FINAL DE ANO – O QUE É O NATAL?


Amigos e amigas, seja lá onde tenham passado seu feriado, eu espero que tudo tenha ocorrido no mais perfeito controle. Como todos já devem ter percebido, esta é a ultima semana do ano, o natal já passou, porém, o sentimento natalino permanece. Época de trocar presentes, esquecer as magos e brigas, fazer planos para o ano novo que se reaproxima, além de todas as delícias de festas.

O natal é o feriado comercial mais esperado pelos lojistas que se pode imaginar.

Não, não vou gastar linhas neste blog contando que o Papai Noel não existe e que tudo o que acontece na madrugada da noite feliz é pura marmelada ou que ninguém, além de seus pais, deixava (ou deixa) presentes debaixo de sua bela e enfeitada árvore de natal. Isso já me causou traumas terríveis na época e você não terá como botar a culpa em mim por divulgar esta verdade, aqui pretendo divulgar uma verdade ainda maior e pior.

Afinal, de acordo com o filósofo Rocky Balboa, ninguém bate mais forte do que a vida.

O DIA 25 DE DEZEMBRO NA MESOPOTÂMIA
O pessoal na Mesopotâmia já comemorava o dia 25 de dezembro e, por mais estranho que isso possa parecer para alguns, a festa não tinha nada a ver com o nascimento do pequeno nazareno. Para falar a verdade, acredito que a cidade nem existia, afinal, estamos falando de uma civilização que existiu por volta de três ou quatro mil anos antes dos próprios egipcios (que são antigos pra caralho). Sendo uma civilização muito ligada a astronomia em geral, ambos (Mesopotâmia e Egito) cultuavam basicamente os astros. A coisa ganha uma religiosidade quando chegamos nos persas e o deus Mithras, mais um messias solar.

Eu já falei sobre Mithras em outra oportunidade, por isso, não comentarei muito além de dizer que o culto a este deus solar foi espalhado graças a Alexandre, o grande.

Representação artística do solsticio de inverno.
Representação artística do solsticio de inverno.
E NA GRÉCIA ANTIGA…
Na antiga Grécia, os cidadãos festejavam o deus Dionísio (deus do vinho) que bebia pra caralho, nascido de uma das mais belas mortais que ousou pedir a Zeus que aparecesse em todo o seu esplendor, porém, ela não contava que, sendo o deus dos raios, tudo o que ela poderia contemplar seria uma tremenda descarga elétrica e sua imediata desintegração. Este ritual envolvia bebedeiras, gritarias ou música alta (a maior zuada do mundo), orgias e tendências populistas.

Para ter uma noção breve disto, basta ver uma calourada de faculdade.

O DIA 25 DE DEZEMBRO EM ROMA
Roma também mantinha uma ideologia semelhante, pegando embalo na cultura grega e persa, criou cultos e revitalizou outros até chegarmos no questionável “Festival do Sol Invicto”, um festejo que durava coisa de uma semana (menos do que na Mesopotâmia, que durava doze dias). O ponto alto do festejo era quando todos bebiam vinho e trocavam presentes…

… tudo antes das orgias, pederastias e da sodomia, claro. Pra tudo, tem hora.

Percebam que toda a tradição que envolve esta data vem firmada em um culto aos astros e ao homem que dominou a agricultura, tudo isso teve início tem muitos carnavais… o pior é que o sentido de todo o culto se perdeu e ninguém mais sabe ou sequer se pergunta o motivo.

Para você ter uma idéia de como essa data é questionável, em dezembro, la na região onde Jesus nasceu, ocorre o inverno e você pode imaginar que as temperaturas caem drasticamente.

Contudo, o maior e mais convincente motivo que nos leva a crer no nascimento de Jesus nesta data seja um cidadão que alcançou o posto de imperador, matando e mudando de crença quando era conveniente, apesar de ser um dos fundadores do cristianismo.

CONSTANTINO MAGNO E O CONCÍLIO DE NICÉIA
Basicamente, o motivo que se convencionou cultuar o dia 25 de dezembro dentro de nossa instituição religiosa vigente seria o Concílio de Nicéia, implementado pelo famigerado Constantino Magno (ou Constantino I), um dos idealistas da igreja Católica atual, se não for o grande chefe desta empreitada. Tem gente que compara sua história com a do cristão Paulo de Tarso, fariseu que perseguiu os primeiros cristãos convertidos após a morte de Jesus Cristo, convertido na sequência após ficar cego se sua eventual cura milagrosa.

Constantino I teve sua história feita em batalhas, assassinatos, intrigas, até virar a casaca, largando a família que cultuava ao grego Heracles (protegido de Marco Aurélio Valério Maximiano Hercúleo) e adotando Mithras e o culto do sol invicto (divindade adorada nos séculos anteriores), depois que foi considerado um Augustus e batizado como imperador, na cidade de York.

