Especial – Teseu: O toureiro mitológico

Conforme o título, este é um artigo sobre mitologia grega.

Estou surpreso que meu cotidiano esteja afetado por inúmeros fatos que não me façam ir até as areias do Egito esquecidas a milhares de anos atrás. Deve ser o efeito copa do mundo, ou a sensação de desconforto que nossa seleção está inserindo em todos os brasileiros, visto que o único convencido de que o futebol brasileiro está satisfatório é o Dunga. Seja como for, já estamos classificados e, ao menos isso, já é uma boa notícia. Deixemos a copa um pouco de lado e vamos ao post de hoje.

Creio que já tem algum tempo que essa notícia saiu no jornal (veja o vídeo aqui), um toureiro levou a pior em seu ambiente de trabalho, tendo a garganta transpassada pelo chifre do animal, sendo socorrido imediatamente. Uma cena digna de um filme de terror, nem preciso dizer que adorei, pois adoro filme de terror e odeio touradas, de fato, eu já odiava o Balrog  do Street Fighter Victory (exibido no finado programa da Vovó Mafalda, exibido no domingo cedinho), quando ele apareceu como toureiro aí o caldo engrossou.

Bater em touros transtornados e enfurecidos usando armas cortantes e fazendo poses de baitola não é a mesma coisa de pegar um lutador obstinado, com mente afiada e senso de crítica ácido igual ao do nosso querido Ken Masters. Balrog foi finalizado com um belo Shoryuken que emocionou toda uma geração e vingou muitos bovinos que jazem lá naquele enorme arras no céu.

Obrigado Ken, sempre terá um lugar em nossos corações.

O toureiro parece que ainda está vivo, não sei ao certo, sei que é manchete em todo o canto, sinceramente, se você colocar “Toureiro” no Google só vai dar ele. O nome do cidadão é Júlio Aparicio e dizem que ele andou fora das touradas por um tempo sem dar satisfações, depois voltou e se fode em praticamente em todas as touradas que participa. Sempre foi conhecimento de todos que as touradas, seja o evento onde o boi morre espetado por um frescalhão de roupas acoxadinhas com cores berrantes, seja pela famosa farra do boi, já levou muitos para o hospital ou mesmo pro mal irremediável. Ainda me aparece o Luiz Colarres dizendo que a tourada é o maior legado deixado pela Espanha para a cultura da humanidade. Diante desta notícia, senti que era interessante falar sobre o cara que eu considero o primeiro toureiro da mitologia Grega: Teseu. Bom, ele desafiou o bicho e o matou com uma arma branca, pra mim é o mais próximo que pode haver de um toureiro nos últimos 3 mil anos. Para quem não sabe, Teseu foi o cara que deu fim no minotauro, monstro do labirinto localizado em Creta que tinha corpo de gente e cabeça de touro.

Não de boi, de touro.

Aqui se faz necessária uma pequena intervenção por parte deste que vos escreve: Aponto Teseu como primeiro toureiro DA MITOLOGIA GREGA. Para todos que curtem história antiga ou mitologia de uma maneira geral, podem estranhar o fato de existirem outros indivíduos na história que já mexiam com o bicho antes mesmo de Teseu deixar de usar fraudas como Gilgamesh (lutou contra Enkidu, seu irmão com cabeça de boi), o próprio Ramsés II já domava touros com seu pai Sethi I, sendo sua iniciação ao trono faraônico. Se bem que nosso ateniense em questão supostamente existiu quase 100 anos antes de Ramsés II, então ainda estou correto.

Esclarecido os fatos, tomemos o rumo da venta.

A ORIGEM
Teseu cresceu humilde, escondido do reinado de seu pai em Atenas, Egeu. O rei simplesmente não conseguia engravidar ninguém (ou então só tinha meninas, não sei ao certo). Sua qualidade de rei lhe oferecia a possibilidade de faturar inúmeras mulheres da mais variadas estirpes e as mais lindas, não serviu para nada pois o herdeiro não vinha. Fato que o deixava muito frustrado.

Se o rei Egeu conhecesse a história de Balduíno IV, não ligaria muito para um herdeiro.

