Animais Míticos- Argos (cão do rei Ulisses)

Hoje abriremos uma nova aba neste excêntrico e visionário espaço virtual, pretendo apresentar os animais que fizeram parte do cotidiano das principais Personalidades do Mundo Antigo, Literatura…

Enfim, todo mundo gosta de Animais e se você não gosta, vá se tratar com um Profissional.

Animais são legais, são úteis pacas (independente da situação) e na opinião deste que vos fala, sempre serão bem vindos.

A construção do registro histórico está repleto de Heróis e muitos destes se apresentam acompanhados por animais fortes, íntegros, destemidos e valorosos também (mais do que muita gente atualmente).

Hoje é o dia deles e vamos conhecer o Argos, o galgo do rei Ulisses (Odisséia).

ARGOS – O GALGO DE ULISSES
Animais Miticos - Argos (Imagem retirada do Wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Argos_(c%C3%A3o))
Animais Miticos – Argos (Imagem retirada do Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Argos_(c%C3%A3o))

Não tenho certeza da dimensão que cada um dos meus (oitenta e sete) leitores tem da Odisséia, um dos principais Poemas Épicos da Grécia Antiga (eu, particularmente, prefiro a Ilíada).

Mas eu gosto sempre de apontar que os Indivíduos registrados ali (no caso, Ulisses, o rei de Ítaca) são dotados de características de fácil identificação.

Por exemplo, Ulisses tinha um cachorro.

Sendo um grande guerreiro de sua época, Ulisses não estaria completo sem um aliado na caça e um protetor fiel e vigoroso para seu lar (construído com suas próprias mãos), e é nessa hora que entra o tal do bicho.

Argos era um cão da espécie Galgo e era jovem e vigoroso quando Ulisses viajou para a guerra de Tróia. Porém, na certeza da volta de seu amado dono, o pobre cão esperou.

Argos também teve problemas com a chegada dos pretendentes de Penélope. Glutões arrogantes decididos a tomar a mão da bela rainha e abarcar o reino de Ítaca sem ter sequer metade dos feitos de bravura e astúcia registrados no curriculumde Ulisses.

Maltratado, velho e cheio de doenças, ainda assim o cão esperou o retorno do dono. Depois de longos vinte anos, esperando no mesmo lugar todos os dias, Argos contempla seu amado dono regressar na pele de um velho doente transfigurado pela deusa Atena. Ainda assim, Argos reconheceu Ulisses e mostrou ainda um tanto de vigor diante do dono, foi um bom menino e cuidou da casa.

TRECHO DA ODISSEIA ONDE ULISSES ENCONTRA ARGOS

“Assim falavam ambos entre si, quando um cão, deitado,ergue a cabeça e as orelhas; era Argos que, outrora, o valoroso Odisseutreinara, sem disso tirar prazer, já que tivera antes que partirpara a santa Ílion. Com os rapazes o cão passara a vida atrás dos cervos,lebres e carneiros selvagens. Mas agora, com o chefe ausente, fora largadoali, numa estrumeira diante do portal, onde se fizera o depósito de adubo,que bois e mulas forneciam as criados de Odisseu, quando tinham de buscarfertilizantes para seus vastos domínios. Assim jazia o velho Argos, cheio de parasitos.Então, como reconhecesse Ulisses, bem perto dele, abanou a caudae abaixou as orelhas, falto de forças para alcançar o dono.Mas o herói o vendo, enxugou uma lágrima, que lhe. escapara sem que Eumeua percebesse. E bem depressa dirigiu-se ao outro:’Eumeu! Que estranho cão é esse na estrumeira! Que belas linhas!Mas já nao posso saber se era tão rápido na corrida quanto parece belo.Ou talvez nao passasse de um desses cães ao pé da mesa, de quem os reisse ocupam nada mais que para exibi-los?’E tu, porqueiro Eumeu, assim lhe respondeste:’É o cão daquele chefe que morreu longe de nós. Se o tivesses visto,em plena força, no dia em que Odisseu, partindo para Troia, o abandonou,bem louvarias seu vigor e rapidez! Jamais, nas profundezas da floresta,nenhum bicho feroz lhe escapou, tão depressa o visse. Que grande farejador!Mas hoje é presa da decadência; e o real dono pereceu alhures, longe da pátria.As mulheres já não cuidam natais dele; sao negligentes, pois servidores,logo que os patrões não mais exercem sua autoridade, também não queremtrabalhar com zelo. É que Zeus, de voz tronitroante, reduz à metade o méritodo homem sobre quem se abate o dia da servidão.’Assim falando penetrou nos aposentos senhoriais e, indo diretamenteao salão, aí encontrou os pretendentes. Já então Argos recebera a negra morte,cumprindo seu destino logo após rever Odisseu, vinte anos depois que ele partira.”

O cão Argos morre logo após a entrada de Ulisses em seu palácio. Ao ver seu fiel companheiro canino em tamanha humilhação, Ulisses chora.

Tu é doido, macho, essa parte é triste pra porra!

Aos poucos, o orgulhoso rei de Ítaca percebe a tomada de tudo o que conquistou por seus próprios meios. As lágrimas derramadas após a partida do seu Valoroso Galgo demonstram grande apego do astuto articulador do famoso Cavalo de Tróia, foi uma das perdas mais sentidas em sua Guerra contra os deuses olimpianos ao ostentar uma Autonomia egocêntrica.

Sério, pensa um pouco nisso: O cara não chorou nem durante a surra que Telêmaco levou e chora feito uma criança ao ver Argos morrer na porta do Palácio…

… se bem que o rapaz precisava daquilo, ele era muito mimado.

E ficamos por aqui… poisé, fiquei de falar sobre Argos e se eu fosse falar da Odisseia, pode inventar tempo. Pretendo comentar (quando juntar material legítimo e interessante o suficiente) sobre os animais  da Literatura, História, Poemas e se você puder ajudar, manda ideias aí nos comentários ou e-mails, afinal, sempre alguém se interessa por este tipo de coisa.

Não me peça para falar sobre a coruja do Harry Potter, por favor!

Não esqueçam do entusiasmo de sempre.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Muito legal, obrigado. Diga umas palavras sobre o asno do Apuleio.

    Curtido por 1 pessoa

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