro está interessado na faxina que a presidente Dilma anda promovendo em seu governo, inclusive, varrendo muito bem debaixo do tapete.

O que me preocupa é que, se limpar demais, vai acabar descaracterizando o local.

Enfim, vamos ao post de hoje.

Esta senhora da foto, de olhar severo chamava-se Christiane Desroches-Noblecourt, responsável pela conservação de antiguidades morreu aos 97 anos de idade, no dia 24/06/2011. Já faz mais de dois meses que uma das maiores colaboradoras da arqueologia egípcia nos deixou e foi apra o Amenti.

Pouca gente se importou com isso, eu sei.

Para quem não sabe, esta senhora protegeu, se não me engano, 24 templos egípcios (incluindo o famoso templo de Abu Simbel esculpido em rocha a mando de Ramsés II) que estava fadado a desaparecer por conta da construção de uma barragem em Assuã, na cidade de Assuã (óbvio, besta!), no sagrado rio Nilo.

NÃO SEJA BURRO, ENTENDA A NOTÍCIA
A tal represa fica em Assuã e foi projetada pelos britânicos ainda em 1899. O projeto era ousado, sem dúvidas e prometia terminar tudo em duas fases. A barragem teria cerca de 54 metros e quase 2 quilômetros de extensão. Parece pouco, mas é o mesmo tamanho da ponte projetada pelo Terminal do Pecém (Ceará) leva até o pier. Atualmente o projeto da barragem em Assuã excede os 3 quilômetros, com o auxílio financeiro da URSS, que custeou um terço da obra.

O problema é que, após a conclusão da segunda fase, viu-se a necessidade de criar outra barragem (6km acima da primeira) e a área projetada atingiria o templo de Abu Simbel (templo de Ramsés II citado na bíblia dos católicos). A situação deu margem para uma série de problemas que variavam desde a falta de recursos e até conflitos armados. Esta senhora promoveu, então, algo ainda mais ousado do que o próprio projeto da barragem de Assuã: Transladar o templo de Abu Simbel para fora do alcance da barragem.

Agora pare tudo o que estiver fazendo.

Sério.

Pare tudo, e pense por alguns instantes. Você tem ideia do que esta senhora propôs? Transladar um monumento com mais de 3.000 anos de idade, esculpido em um único pedaço liso de rocha com quase 40 metros de largura e 33 metros de altura. Ninguém ousaria pensar em propor qualquer coisa dessa magnitude, ainda mais por em prática. Pensar em dar tudo certo, então… irrelevante.

Talvez, se você tiver o raio encolhedor da animação “Meu Malvado Favorito”, aí pode dar certo.

Christiane Desroches conseguiu isto tudo e ainda salvou outros templos da destruição e pavimentou o caminho para a construção da barragem. Além disso,  ela foi responsável pelas Antiguidades Egípcias no Museu do Louvre durante 50 anos e era uma das grandes especialistas em Ramsés II. Foi também uma das promotoras em Paris da monumental exposição sobre esse faraó, em 1976, uma década após ter organizado a grande mostra sobre Tutancâmon no Louvre, visitada por mais de 1 milhão de pessoas.

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