Apesar de velho, Egeu era forte e valoroso. Seu reino era próspero, porém, precisava de um herdeiro para conter as constantes intrigas em seu reino, causadas por uma ruma de sobrinhos mesquinhos, esnobes e chatos, enfim, sobrinhos. A história relata que eram 50 sobrinhos que se denominavam Palântidas, filhos de seu irmão Palas. Egeu, na sua qualidade de rei, resolveu viajar até o oráculo onde pretendia saber se tinha alguma coisa que ele deveria saber sobre o assunto, aproveitando para desopilar um pouco. Conta a história que o oráculo lhe informou que “não abrisse o odre antes de estar no mais alto ponto de Atenas”.

Essa charada deixou nosso rei mais confuso do que namorado de gêmeas, sem dar muita bola para o assunto, resolveu dar uma paradinha em Trezena, onde reinava Pitéu (isso lá é nome de homem). Ficaram amigos, saíram, beberam e discutiram sobre a política alfandegária dos portos nas capitais. Pitéu só tinha o nome feio, mas mostrou ser um homem de quengo amolado, desvendou a charada proposta pelo oráculo. Embebedou seu novo amigo e mandou sua filha Etra para a cama com o cara bêbado que ela acabou de conhecer, engravidando-a na seqüência.

De repente dois completos desconhecidos bêbados transando de todas as formas possíveis (física e financeiramente) no carnaval e Fortal não parece mais tão estranho.

Após passar um curto período com sua nova companheira de cama, Egeu seria informado de que seu reino estava um verdadeiro samba-do-criolo-doido. Teria de abandonar uma bela terra onde vivia um rei amigo e beberão e sua amante carinhosa e boazuda para voltar à Atenas e rever seus sobrinhos intragáveis lutando entre si feito urubu na carniça. Antes de ir, claro, Egeu pediu para Etra informar ao filho, quando este já fosse um homem forte, a condição de seu pai e lhe mostrasse uma enorme pedra onde Egeu esconderia sua espada e suas sandálias, assim, poderia reconhecê-lo na multidão.

TESEU MOVE A PEDRA E BUSCA SEU DESTINO
Você não odeia esses títulos que contam o que vai ocorrer na história? No parágrafo anterior Egeu tinha acabado de ficar curado da ressaca e largou Etra com um bucho para cuidar sozinha, agora você já sabe que o cara se chama Teseu e é forte pra caralho, pois moveu a tal pedra onde estava escondida a espada e a sandália.

Teseu encontrou muitas aventuras pelo caminho, bateu em gigantes, bateu em filhos de Poseidon , bateu em coxos usando suas próprias muletas e chegou em Atenas muito feliz. Foi descoberto de cara por seu pai ao reconhecer as sandálias e a espada durante o jantar, sendo proclamado herdeiro. Medeia, pessoa que teria indicado ao pai matar o próprio filho, foi expulsa do reino, os tais filhos de Palas também ficaram putos.

Haveria mais gente para distribuir violência bizarra e gratuita.

CAUSA E EFEITO
Teseu parecia ansioso em meter o cacete nos 50 e não demorou muito para dar cabo da situação. Mesmo recebendo ajuda, nosso herói não escapou do exílio para todos os que cometem crimes em família, para purificação. Este ponto da mitologia é muito interessante, pois mostra inúmeros heróis matando e matando como se não houvesse mais um amanhã e mesmo que tudo isso seja perfeitamente justificável, eles tem que pagar.

E pagarão em dolar!

De acordo com o Wikipédia, Teseu é o equivalente ateniense do também mítico Hércules do Peloponeso (Leônidas, o rei de Esparta, descende da casa de Hércules). Muitos foram os heróis que tiveram que prestar contas no isolamento como o já citado Hércules, Édipo e também Jasão (dos argonautas), mas este ultimo não é pelos mesmos motivos. Seja como for, nosso herói ficou exilado em Trezana por 01. Caso a intenção do exílio fosse de educar, não adiantou muito, pois ele mataria de novo.

