Reprise – Sogra mitológia

PREZADOS LEITORES, BOM DIA.

Estamos com mais de ano por estas bandas e como não poderia deixar de ser, falaremos da sogra. Recebi alguns elogios pelo artigo abaixo, por isso resolvi postá-lo novamente. Não creio que muitos de vocês tenham problemas com suas respectivas sogras, por isso, façam uma leitura bem humorada para elas e ganhem pontos.

Eu posso falar, não esqueçam que eu tenho sogra.

Portanto deixem de lado aquelas famosas “frases de sogra” (por mais engraçadas que sejam), isso acaba ofendendo a pobre velhinha e você nunca terá sossego na sua vida (ou no pós-morten). Tente administrar a situação e vire a mesa, afinal, melhora pra você e pra sua digníssima.

Sem mais demora, vamos para as reprises.

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A sogra e a esperança são as últimas a morrer.

Ainda bem que meu santo é forte pois minha sogra é um barato.Super gente boa, adora conversar e ainda gosta de mim. Muita gente reclama da sogra, inventa todo tipo de apelido horrível para a pobre senhora, ainda bem que eu nunca precisei fazer isso, visto que sempre fui muito bem visto pelas mães das mulheres com que me relacionei.

Para quem não sabe, em abril existe um dia específico para homenagear a mamãe da sua patroa e se você é daqueles que acredita não estar em dívidas com sua sogra, ao menos você deve um abraço para a senhora por dar a luz à sua namorada/esposa/mulher/patroa/esquema.

Hoje o blog faz esta singela homenagem para estas senhoras que batalham tanto e sempre tem um tempo, não importa o quanto o dia tenha sido penoso, para puxar a orelha do genro e ofende-lo de todas as formas possíveis e imagináveis, seja ao estilo de nossa época, seja no tempo da tertúlia.

Contarei brevemente a história de Eros, Psique e sua terrível sogra – Afrodite. Quem sabe lendo esta história, sua sogra ganhe uns pontinhos e você acabe relevando todas as discussões que já teve com a véia.

Ao menos releve alguns pontos né, cabeção!

ERA UMA VEZ…

Um conto de fadas muito bonitinho, onde um reino distante cuja linda princesa, Psique, por algum motivo que enfrenta toda a lógica, acaba ficando encalhada e suas irmãs mazeladas arrumam ótimos partidos. Um belo dia, Eros (não o Ramazzotti, o cupido mesmo) resolve dar uma mão na roda e tenta desferir uma flechada no coração de um macho para a menina se divertir um pouco, porém, o cara acaba ficando louco pela Psiquê ao errar a flechada que iria desferir, furando o próprio corpo, confundido com tamanha a beleza da donzela.

Que burro dá zero pra ele!

Voltando ao conto, como Eros errou a flecha, o cara acabou mandando Psique ir pastar, ai a coisa finalmente levou os pais de Psique a fazer o que qualquer rei e rainha normalmente faziam quando algo de errado dava na família: A donzela é encaminhada ao oráculo e lá é dito que ela é destinada a um tremendo monstrengo e deve aguardá-lo sozinha em uma montanha de difícil acesso.

Nem me pergunte qual oráculo foi esse, existem tantos oráculos proféticos na Grécia antiga quanto existem faculdades particulares atualmente.

Conforme combinado com o oráculo, a moça é abandonada lá por seus pais, o rei e a rainha, para ser comida pelo monstro (comida no sentido de devorar a carne, não é esse que você ta pensando). Eis que aparece o vento Zéfiro e a encaminha ao palácio para aguardar seu destino. Mordomia para medir no metro durante o dia, porém, nada do monstrão, Eros só apareceria de noite, cansado do trabalho, o que me faz pensar que Eros é a representação mítica do funcionário público e só chega quando está escuro, mas quando chega só tem forças para satisfazer a amada na hora do bem-bom. Eros, muito competente, faz tudo perfeitamente, porém, Psique é mulher, consequentemente, resolve complicar o simples. Define como prioridade ver a cara do marido nem que tenha que seja debaixo de chuva de pedra. Instigada pelas irmãs barangas e desocupadas, ela deixa uma lâmpada com óleo inflamável para iluminar a cama quando o marido chegar.

Acredito que ela não levou em conta o que poderia ocorrer ao unir dentro do mesmo ambiente fechado o rosto do marido cansado de trabalhar o dia todo, mais 400ml de óleo fervendo, mais um quarto escuro. A jumenta derrama o líquido inflamável na cara do bom moço por excelência e… a merda ta feita!

E bota bem feita nisso!

A sogra dela é ninguém menos que Afrodite, a deusa mais charmosa, provocante e ninfomaníaca do panteão olimpiano… Sinceramente ela me parece a mais esculhambada dentre todas as deusas entre todas as culturas. Ela é tão desmedida que os estudiosos nem tem certeza de qual a sua origem. Teogonia aponta uma e Homero, outra.