Este homem foi tão importante para o militarismo nacional de sua época quanto Ramsés II foi para o Egito, sendo igualmente lembrado na história por outros motivos. Ramsés II é lembrado pelas grandes esculturas e templos erguidos em seu nome (atualmente é conhecido como um tremendo esnobi, situação que já comentei em outra oportunidade), da mesma forma que Constantino I é o precursor do catolicismo, devolvendo território aos indivídos que eram entendidos como uma seita e dando um nivel de religiosidade interessante, garantindo, ainda, que seriam poupados de perseguição e matança. Tal episódio pode ser visto em uma “campanha viral” mesmo em sua época, antes de uma grande batalha, Constantino teria sonhado com uma cruz onde uma voz dizia In Hoc Signo Vinces.

Não sei o que cargas d´agua significa, sei o português pouco e ruim, porém, procurei no Wikipédia e significa “Sob este símbolo vencerás”. Legal né?

Logo toda a graça das vitórias do império de Constantino seria dado ao deus cristão, mesmo depois de todas as anunciadas e mudanças de casas religiosas nas quais passaram o novo Augusto. Percebam que estou tratando destes pontos de forma branda, meramente ilustrativa, já que a vida de Constantino I é bastante ativa, suas atitudes (no que diz respeito ao militarismo e sobre a construção do cristianismo) são bastante questionadas ainda e hoje são motivos de discussões acalouradas. Enquanto alguns acreditam que o cristianismo foi favorecido gradativamente por Constantino (inclusive foi ele que ergueu a igreja do Santo Sepulcro por influência de sua mãe), apesar de ser o próprio Constantino I que deu o status de religião ao cristianismo. Também existem aqueles que repudiam o pseudo-imperador por nunca ter participado de missas ou mesmo não ter a eucaristia.

Acabei saindo um pouco do tema proposto anteriormente, porém, podemos constatar que Constantino Magno deu os primeiros passos ao cristianismo, forjado no concílio de Nicéia, porém, toda a tratativa do feriado natalino já ocorria mais de quatro mil anos antes de Cristo. Uma festa que anunciava a emancipação do homem na agricultura transformou-se tremendamente, e olhe que as mudanças ainda continuam, não pretendo comentar aqui a história de São Nicolau para não esticar muito, mas acredito que já deu pra perceber até onde a coisa iria durar.

CONCLUSÃO SOBRE A NOITE FELIZ
Um grupo de cientistas resolveu, com base nos experimentos da famosa caixa de Skinner, colocar cinco macacos em uma gaiola. No meio desta, havia uma escada e no alto desta, pendia um belo cacho de bananas. Colocados os macacos na gaiola, óbvio que um deles viu as bananas e tratou de subir as escadas, ao passo que os macacos que ficaram embaixo levaram um tremendo banho de água fria, o que fez os coitados meterem uma tremenda surra naquele que subiu as escadas para pegar as bananas.

Vale lembrar que ele não pegou as bananas, ainda apanhou faminto.

Este mesmo quadro perpetuou-se por um certo tempo, até que todos os cinco macacos não tinham mais coragem de subir as escadas, apesar da fome e da tentação, então um dos macacos foi trocado por um novo, que logo tratou de subir as escadas para apanhar as bananas, apanhando violentamente logo na seqüência, tal atitude fez o pobre primata perceber rapidinho que as bananas eram proibidas. O banho de água fria não foi usado dessa vez. Logo outro primata seria trocado por outro.

Este mesmo quadro perpetuou-se por um certo tempo, até que todos os cinco macacos do início do teste já não estavam mais na gaiola, todos foram trocados e um novo grupo permanecia na gaiola mantendo a mesma atitude, apesar do banho de água fria só ocorrer uma única vez. Caso pudéssemos perguntar a qualquer um dos primatas na gaiola o motivo de suas atitudes, provavelmente receberíamos como resposta algo próximo de um “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui”.

Percebam que o feriado natalino passou por mudanças gritantes, iniciou como celebração ao astro solar no solstício de inverno lá atrás, na Mesopotâmia e no Egito, depois virou culto ao deus solar Mithras, na Persa. Grécia e Roma mantinham uma postura semelhante e iniciaram o festival do sol invicto… até tornar-se o milagre natalino que salva nossa economia todo final de ano, movimentando zilhões, apesar de ninguém imaginar que tudo teve início com uma celebração ao sol.

Por hoje é só minha gente, acaba mais um artigo neste blog, aguardem mais novidades.
ενθουσιασμός- https://cursandohistoria.wordpress.com/

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2 comentários Adicione o seu

  1. Andre HWM disse:

    Ótimo texto. Muitos não sabem do que se trata o natal e sua real origem.

    Publiquei um texto crítico ao natal em: http://pensamentoempauta.wordpress.com/

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  2. anacab disse:

    Sabe por que o pessoal dá de pau no Constantino? Porque ele fez uma doação milionária à Igreja de Roma (praticamente iniciada com ele) e virou a cabeça dos abnegados ministros de Cristo – de pobrezinhos passaram a priorizar o luxo e a ostentação…

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