Um delírio sobre a despedida do “fenômeno”

Muitos dos meus (trinta e oito) leitores devem estar se perguntando neste exato momento porque chavascas este impetuoso e proeminente espaço virtual, dedicado a declarar com apreço e extrema riqueza de detalhes os momentos históricos de várias civilizações, estaria a falar de futebol.

Mais necessariamente sobre um jogador esplêndido e ofensivo que terminou sua carreira gordo, sedentário e que mantém como arauto, o chato Galvão Bueno.

Eu julgo necessário apontar este evento, visto que Ronaldo “fenômeno” é, de fato, um dos maiores jogadores de nossa época, não estou usando de demagogia nem mesmo babando o cara (ele deve ter um escritório gerenciado pelo Galvão Bueno só pra isso). Acontece que tive a oportunidade de verificar seu crescimento nos gramados, seus gols e seu sofrimento quando lascou o joelho.

Também tenho o joelho lascado e posso afirmar que, quando isso acontece, não há herói que dê jeito.

Vendo o jogo de ontem, pude ver um momento pelo qual provavelmente nem o próprio Ronaldo “fenômeno” esperava: Ao jogar menos do que um pai de família costuma jogar no final de semana, perder três gols feitos na cara do goleiro (peraí gente, o camisa 19 teve três oportunidades parecidas e marcou um, e olha que olha que eu jogo mais do que ele), Ronaldo foi tomado por uma risada constante e frustrada. Parecia envergonhado e eu diria até que ele rezava pro mundo acabar a qualquer momento, apenas para não precisar justificar aquilo que deveria ser sua despedida com chave de ouro…

… e não foi.

Posso estar divagando, mas a carreira do Ronaldo lembra muito a trajetória do herói grego, percebam que ele tem seu momento de aprovação diante do mundo (em suas primeiras copas) e seu crescimento espantoso e desproporcional ao seu mundo físico (quando praticamente não andava mais no Brasil, após vender seu passe cada vez mais caro).

Ainda podemos verificar seus momentos de breve desapego com a figura do herói correto, atacando de frente o maniqueísmo, quando do famigerado “ataque epiléptico” no final da copa de 98, frustrando umas quatro ou cinco gerações de brasileiros. Tenho um amigo que acredita firmemente que este evento será desvendado mais na frente, igual ao caso do Maradona que colocou um “Boa noite Cinderela” na bebida dos adversários. Seja como for, é certo que veremos mais sobre este caso e pretendo estar vivo, com dinheiro e com sanidade mental para escrever sobre o assunto.

Quando lembro deste ponto, lembro de um momento da Ilíada onde Ulisses (famoso rei de Ítaca) toma uma ilha de assalto e derruba as guarnições facilmente, porém, aproveita para comemorar sua vitória comendo e bebendo madrugada afora. Quando Hélio rasga o véu do dia, o rei de Ítaca é surpreendido pelo reforço do reino daquela ilha, correndo com o rabo entre as pernas. Temos vários exemplos similares, como o fato de Napoleão Bonaparte mandar executar dois soldados por estarem no lugar onde encontraram uma mulher morta por estupro ou até Moisés que mandou apedrejar pessoas que trabalharam no sábado, ambos os casos sem qualquer julgamento ou ponderação.

Todo mundo já participou de um evento do qual não se orgulha nem um pouco.

Por fim, creio que não preciso me demorar muito na declaração da pior parte (mas essencial) na trajetória de um herói: A queda. Ronaldo inicia sua queda livre, literalmente, em uma queda, quando machuca seu joelho. Fazendo todo o tipo de tratamento e supervisionado pelos melhores médicos que o seu cachê milionário pode proporcionar, o “fenômeno” nunca mais seria o mesmo jogador de antes. Para piorar, surge a questão do hipotireoidismo, doença causadora da queda da produção de hormônios pela tireóide. Acontece que esse cenário acaba causando uma série de problemas que, na vida de um atleta igual ao Ronaldo, não poderiam criar outra situação diferente da atual.

Com a integridade da tireóide comprometida, aparece cansaço (diferente da preguiça habitual que a maioria da população apresenta), aquela “fala arrastada” e até raciocínio lento. Tudo isso derrubaria a carreira de qualquer criatura.

Percebam que facilitei para o “fenômeno” e não discutirei sobre o caso da Andréia Albertini.

Enfim, são nestes momentos que, apesar de uma atuação “bem mais” do que apática (eu diria até que ele não precisava passar por aquela vergonha pública) e após dar o pontapé inicial para a nova campanha do Galvão em colocar o Neymar na frente da fila para pegar a camisa n.º 9 do escrete canarinho, creio que Ronaldo “fenômeno” terminou sua carreira em paz consigo e com (a maioria) dos seus fãs.

Falando em futebol, eu aproveito para trazer a primeira transmissão de futebol promovida pela Rede Grobo. Este vídeo foi enviado pelo site Café História que, aliás, é muito interessante para todos os amantes de história. Caso me encontrem por lá, podem me adicionar para discussões, troca de conhecimento e novas amizades em geral.

Próximo artigo pretendo falar sobre a mais nova polêmica do governo Obama: A criação do Memorial “Sete de Setembro”, criado em homenagem aos quase 3.000 assassinados no que provavelmente foi o maior atentado terrorista da história americana. Um belo feito por parte de Obama, se não fosse pelo fato de querer exibir os restos mortais de mais de 1.000 mortos que ainda não foram identificados.

É mole ou quer duro?
Uitamén!

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