O MINOTAURO
Como todo mundo já sabe, o minotauro é um bicho que tem cabeça de touro e corpo de homem (algumas versões apresentam o dorso bovino). Minos, rei de Creta, perdeu seu filho, Androgeu que foi morto pelos palântidas (em outras versões, Androgeu foi enviado pelo rei Egeu para matar o minotauro e perdeu). Sua fúria o levou a travar uma guerra contra Atenas, ganhou e sempre cobra 7 rapazes e 7 moças para virar sarapatel na mão do monstro, ele vive em um labirinto criado pelo arquiteto Dédalo que, ao que tudo indica, também tem linhagem divina.

Esses deuses gregos tão faturando todas, eu heim.

O tal do labirinto deveria ser imenso, sem teto para possibilitar uma contemplação completa do céu, mas ainda era uma prisão. Dédalo apresentou um labirinto incompreensível. Achei um blog bacana sobre o labirinto, parece estar desativado, mas visitem de qualquer forma. Teseu chegou lá e acabou com a festa. Auxiliado por Ariadne, usou um fio de lã para se guiar dentro do labirinto, liquidando a fatura.

A história de Teseu, como “toureiro” fica por aqui, ele viveu muitas outras aventuras e é registrado em uma aventura até depois de morto, ajudando seu povo na guerra da Maratona.

OBSERVAÇÕES
Acredito que o minotauro seja o extremo inverso do Teseu, seu antagonista. Um é fruto de uma putaria bizarra entre a esposa de Minos ,Parsifae e o touro branco que deveria ser sacrificado ao Poseidon. Uma afronta aos deuses. O outro, veio de uma paixão súbita de um oráculo embriagado. Um não conheceu o amor de mãe e o pai lhe prendeu em um labirinto gigantesco por ser quem é. Um reflexo de sua própria devassidão. O outro viveu com a mãe e recebeu do pai, honrarias e o status de herdeiro direto. Um é mais feio do que batida de bicicletas e o outro tem a beleza do ideal grego. O mesmo pode se dizer entre a medusa e Perseu. Não sei realmente se isso pode acontecer em todos os contos, porém, é inegável que há um sentido filosófico em todas as histórias da mitologia, diferente de outras culturas como é a cultura egípcia, onde há relatos entalhados em rocha e vestígios arqueológicos.

Uma equipe encontrou uma estrutura semelhante a um palácio (se eu não me engano, foi em 1900 e pouco), também foram encontradas moedas com desenhos de labirintos, desenhos e utensílios que caracterizam a existência de um povo, sem dúvida. Sabe-se que Minos era uma denominação usada na época para se referir ao Rei. As evidências são fortes e a arqueologia acredita ter encontrado a Creta de Teseu e o minotauro.

Procure no Google Earth por Knossos.

O mito de Teseu e o minotauro fantasiou a mente de muitos, passando por inúmeros aspectos da cultura. A pintura, por exemplo, oferece ao artista um longo campo para debruçar-se, inúmeros mostraram este mito por sua ótica. Solicito que parem o que estão fazendo, esqueçam o minotauro bobão e perverso, agora vejam esta pintura:

Incrível, não é?! O cara é bom, né?! O blog do Alberto Renault é interessante para aqueles amantes da pintura, o quadro que eu mais gostei está no post Do amor tenho os furores.

Ainda existem outros pontos relacionados ao mito como a música, cinema, jogos e até no maldito anime Saint Seiya, onde é representado por um loiro magrelo com um cabelo estranho, atirando espetos nos outros (olhaí a figura do toureiro de novo!), usando uma armadura afrescalhada e parece desaparece do longa-metragem mostrando a mesma importância com a qual chegou… nenhuma.

Sinceramente é tão idiota que nem dá vontade de zuar. Não preciso colocar o desenho aqui para não piorar as coisas.

Espero que este texto ajude com alguma coisa ,nem que seja em gastar seu tempo e sua vista lendo algo que seria mais fácil e mais educativo verificando direto no Wikipédia, porém, sem a crítica  “mais ou menos” deste blogueiro… que termo mais cretino, blogueiro, parece até linguagem popular para alguma DST. Melhor seria se eu me apresentasse como um editor de textos freelancer para a net. Osculos e amplexos, logo venho com outro artigo.

ενθουσιασμός.

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