Enfim, a coroa enxuta resolveu acolher a menina simples de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha. Nada de simpatia, apenas queria vingança, de fato Afrodite estava tão puta da vida que só não mandou a Psiquê fazer chover, o resto ela queria de prontidão. As deusas gregas são muito cruéis, piores e muito do que os deuses gregos que estão ocupados demais procurando encrenca com outros deuses, tentando comer a mulher dos outros ou se olhando no espelho. Retomando a história, Afrodite manda Psiquê separar uma ruma de sementes, grão, e afins. Tudo isso antes de Afrodite voltar, pois tinha compromissos importantes à tratar (provavelmente este trecho da história pode ser anexado a qualquer vexame dela ao ser descoberta pulando a cerca com algum outro deus). Claro lógico evidente e óbvio que a moçinha desmorona diante de tal pedido, caindo em um sono profundo na seqüência. Mulher preguiçosa, eu heim.

Eros, vendo a putaria que ocorria, solicitou a insetos (ou formigas, sei la, da na mesma) para catalogar tudo e terminar aquele trabalho de filho da puta que Afrodite havia mandado. Quando amanheceu, qual não foi a surpresa quando tava tudo muito bem arrumado?!

OUTRO TRABALHO!

Agora, teria que pegar a lã de umas ovelhinhas que eram a coisa mais bonitinha do mundo, porém, eram tão violentas que provavelmente fariam o próprio Ares ir buscá-las para rinhas infernais, regozijando com tamanho entretenimento bestial. Psique foi alertada por uma voz que ela deveria esperar as ovelhas “cheiradas” beberem água no rio que escoava próximo de alguns arbustos espinhosos, onde prendiam fios de seda. A voz ainda deu outro toque: esperar a maré baixar (lá pelas tantas da noite) e catar dos espinhos os tais fios. A donzela fez tudo direitinho, bingo! Ao entregar o serviço…

…OUTRO TRABALHO!

Tomada por uma súbita síndrome de chefe chato com unha encravada, Afrodite agora pega pesado: Queria água fresca da nascente do Estige. O problema é que o Estige nasce numa montanha que, de tão íngreme, só seria possível ser escalada pelo homem-aranha, e este ainda teria muito trabalho. Vendo aquela arrumação, Eros suplica ajuda a Zeus, este ajuda seu brother mandando suas águias levaram a moça para recolher a tal da água e apresentar o feito até Afrodite que, como vocês já devem imaginar…

OUTRO TRABALHO!

Afrodite agora apela de tal forma que, usar voadora e rasteira no Street Fighter parece a estratégia mais bem engendrada de todos os tempos. Argumentando que teria perdido parte de sua beleza (mandar tanto na pobre mortal deve ter cansado sua beleza) precisaria de um pouco do creme de Perséfone, Psique deveria ir até a casa de Perséfone no Hades. Pare por um instante agora e pense um pouco nisso… Afrodite literalmente mandou Psique PARA O INFERNO! Certa de que a moça não voltaria, comemorou pulando a cerca de novo. E ela acertaria, pois a menina estava pronta para se atirar de uma montanha (jumenta!) quando a montanha lhe dá instruções claras de como proceder.

A montanha pode ser entendida como uma espécie de Daniel Godri, visto que este, sinceramente, parece o típico casal funcionário público e dona de casa. Entendam que em algumas traduções, Perséfone entrega uma caixa com parte de sua beleza ao invés do creme. Aqui, falarei do creme. Desde os tempos mitológicos as mulheres já eram vibradas em negócio de maquiagem, ora veja você.

Na volta do Hades, Psique teve a brilhante idéia (jumenta!) de que, usar um tantinho assim do creme não teria problema algum. A coitada nem imaginava que isso seria o raciocínio mais descabido de sua vida. A montanha / Daniel Godri havia aconselhado a mulher, porém, mulher é um bicho curioso e Psique mandou ver abrindo a caixa (ou usando o creme), caindo em um sono pronfundo. O supremo do Olimpo recebeu a visita de Eros, suplicando que interviesse, dando uma amansada na mamãe, além de liberar Psique para casar. Zeus deve ter levado em conta que Eros, que já havia sacaneado muitos deuses com suas flechadas seguidas de arroubos amorosos que terminaram em conseqüências de proporções colossais, resolveu liberar o pobre rapaz para se juntar ao seu amor e colocar no dedo o bambolê  de otário.

Dessa união, tiveram uma criança que se chamaria prazer (volupta, ou algo assim). O mito de Eros e Psiquê é retratado no livro “O asno de ouro” do Apuleio. Leitura recomendada, eu pretendoler pois é citado no livro “O linguista e o Imperador” que trata da vida de Champolion e Napoleão, outra recomendação. Estas últimas linhas estão deixando o blog muito “cult”, voltemos ao cotidiano… Alguém ai já reparou que os nomes dos pais de Psique (o rei e a rainha) nunca é mencionado? Pode ser que o mesmo caso do tio do Jackie Chan. Falando no tio, mais uma coisa: Sei que to pisando na bola, ainda to devendo o artigo sobre o Percy “Barbosa” Jackon, como já comentei anteriormente, preciso ver o filme de novo para elaborar algo que preste, não pretendo fazer igual ao que fiz com o delírio sobre o filme “Cruzadas” mas aponto que o artigo ao menos não está totalmente parado. Até a próxima.

ενθουσιασμός.

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