Um delírio sobre Judas Iscariotes

Durante os processos que conferem ao final do mês, meu trabalho fica quase tão confuso quanto um clipe do Restart ou qualquer outra banda colorida que agita a vida dessa molecada sexualmente insegura e sem ambição. Acontece que tive uma série de eventos que ocorreram desde minha volta de férias e…

sim, você não leu errado, eu saí de férias do meu trabalho pra curtir e foi muito bom.

Há quem pense coisas como “Ah, sair de férias é coisa para quem ganha muito” ou “Oh, vendo minhas férias todo ano e não fico esgotado com isso”, não caia nessa! Saia de férias, vá curtir, ver o mundão que existe lá fora e ser visto também. A Empresa onde você trabalha (seja ela qual for) irá continuar de pé, não importa quem você seja (ou pense que é).

Além disso, você, provavelmente, gastará seu rico dinheirinho em remédios contra gastrite nervosa, L.E.R. ou cobrir o buraco no seu orçamento quando você for demitido.

Pense nisso.

Voltando ao nosso tema de hoje (que não é necessariamente de hoje), percebam que este Espaço Virtual Antenado ficou sem receber atualizações por quase dez dias. A semana santa passou e eu não comentei xavascas sobre o assunto (sem falar que ainda estou devendo um comentário sobre o bullying), portanto, hoje falaremos sobre aquele cujo nome se tornou, culturalmente, sinônimo de trairagem e puxação de tapete: Judas Iscariotes!

A CULTURAL MALHAÇÃO DE JUDAS
Não sei como é na sua região, mas onde moro, todo Sábado de Alelúia que Deus dá acontecia a famosa Malhação (ou Queima) do Judas.

Para quem não sabe (ou nunca se interessou), o evento consiste em meter o braço num boneco que simboliza o famoso Apostolo Traidor, numa verdadeira Via Crucis. O Ritual costuma variar, desde a simples surra e enforcamento do boneco até atear fogo ou mesmo explodi-lo (como ocorre em Itu), e nem sempre o boneco representa Judas, mas, também, acaba servindo pra expressar indignação contra Celebridades, políticos ou alguém da Comunicade. Pelo que consta, a tradição de endereçar violência extrema contra bonecos de pano veio até aqui pelos espanhóis e portugueses.

Um Festejo que, pra mim, está mais para uma apropriação desmedida de um Ideal Religioso. Afinal, o que segue é a pura e simples aplicação da Vingança em retaliação ao crime contra o Homem que pregou o Amor aos Inimigos.

Um total contrassenso, se me perguntarem.

Mas, porém, contudo, todavia, a Malhação de Judas sempre ACONTECIA no meu bairro. Passaram-se muitos Carnavais e não encontro mais o festejo com tanta facilidade, nem mesmo com o auxilio da TV regional.

Estamos amolecendo religiosamente ou nos conformando socialmente?

Afresco na capela Scrovegni onde Judas beija Jesus na boca.

O BEIJO
Segundo a narrativa bíblica, Judas Iscariotes indicou Jesus dentre os apóstolos com um beijo, depois de receber trinta moedas de prata. Um tremendo negócio da China para os anciões do Sinédrio, afinal, Sansão (que não era nenhum Messais) foi vendido por mais de mil moedas de prata, comprar Jesus por trinta moedas foi uma bagatela.

Contudo, há de se comentar essa questão do beijo, principalmente diante de uma sociedade preconceituosa como a nossa: O beijo foi na boca ou no rosto?

Várias representações mostram um beijo no rosto, porém, outras como o Afresco na capela Scrovegni (Giotto di Bondone – Pádua) mostram Judas abraçar e beijar Jesus na boca, seguido por soldados e acusadores e Jesus já sabia da traição.

Pesquisadores ainda tentam definir, dentre as sagradas escrituras, os momentos onde Jesus falava como deus e como homem. Na última ceia, ao questionar quem seria o traidor, Judas dá de frente com um Jesus estressado e desgostoso. Palavras severas saem de sua alma serena.

– Tu o dissestes!

– O que fazes, faze-o depressa!

REABILITAÇÃO
Segundo Orígenes (teólogo e escritor cristão), Judas foi ferramenta da Maior professia das Escrituras (sem um traidor, Jesus não morreria nas mãos do povo e nem reviveria em 3 dias) e considerava Judas um colaborador de grande obra e que merecia perdão. O protestante Karl Barth afirma enfaticamente que Judas é a figura mais importante dos Evangelhos, ficando atrás apenas do próprio Jesus Cristo.

Em contrapartida, há escritos que dizem um final trágico para o Traidor: Seu corpo teria se partido ao meio após uma queda sobre uma pedra.

Ainda há em sua defesa a descoberta de seu evangelho em 2006, escrito por uma seita gnóstica. Reza a lenda que eles veneravam Judas Iscariotes por sua renuncia de vida de valor equivalente ao de Jesus, assumindo a missão de sacrificar o cordeiro de Deus e aceitando o ódio e calúnia de todos por toda a existência da história de Cristo.

Ainda existem filmes que tentam criar uma aproximação entre Judas e o Cristo, uma empatia meio “In-Yang” que não rolava com os outros Apóstolos, de fato, o melhor seria pensar e pesquisar mais sobre o caso do que tratá-lo com desdém, a efeito do que vem acontecendo nos últimos dois mil anos.

Não garanto nada, meu trabalho está uma correria tão grande que nem mesmo tendo dois pulmões eu consigo alcançar minhas metas (kkkkkkkk… não teve graça!), enfim, o artigo sobre o Bullying provavelmente vai atrasar, mas o entusiasmo permanece. Façam o mesmo, sempre!

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